quarta-feira, 31 de março de 2010

The rise of conspiracy

Uma das coisas que eu acho mais fantásticas na Internet é a velocidade, facilidade e possibilidade de se espalhar informações. Concordo que tem muitos sites e blogs que são pura perda de tempo, inclusive deve ter gente achando isso deste aqui, mas acho que a Internet está aí justamente para isso: recriar o espírito crítico em cada um de nós. Só podemos ter uma opinião válida se somos informados, o que infelizmente, eu não acho que acontece em muitos casos. Muita gente considera que tirar opiniões de um único lugar, especialmente da televisão, mas isso é apenas a ponto do iceberg, pois quando se estuda realmente um assunto, ele se demonstra muito mais complexo do que se pensava primeiramente. Um exemplo é justamente o dinheiro: muitas pessoas consideram que ele é somente um instrumento de troca, sem notarem tudo o que acontece por trás. Pesquisem como o dinheiro aparece no mercado, por exemplo, e acho que vão se impressionar um pouco.
Mas voltando à distribuição da informação, as chances são de que você já tenha visto alguma teoria conspiratória em suas navegadas por ai. Eu imagino que com o livre acesso aos dados, muitas pessoas começaram a conectar certos pontos sob uma perspectiva que não era vista antes. Ou se era, dificilmente chegava em alguma mídia que nos chamasse a atenção. Alguns são mais absurdos, outros são literalmente, segredos de estado que governos (ou sociedades secretas, dependendo do caso) passaram anos, décadas ou até milênios planejando e executando sem esperar que alguém desconfiasse. Não vou entrar em detalhes de evidências aqui, pois acho que cada um pode muito bem ir atrás do que considera verdadeiro ou falso. Os detalhes que eu vou entrar, entretanto, são os que eu vejo do porquê está se tornando cada vez mais popular as idéias de conspiração.
Para começar, voltamos ao ponto inicial: informação. Acho que nunca em nossa história, tivemos tanto acesso a tantos dados, e acho que algumas pessoas chegam a se perder com a enxurrada de notícias que inundam suas mentes constantemente. Mesmo sem estar na frente de um computador ou televisão, ainda somos bombardeados pela poluição visual que se tornou as propagandas nas grandes cidades. Poucos são os lugares onde não cabem um cartaz ou letreiro. E não desprezem essas tentativas de vendas, pois nosso cérebro interpreta elas como qualquer outra informação: mesmo que vá descartá-las depois, elas ainda passam por um processamento em nossas cabeças. E por não estarmos inteiramente acostumados com essa enxurrada constante de textos e imagens, não sabemos como lidar com elas propriamente. E isso me leva ao segundo ponto.
Eu considero a realidade em que vivemos como um quebra-cabeças, onde tudo que existe é uma peça diferente. E por sermos partes dele também, fica difícil de ver toda a figura. O que podemos fazer, no entanto, é ir descrevendo o que cada um ve para que possamos ter uma idéia do geral. E por vermos por diferentes ângulos, as vezes achamos que um ponto se conecta em outro, quando na verdade estamos tendo uma ilusão de ótica. Já virão alguma dessas, eu espero. Então, sem sabermos com o que estamos lidando, fica difícil separar o que é realidade e o que é apenas ilusões de ótica, e por mais que alguns achem que são os donos da verdade, a história ja mostrou que o que se acredita como "verdade" hoje, pode ser uma mentira amanhã. Um exemplo é o de quando achávamos que o planeta era o centro do universo, e quase mandamos para a fogueira quem queria mostrar que não era bem assim.
Para melhorarmos nossa vida, precisamos manter uma mente aberta, pois à medida que barreiras vão sendo derrubadas, novos horizontes irão despontar trazendo novas possibilidades. Talvez não iremos descobrir exatamente ainda o que está acontecendo ao nosso redor, mas podemos ter uma idéia mais precisa. Então, ao ler alguns textos mais conspiratórios por ai, não se apresse tanto em julgar baseado no que se tem como certeza. De uma pesquisada para ver se não foi feito nenhuma atualização sobre o assunto em questão. Afinal, as vezes até mesmos os especialistas podem estar esquecendo algum ponto que consideraram trivial, mas que pode fazer uma imensa diferença para todos nós.
:-)

terça-feira, 30 de março de 2010

Algumas dicas...

Além de me concentrar em abrir os olhos da galera pro que está acontecendo no nosso mundo, é uma boa que eu dê sugestões também de como alcançar uma realidade mais independente, certo? No começo eu achei que os links do lado e os vídeos iriam, por si só, atrair a atenção das pessoas. Mas acho que um pouco de explicações e ideias diferentes daquelas são devidas, pois além de mostrar outras perspectivas, ainda podem ilustrar como coisas simples podem ajudar a mudar radicalmente nossa vida.
Uma das dicas que eu mais tento passar adiante é guardar dinheiro. Não, não estou falando especificamente de começar uma poupança, se bem que já que o dinheiro vai ser guardado, pode muito bem ser colocado em uma poupança mesmo. Mas estou falando simplesmente da diminuição do consumo. Já parou pra prestar atenção em quanto já gastou em coisas que não são necessárias, a não ser para alimentar o ego? Enquanto muitos vão dizer que o ego precisa ser alimentado para a pessoa se sentir mais confiante, eu defendo a tese de que ele precisa ser mais trabalhado. É mais ou menos a idéia dos esteroides anabolizantes e da malhacao: um ajuda na aparência, enquanto o outro ajuda na consistência. A idéia não é abolir completamente o consumo, pois é dele que tiramos nossa alimentação e as ferramentas que realçam nossas habilidades, mas achar um meio de nos tornarmos mestres dele, ao contrário do que vemos em nossa sociedade atualmente. Então, na próxima vez que for atrás de algum produto, pense se ele realmente ajuda em alguma coisa, ou se é simplesmente para suprir o ego. A diferença é realmente grande.
Uma ótima maneira de se reduzir o consumo é justamente exercendo um dos maiores dons que temos: a criatividade. Ao invés de buscarmos respostas prontas no mercado, porque não tentamos mais vezes utilizar o que temos a mão, jogado em algum canto, para adaptar e criar algo que supra nossas necessidades. Um exemplo grande vem de Malauí, na África. Um menino de 14 anos, vivendo em um lugar sem energia elétrica, pesquisou e usou materiais sucateados, que muitos chamam de lixo, para criar um moinho de vento. Pode não parecer muito, mas para alguém que não tinha nada antes, foi uma grande diferença. E para pessoas que pagam pela energia elétrica que consomem, pode se tornar uma alternativa mais barata, além de ajudar na preservação do ambiente.
Outro ponto que raramente é considerado, é o da velha horta. Muitas pessoas preferem utilizar o quintal e o jardim para plantar flores, enquanto gastam quantias consideráveis no supermercado com frutas, verduras e legumes. Uma horta pode não ter o mesmo apelo visual de um jardim, mas da um retorno mais saudável, além de ajudar na diminuição dos gastos no mercado. E se a pessoa realmente se dispor a cuidar propriamente, irá descobrir que é uma terapia tão recompensante quanto uma academia. E para não enjoar de um único tipo de alimento, podem arranjar com vizinhos e amigos próximos de distribuírem o excesso do que produzirem. Isto ajuda a criar laços mais fortes do que qualquer contrato jamais fez. Para o pessoal que mora em prédios e não possui espaço, não desistam. Uma pesquisa rápida na internet por cultivo hidroponico caseiro mostra algumas alternativas. Como eu disse antes, não precisam sair comprando nenhum equipamento, tentem primeiro adaptar o que já tem em casa para criar o mesmo efeito.
Uma última dica que volta para os tempos antigos, é de não usar secadora para as roupas e pendurá-las no varal. Secadoras gastam muita energia elétrica, e no verão brasileiro chegam a ser um desperdício irracional quando utilizadas. Até mesmo em apartamentos, existem vários tipos de varais que podem ser adaptados. Qualquer pedaço mais comprido de barbante e dois pregos ou parafusos são capazes de ajudar a resolver muito o problema. E com criatividade e um pouco de pesquisa, pode-se achar facilmente os melhores locais para se pendurarem as roupas, fazendo com que elas sequem mais rápido. Também ajudam em exercícios físicos, coisa que muita gente prefere ir em academia para fazer.
Ao longo do tempo eu vou tentar largar mais umas dicas aqui, para que aqueles interessados tenham um pouco mais de informações e idéias para ajudarem a reduzir seu consumo, gastos e criarem um mundo diferente do que temos.
:-)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Meu primeiro encontro Zeitgeist

Ontem foi a primeira vez que fui num dos encontros do pessoal do Zeitgeist. Foi o primeiro que eles tiveram depois do ZDay, dai deu pra ter uma idéia do que aconteceu por lá, já que não consegui ir. Eu tava curioso e querendo ver um desses encontros já a tempo, mas só ontem tive uma real oportunidade de ir até lá e conferir o que o pessoal anda fazendo, sobre o que estão pensando e bater um papo com mais pessoas que tem uma visão parecida sobre o mundo e uma vontade de mudá-lo.
Achar o local do encontro foi bem fácil, estava bem explicado na Internet. Foi uma viagem de quase uma hora de casa até o pub, mas foi tudo sem problemas, já que minha rota não tinha nenhum serviço interrompido pra manutenção, o que geralmente acontece nos fins-de -semana. Cheguei lá tão cedo que eu acho que o dono do pub tinha recém acordado e mal tinha virado a plaquinha na porta de "fechado" pra "aberto". Era passada a uma da tarde, mas acho que ele esqueceu que nesse fim de semana mudava o horário, e deve ter sido pego de surpresa pelo despertador. Mas mesmo sonolento, o cara fez um dos melhores crepes que já comi por aqui, encheu bem o tanque, como prometido.
Mesmo com os relógios adiantando uma hora, ainda teve gente que chegou meio cedo por lá, então não fiquei sozinho no pub muito tempo. Logo estava conversando com outro que se adiantou, e no meio da conversa, descobri que ele bolou um flashmob pra fazer no ZDay, e logo vão liberar o vídeo da façanha na internet. O cara era bem legal e descontraído, e tinha uma camisa que eu achei muito bem bolada, usando peças de xadrez pra mostrar como anda nossa situação. Parece que o design é do pessoal do Canadá, então parabéns pra eles pelo design criativo.
Mais pessoas foram chegando, e para minha surpresa, tinha bastante gente nova, algumas inclusive, que nem sabiam o que era o Zeitgesit, que foram convidadas por amigos que querem se tornar mais ativos ou tirar dúvidas. Achei legal que tinha um pessoal que está fazendo um trabalho sobre teorias da conspiração, e deu pra trocar umas idéias sobre outras fontes de informação. Peguei o nome de alguns autores e outras pessoas pra pesquisar na Internet mais tarde. Conheci o organizador do movimento na Inglaterra, um cara bem gente fina e bem atarefado. Ele logo perguntou pra todos se podíamos esperar um pouco mais pra começar a reunião, pois imaginava que iam ter aqueles que esqueceram da mudança do horário. Combinamos de esperar uns quarenta minutos, para que os atrasados perdessem apenas as apresentações de novos membros, o que poderiam fazer facilmente e até mais pessoalmente depois, no clima descontraído do pub.
Passados os quarenta minutos, fomos para o subsolo do pub. Ali eu comecei a me sentir num clima meio surreal, bem coisa de filme de conspiração mesmo. Pra quem conhece um pub daqueles antigos e tradicionais, já deve imaginar como é o porão do lugar. Pra melhorar a coisa, ainda colocaram uma iluminação vermelha, numa peça que tinha uns sofás e cartazes antigos, além de um busto do Buda num canto. Não tirei nenhuma foto dessa vez, quero ver se na próxima eu consigo alguma pra dar uma idéia do lugar. Acho que palavras não vão conseguir descrever o lugar propriamente, então melhor manter o suspense até pra não correr o risco de estragar o clima.
Bom, a reunião em si não teve nada de conspiratório. Como comentei antes, foi feito uma introdução dos membros novos e amigos, e uma apresentação do pessoal mais velho. Logo depois disso teve uma sessão de perguntas e respostas, e o que eu já comecei a gostar é de que o organizador estava lá para fazer justamente isso: organizar. As perguntas eram direcionadas a todos e qualquer um poderia responder, o que não faltavam voluntários para isso. E por isso que tinha o organizador, ele ficava vendo quem pedia a palavra e em que ordem, para um não atropelar o outro na euforia. Outra coisa que eu achei bem interessante foi o fato de terem várias pessoas com metodologias diferente, querendo tomar ações diferentes, mas todas estava ali querendo alcançar o mesmo objetivo.
Por exemplo, teve um cara que tinha um filme para passar depois da reunião, e quando ele falou o nome do palestrante do filme, teve gente que já torceu o nariz por não concordar com as idéias que esse cara passava. Como eu ainda não havia ouvido falar sobre a pessoa em questão, fiquei curioso pra saber o que ele falava, e porque era tão controverso naquele grupo, então me propus a ficar pra ver o filme quando foi perguntado quantos estavam interessados. A reunião ainda durou mais uma meia hora, passando das perguntas para idéias novas de ativismo. Essas idéias eu vou descrever mais em algum post futuro, senão esse vai se estender demais também.
Falar nisso, depois das idéias novas, veio o tal do filme polêmico. Podem conferir no youtube e tirarem suas próprias conclusões. Pra mim, ainda não cheguei em uma conclusão decisiva, mas ainda ficou a pergunta na cabeça: quando (ou se) a bosta bater no ventilador, o que estamos preparados para fazer, e o que iremos nos propor a fazer? Acho que a hora que tiver essas respostas, dou um parecer melhor. Já estou contando com a próxima reunião, e espero que os números de pessoas aumentem, pois questionar é sempre uma boa idéia.
:-)

Collapse

Na sexta feira, chegou ao meu conhecimento que ia ter uma apresentação de um filme sobre mudança social no Goldsmith College. A informação me chamou mais atenção pelo fato de ter sido me passada como sendo o novo filme do Zeitgeist, mas uma rápida procura na Internet mostrou que minha fonte estava equivocada. Nada que um rápido telefonema não resolvesse, e logo ficou claro que não se tratava de Peter Joseph ou Jacques Fresco, mas de Mike Ruppert
Pra quem não conhece ou não se lembra, se já viram algum filme sobre as guerras contra as drogas, provavelmente já viram o Mike peitando o diretor da CIA em 96, John Deutch. O cara tem história e currículo em investigação, e como eu ja tinha visto ele sendo citado ou entrevistado em alguns outros filmes, fiquei extremamente interessado, ainda mais depois que vi o trailer do filme  que iriam mostrar: Collapse. Eu já estava bem entusiasmado pra ir, quando descobri que, além de passarem o filme, depois teria uma sessão de perguntas e respostas com o próprio Mike! Claro, tive a esperança de ver ele ao vivo, e não numa video-conferência, mas foi tão legal quanto.
Bom, meu parecer sobre a organização do evento é que ficou muito a desejar. Acho que pegaram dois estagiários não remunerados da faculdade pra montar todo o equipamento na última hora, e nenhum deles parecia saber muito o que estavam fazendo ou se importar com o que estavam fazendo. A tela ficou o tempo inteiro faltando um pedaço em cima, e quando eu digo o tempo inteiro realmente quero dizer desde antes do filme começar, durante o filme e depois dele, durante o debate. Mas problemas técnicos a parte, o que me irritou mesmo era o "organizador" de camisa laranja (acho que o nome dele era David), que parecia simplesmente querer fazer tudo as pressas pra se mandar dali.
Logo depois que conseguiram arrumar o áudio (e não se importarem com o vídeo), o pessoal do outro lado colocou o Mike pra dar uma introdução ao filme.
Essa parte já está disponível na Internet e pode ser vista aqui. O quadro preto no canto esquerdo é onde supostamente deveria estar mostrando a platéia, mas acho que os "especialistas" do nosso lado conseguiram a façanha de não gravar nada. O Mike fez agradecimentos e uma breve sinopse do que iríamos ver, e logo partimos para o filme.
Mesmo sem a parte de cima do vídeo, deu pra ter uma boa idéia do filme. Vai ser polêmico pra alguns e completamente descartado por outros, mas para mim foi meio como uma confirmação do que estamos vivendo. Achei o tom do filme um pouco apocalíptico demais pro meu gosto, mas como o próprio Mike disse, de repente ainda não entendi a seriedade e urgência da coisa. Os dados que ele passa podem ser confirmados na Internet, e ele tem um blog onde ele reúne todas as notícias que saem diariamente em jornais e periódicos, se quiserem dar uma olhada. Não sou crítico profissional de filme, mas gostei do que vi e recomendo darem uma olhada, pode abrir os olhos de muitos para o que anda acontecendo em nosso mundo, com fatos para sustentar.
Bom, depois do filme foi quando eu confirmei que o cara de camisa laranja tava realmente querendo se mandar do lugar e chutar todo mundo da sala. Algumas vezes ele cortou o Mike, não deixando ele terminar de falar; quando ele foi fazer uma pergunta, assumiu que todo mundo da sala compartilhava a visão dele (e recebeu uns uivos por causa disso); e ainda cortava algumas pessoas que não falavam inglês fluentemente, apressando elas. Isso que tinham umas 20 ou 30 pessoas no máximo por lá, imagine se fosse realmente num auditorio com 100 ou 200.
Foram umas 10 perguntas feitas pro Mike, eu acho, e inclusive perguntei pra ele se havia ouvido falar do Movimento Zeitgeist e, se sim, o que achava dele. Me impressionei que ele pareceu se empolgar até quando ouviu sobre o Zeitgeist, dizendo que achava o movimento válido e que já havia se encontrado com o Peter Joseph, e avisou pra ele que a idéia, apesar de boa, estava sendo otimista. Que o que achávamos que teríamos anos para fazer, na verdade eram meses. Mais algumas perguntas foram feitas para ele em relação à teorias da conspiração, e ele chegou a dizer que poderíamos ter certeza das previsões dele quando os Estados Unidos colocassem o exército em massa na borda com o México até o final do ano.
Bom, agora é esperar pra ver e, pra quem acha que ele está certo, se preparar. O vídeo das perguntas e respostas ainda não foi liberado na internet, até onde eu pesquisei, mas assim que sair, eu coloco ele aqui.
:-)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ainda somos humanos!

Esses dias tava num debate com uns amigos, em uma lista em que participo quando, depois de muitos emails trocados, tive que levar um puxão de orelha de um camarada. Tinha perdido completamente o foco sobre a mudança de mentalidade, e estava dando enfâse somente nas possibilidades e capacidade do que pode ser feito com a tecnologia. Isso me fez colocar os pés no chão novamente, pois estava tão hipnotizado pelo destino que já estava esquecendo da viagem, e me fez notar o quanto é fácil voltarmos para velhos hábitos sem nem ao menos perceber.
Achei o acontecimento muito interessante por vários motivos. Um deles foi pra me fazer acordar, me mostrar que, por mais que eu ache que tenha todas as respostas, não só não tenho, como algumas das que eu tenho são baseadas em áreas que eu não tenho tanta experiência assim. Muitos iriam ver isto como um banho de água fria, mas para mim, acho que só aumentou minha curiosidade em certas áreas. Fiquei envergonhado no começo, mas logo notei que esta era uma reação baseada no que temos hoje em dia, e não no que eu tento passar para as pessoas. Não devemos ficar envergonhados com nossos erros. Devemos aprender com eles, pois somente assim cresceremos. E quem não comete erros nesse mundo?
Ao notar que não precisava ficar envergonhado pelo erro que cometi, compreendi outro ponto que fiquei dando risadas sozinho. Mesmo debatendo certos pontos de vista que eu tinha, foi um dos que me criticam que me mostrou como eu estava saindo do meu caminho. Isso me deu mais esperanças no que faço, pois se alguém que critica mostrou que eu estava errado, isto que dizer que ele entendeu meu ponto. Se não todo, ao menos uma pequena parte, suficiente pra me manter no caminho e me levar a outro ponto.
Alguém me ajudando a melhorar minhas ideias só me mostrou mais ainda o porque eu estou fazendo este blog, e que existe muita luz no fim do tunel. É justamente esse clima de cooperação e união que estou tentando passar, e apesar de existirem aqueles que não veem isso, não vou perder minhas forças. Se chegamos na realidade que estamos hoje, foi porque cavamos nossa cova juntos.
Acho que nada mais certo do que acharmos juntos a saída dela, vocês não acham?

quinta-feira, 25 de março de 2010

Money, what it is good for? 2

O próximo ponto que eu vejo como falho na teoria do capitalismo é o de que ele promove a competição, e não a união. Competição é ótimo de se ver no esporte, mas não em nosso dia-a-dia. Afinal, o que é mais produtivo para a sociedade como um todo: ter um grupo grande de pessoas compartilhando informações e tendo objetivos comuns (desenvolvimento, por exemplo), ou ter pequenos grupos que propositalmente escondem dados uns dos outros para alcançar seu próprio objetivo (lucro, no caso)?
Se o clima de competição fosse deixado nas quadras, pistas e campos, nossa vida social não precisaria de um artifício como o dinheiro. Nossa definição de emprego e trabalho seriam diferentes, assim como a de lazer e de relacionamentos. Muitos das barreiras que separam nossa sociedade deixariam de existir e, como consequência, muitos dos problemas criados por elas também sumiriam da nossa convivência. Violência causada como resultado de desemprego seria um dos problemas que não veríamos mais, assim como veríamos o final da fome no mundo. Sim, já parou pra pensar nisso? Mortes por fome não são causadas por falta de recurso, mas sim por falta de dinheiro. E dar dinheiro para eles não resolve o problema, pois dai estaremos criando o mesmo problema em outro lugar, pois no capitalismo, para um ganhar, outros necessariamente tem que perder.
Ao longo da vida, aprendemos que devemos crescer e nos tornarmos melhores, mas qualquer análise mais profunda sobre como estamos vivendo atualmente mostra uma mentalidade de crianças mimadas que não querem abrir mão de certo brinquedos. E muitas vezes nem notamos que a bugiganga que gardamos tão preciosamente pode ser feita de urânio ou outro material radioativo, que vai nos matando aos poucos. Mas ainda existem mais problemas com o capitalismo. Um deles ouvimos falar diariamente, e nunca atribuímos o problema à causa, pois nunca nos passou pela cabeça que a raiz do problema é algo fora de nós, mas que também nos acompanha a milênios.
Muitos colocam a culpa da corrupção na “natureza humana”, mas somos tão inocentes que achamos que ao criar um sociedade voltada para o lucro, algo desse tipo não aconteceria? Como eu disse antes, a moral e os bons costumes ficam em segundo plano quando o que temos como principal ferramenta de sobrevivência é o lucro. Afinal, aprendemos desde a escola que precisamos tirar notas boas, custe o que custar, pois senão somos vistos como fracassos na sociedade. Pessoas de vida mais humilde, seja por falta de oportunidades, seja por escolha própria (sim, elas existem), são tratadas na maioria dos casos como se fossem menos do que as de classes mais altas, sendo que contribuem para a sociedade tanto quanto.
Mas acho que enquanto ainda nos vermos como brasileiros, ingleses, argentinos, católicos, muçulmanos, judeus, gremistas, colorados, paulistas, gaúchos, mineiros, negros e brancos, e não como humanos, o dinheiro ainda vai continuar por ai. Reinando sobre nossas vidas, trazendo o que temos de pior a tona.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Money, what it is good for?

Imagino que algumas pessoas devem se perguntar do porquê da minha aversão ao capitalismo, e por terem suas desconfianças (quem não tem), fazem um pré-julgamento sem nem se darem ao trabalho de analisarem o assunto. Eu acho irônico que certas coisas são tão obvias, todo mundo sabe e mesmo assim, ninguém se da conta. Eh mais ou menos como tomar água engarrafada: tínhamos a impressão de que era o produto mais puro do mundo, até descobrir que a maioria sai da torneira enferrujada da empresa, e não dos alpes suíços, ou das montanhas rochosas do Canadá, ou ainda do orvalho colhido no meio da Amazônia.
Assim foi comigo e o capitalismo. Existia um época em que eu via como a solução para o mundo, até que resolvi dar uma estudada sobre o assunto. Algumas conclusões eu cheguei por mim mesmo, outras foram mostradas mais claramente por outros, mas todas apareceram somente porque eu comecei a fazer perguntas. E pra começar, nada melhor do que seguir a lógica e descobrir de onde vem o dinheiro.
Eu poderia escrever um post ou dois sobre a história do dinheiro, como ele começou com trocas, passou por conchas, cobre, ouro e prata, até chegar ao papel que conhecemos hoje e o cartão, a forma do dinheiro do futuro. Mas pra não fazer outro post que raríssimos vão ler, se alguém, vou encurtar a história e partir da nossa sociedade atual. De onde vem o dinheiro que usamos no nosso dia-a-dia?
Bom, pra quem gosta de capitalismo e democracia, acho que a primeira notícia ruim é de que o dinheiro vem de uma instituição controlada pelo governo e ela tem o monopólio da função de criar dinheiro. Sim, o termo está certo: criar. Quando o Estado precisa de uns pilas, ele pede pro Banco Central que faz um empréstimo pro governo. Quem já fez um empréstimo já sabe o que acontece: tu compromete alguma coisa valiosa pra ti (alguém arrisca o que o Estado tem de valor?), e o banco (ou agiota) te dá o dinheiro. Aí já começou o que pra mim foi um problema: o que o Estado pode prometer pro banco como garantia de que não vai dar calote? Terra? Cidadãos? Taxas? Seja o que for, já comecei a ficar com o nariz torcido desde esse momento.
Mas daí veio aquela que pra mim, é a pior parte: quando o banco (ou agiota) emprestam a grana, tem algo que complica tudo: juros. Deixa eu explicar de outro jeito, se alguém ainda não sacou. O banco empresta um valor X pro Estado (digamos 1 bilhão), mas o Estado precisa devolver pro banco X + juros (1 bilhão mais o que o banco cobrar de juros). Se o Banco Central é a ÚNICA instituição que fornece grana, de onde vai sair os pilas pra pagar os juros? Quem chutou "Banco Central" pode se dar um tapinha nas costas. Pra quem não pegou a gravidade da situação ainda, isso quer dizer que não importa quantos milênios trabalhemos, quantos empréstimos façamos, quantas invenções mirabolantes criamos, quantas leis estapafúrdias impormos: a dívida do governo nunca vai ser paga em sua totalidade. Se devolvêssemos, nesse momento, todo o dinheiro em circulação para o Banco Central, ainda assim iria faltar a parte dos juros.
Este para mim, já é motivo suficiente para desacreditar no sistema. Se ainda precisam mais de motivos, vamos voltar as aulas básicas de economia. O caso da procura e demanda é o mais clássico, pois ele promove a escassez dos recursos. Em outras palavras, é interessante para as indústrias criarem a impressão de que não existe matéria-prima suficiente, pois isto aumenta o preço do produto. Isto também quer dizer que não é do interesse delas acharem soluções permanentes para nenhum dos problemas que temos, pois se acharem, não tem mais retorno dos clientes.
Pra quem acha que eu estou ficando louco, só fazerem uma pesquisa básica: quando foi a última vez que erradicamos uma doença completamente? E quantos remédios foram criados nesse meio tempo? Outro ponto em que se pode ver isto é a causa ambiental. Aquecimento global a parte, não é do interesse das indústrias reciclarem ou se preocuparem com o ambiente, pois isto custa caro. E além de custar caro, cuidar do ambiente diminui a chance de termos problemas. Pra quem não se tocou ainda, menos problemas na sociedade significa menos oportunidades de lucro.
E por falar nisso, tendo o lucro como objetivo principal de nossas vidas tira o foco de outros pontos mais importantes que deveríamos prestar mais atenção, como família, por exemplo. Mesmo para aqueles que não tem filhos, ou até mesmo pais, se relacionar com outras pessoas sem ter a barreira do dinheiro no meio seria muito mais saudável e uma coisa a menos para se preocupar. Poderíamos dar outro sentido para nossas vidas, nos apaixonar mais facilmente pelo que fazemos, ter mais possibilidades ao nosso alcance e viver mais felizes e despreocupados.
Como esse post já está ficando meio grande, continuo em outra oportunidade.
:-)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Saindo do domo

A última vez que eu olhei o filme "A vida de Truman" (The Truman Show, 1998), posso dizer que ainda estava agindo como o personagem principal, no começo do filme.  Hoje de noite estava passando novamente e resolvi matar a saudade e a curiosidade, ver o filme sob outra perspectiva.  Realmente, quando se sai do domo, é bem difícil de voltar para o que se estava acostumado.
Posso comparar com crescer: enquanto somos crianças, nos acostumamos a brincar inocentemente, com brinquedos que nossos pais provêm. Em alguns poucos casos, conseguimos exigir algo diferente e especial, mas continuamos na mesma temática. Quando chegamos a adolescência, os brinquedos da infância já não tem tanta graça, e nos acostumamos com outros mais "adultos", mas que em alguns casos ainda seguem a mesma idéia. Brincar de carrinho, por exemplo, se torna um objeto de obsessão na vida adulta de alguns. Outros, no entanto, conseguem crescer além dos padrões estipulados na infância.
Esses são aqueles que descobrem que a realidade que vivemos nada mais é do que um domo, uma matrix se preferirem, construído por nossos ancestrais inconscientemente, de forma sempre a nos dar o que eles não tiveram a oportunidade de ter. Por conta disso, muitos ainda tem os mesmos maneirismos e tradições de milhares de anos atrás. Enquanto alguns veêm isso como uma forma de manter a memória do que foi um dia, eu vejo como uma âncora que nos prende em um porto, impedindo-nos de navegar e desbravar outros mares.
Enquanto muitos vão lembrar de festas juninas, carnavais, natais e outras festividades que animam nossos espíritos em algumas ocasiões durante o ano, irão ao mesmo tempo se esquecer completamente de outras que estão em nossos dia-a-dia. Algumas são mais antigas, como nosso sistema de trocas, outras mais recentes, como empregos de horário fixo, mas todas estas estão criando barreiras para que possamos nos desenvolver ainda mais, ou estão entrando em conflito com a realidade  que estamos vivenciando atualmente.
Meu maior exemplo é o dinheiro. Desde tempos imemoriais, ele está com o ser humano. Talvez tenha aparecido como uma forma rudimentar de comunicação (troca de presentes), talvez como um método de sobrevivência em épocas de escassez e desconfiança. Qualquer que tenha sido o motivo, ele foi criado em uma época que não conheciamos a extensão do planeta, nem sabiamos o que esperar de nossos vizinhos. E por mantermos ele em nosso meio, mantemos o clima de escassez e desconfiança que tivemos no passado, mesmo agora sabendo que não é verdade.
 Quando vi o filme de Truman, fiquei me perguntando se viesse uma voz dos céus e falasse para cada um que vivemos em um mundo de faz de contas, se seríamos capazes de passar pela porta e sair do domo, ou se iríamos ficar dentro dele, por comodidade e segurança. Enquanto alguns leitores devem estar balançando a cabeça e pensando "eu ceeeeeertamente sairia do domo",  peço que pensem novamente, pois muitas foram as vozes que falaram disso no passado, e até no presente e ainda nada fizemos.
Jesus, Ghandi, Martin Luther King e Jacques Fresco são só alguns exemplos. As possibilidades por trás da porta estão ai, mas não sabemos até quando, pois o esgoto todo de dentro do domo está sendo despejado lá fora.
:-)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Governo Global?

Esse vai ser um post mais curto do que o outro, prometo. :-)
Acho que mesmo depois de somente dois posts, da pra ter uma noção de que eu não simpatizo com governos. Não é nada pessoal com presidentes, reis e primeiros ministros, e também não é porque eu sou partidário e meu "oponente" está no poder. Os motivos vão além disso, e se alguem já olhou o Zeitgeist, vão descobrir com o tempo que eu compartilho de muitas das idéias apresentadas por eles. Não concordo com todas elas, mas acho que tem muito mais fundamentos do que alguns pensam. Quem quiser ver alguns comentários contra a teoria do Zeitgeist, pode começar com esses. Acho bom ter todos os pontos de vista possíveis para poder aprender a tomar uma decisão própria.
Mas voltando ao assunto dos governos: se eu já acho ruim ver um país sendo controlado por um governo, imagine meu sentimento quando o assunto é um governo global. Muitos podem achar besteira, mas Gordon Brown (primeiro ministro inglês), ja deixou claro que está tentando criar um governo global em ao menos dois episódios: uma palestra no TED e durante o inqueríto sobre a guerra no Iraque. Isso sem falar no presidente do banco mundial confirmando e até mesmo o Centro para Pesquisas sobre Globalização está vendo a possibilidade do acontecimento.
Apesar de muitos não acharem, ter um governo global não vai trazer mais vantagens, bem pelo contrário. Primeiro, para ele se tornar realidade, a maioria das nações do mundo precisam se tornar democracias. E por mais que aplaudam esta ideologia, invadir um país para força-la sobre um povo é exatamente o que Hitler fez na Segunda Guerra, e até onde eu me lembro, poucos foram os que concordaram com ele. Teríamos mudado tanto assim nas últimas décadas que agora não só olhamos para o outro lado quando a atrocidade se repete, mas alguns até batem palmas e justificam como sendo necessária?
Outro ponto que me incomoda profundamente é sobre a validade deste governo global. Num mundo capitalista, onde o objetivo principal da sociedade é o enriquecimento, quem estaria realmente no poder? As marionetes pré-selecionadas que nos são apresentadas como opções, ou alguma mão que não vemos, mas que mexe os fios por trás?
Sim, são idéias conspiratórias, mas não são todas as teorias contrárias à cultura corrente? Vejam o caso de Darwin e Galileo por exemplo. As idéias deles pareciam absurdas quando foram tornadas públicas no começo, mas hoje em dia aceitamos e compreendemos melhor o que diziam, ao ponto de idéias contrárias às deles serem desconsideradas em alguns casos.
Em outro post eu dou os meus 6 principais pontos que eu tenho contra governos. Esse já ta de bom tamanho.
:-)

quinta-feira, 4 de março de 2010

David Cameron no TED

Eu ia fazer esse segundo post sobre certos programas de televisao que vi, mas apareceu outro assunto que achei mais prioritário. Tudo começou quando minha namorada me falou sobre uma palestra que o David Cameron deu pro TED. Pra quem não sabe, TED (Technology, Entertainment, Design) é um organização sem fins lucrativos que distribui palestras sobre os mais diversos assuntos (não somente sobre tecnologia, entretenimento e design, como o nome sugere). Muitos nomes conhecidos já apareceram por lá ( Bill Clinton, Bill Gates, Jamie Oliver, Richard Dawkins, Al Gore) assim como muitos que poucos além das próprias familias já ouviram falar. :-) A idéia do TED é uma que tenho simpatizado desde o começo: Ideas Worth Spreading (Idéias que valem a pena espalhar), e já tenho o site deles não só no bookmark do meu micro, mas da minha cabeça também, pois é um ótimo ponto de referência. Mas como nada é perfeito, ainda mais em se tratando das criações humanas, tem algumas palestras que fazem disparar um alarme interno. Ainda mais quando mudanças são propostas com o propósito de deixar tudo na mesma, que foi exatamente isto que senti quando vi as idéias exposta pelo David Cameron.
Como vou comentar a palestra dele, se quiserem olhar o vídeo antes de continuarem lendo para tirarem suas próprias conclusões sem serem influenciados por minhas palavras carregadas, eu recomendo extremamente. E fico grato se voltarem aqui para deixarem opiniões sobre o video, e sobre meus comentarios. :-)

Pra começar, o nome da palestra é The next age of government (A próxima era do governo). Pra alguém que propõe mudanças, progresso e evolução, se manter em um sistema adotado desde o tempo das cavernas não me parece atingir nenhum desses objetivos. Só ao observar o nome, já pode-se notar que ele propõe uma mudança na carroceria, não no motor. Ainda vamos estar rodando com diesel, poluindo e destruindo o ambiente, enquanto tiramos a carrenagem de um fusca e colocamos de uma BMW. E diziam que os índios eram ingênuos quando chegaram os invasores.
Logo após quebrar o gelo com umas piadas, ele mostra um numero enorme na tela (32 Trilhoes de dolares), que é o débito público global. E daí ele faz uma coisa esperta, mas que poucas pessoas notam: ele leva o assunto para o lado da falta de dinheiro global, e de como politícos podem usar menos dinheiro pra melhorarem as coisas. Eu digo que ele fez algo engenhoso por um simples motivo: depois de assustar o público com aquele numero assombroso, ele da foco em como se pode diminuir ele com o menor impacto no servico prestado para o publico. Oras, ao meu ver isto é tratar a consequência, não a causa. Porque ele não explica como todo esse débito foi adquirido? Ou quem deixou o número chegar nesse nivel alarmante? Talvez por ter sido os proprios governos, um dos quais ele tenta ser parte a algum tempo? Espero que você, leitor, não imagine que o débito de cada pessoa entra nesse montante, certo? Muitas pessoas acham que por se dizer que é público, é de todas as pessoas, mas nessas contas não entram dividas de cartão de crédito pessoal, conta pessoal negativa em banco ou dívidas entre amigos. Não, o público no débito público diz respeito ao governo. E só. Se não entenderam muito bem, aqui tem uma explicação mais elaborada tirada do filme Zeitgeist.
Bom, depois dessa desviada de foco, ele continua, dizendo que se usarmos dinheiro para medirmos nossa qualidade de vida, ou até mesmo a situação do pais, vamos estar fazendo um serviço mediocre, pois nossa vida é muito mais do que um numero. Por mais que eu concorde com ele sobre este ponto, me doí ver alguém usando este argumento para justificar a necessidade de se ter governo. Ainda mais quando ,novamente, de forma engenhosa, ele mostra um logo de "Power to People" (Poder para Pessoas). Ora, se a idéia dele é de dar poder para as pessoas, para que precisariamos de um governo? Ele fala de reforma da política e do governo, mas em nenhum momento ele sequer cogita o abandono da forma piramidal de sociedade que estamos vivendo. Se é para manter a forma de senhores/escravos, então para que fazer outra reforma? Para mascarar por mais 300 ou 500 anos que continuamos aprisionados em correntes? Porque não se iludam, o que estamos vivendo em nosso dia a dia é uma forma de escravidão. So porque não temos correntes e relhos fisicos batendo em nossas costas, não quer dizer que estejamos livres. Quantos não se sentiram assim por vez ou outra ao longo de suas vidas? E qual a solução que esta constantemente nos bombardeando quando o assunto é abordado? Tudo sempre foi assim e sempre será, é mais facil se acomodar e aceitar do que tentar mudar a sociedade. Meio conveniente, não?
Uma das armas que ele sugere para dar poder as pessoas é algo que eu também aplaudo de pé: passar informações. Por enquanto ele ainda esta na sugestão, o que me pegou de surpresa ate, mas mais pra frente ele logo da a pisada na jaca que eu devo confessar que estava esperando. Mas continuando com o que ele fala, logo ele mostra junto com o logo do Poder para Pessoas, outro de "Understanding of People" (Compreendendo as pessoas). E dai é onde eu dou uma gargalhada, pois a primeira coisa que ele faz é admitir que o governo até o presente momento tenta modificar as pessoas para o que querem, ao inves de se adaptarem para entenderem cada um.
Curiosamente, por falar que agora os políticos estao comecando a mudar sua visão parece tornar tudo bem, pois isto tira o foco do fato, que ainda acontece apesar do plano ser diferente para o futuro. Ou seja, ainda somos regidos por leis de pessoas que veêm o diferente como errado, e apesar da idéia ser mudar no futuro, nada esta sendo feito agora: leis não estão sendo revistas, pessoas aprisionadas por leis incoerentes não estão sendo soltas e por ai vai. E não sei porque, algo me diz que quando essas pessoas com visões diferentes subirem ao poder, essas revisões e perdões misteriosamente tambem não vão acontecer sem um empurrão massivo do publico, o que quer dizer que neste ponto não existira uma real mudanca.
Ele segue, então, dizendo que agora é o momento ideal para acontecer essa mudança, e se dispõe a dar uma rápida aula de historia para explicar o porque. Nessa aulinha de história, ele separa nossa civilização em 3 períodos: pré-burocrático (goveno local, ou em cidades), burocrático (governo central ou em países) e pós-burocrático (governo das pessoas ou...;-)). Ao dizer que estamos vivendo em um momento pós-burocrático, ele faz o ponto dele de que as pessoas estao mais conectadas e da exemplos de que governos podem ser derrubados com o teclar num celular, coisa que era impossível no passado. Ao ver esse pedaço, foi onde notei o quão persuasivos são os governantes e o quanto precisamos aprender a pensar por nos mesmos para não cair em arapucas.
Alguém mais notou que as 2 primeiras partes da separação da civilização que ele fez fazem referência aos governo, e a terceira (que ele propõe ser o futuro) é referente as pessoas como um todo, como uma comunidade, como uma sociedade, mas sem definir o limite? É impressão minha ou ele evitou a todo custo falar de um unico governo global? Ele deu enfâse que o poder vai ir para as mãos do publico, mas em nenhum momento ele diz que não vai ter um governo por trás disso tudo. Pelo contrário, ele segue dando exemplos de como o governo foi "melhorando" com o tempo, consertando os "problemas" da sociedade. E novamente ele diz que, apesar do resto da sociedade ter acompanhado a revolução da informação, o governo esta atrás. Não sei pra vocês, mas isso pra mim é um tiro no pé, pois como ele pode garantir que uma estrutura grande e pesada como essa vai se tornar robusta depois de mais de 3.000 anos sem sucesso? Segundo ele, existem 3 maneiras de governos se atualizarem e dar "realmente" poder para pessoas: transparência, escolhas e prestação de contas.
Em transparência, o foco fica em tornar os gastos do governo mais acessíveis. O exemplo que ele pega é do Missouri, onde o governo criou uma página na Internet para mostrar todos os gastos que está tendo. Ele segue prometendo que se o partido dele ganhar na Inglaterra, vão criar uma página parecida onde todo gasto acima de 25.000 libras serão mostrados. Não é curioso que pra um cara que ta falando de transparência, logo na primeira promessa tem uma exceção? Porque 25.000? E porque só os gastos? Será que ele acha que não é de interesse do publico saber quanto o governo está arrecadando também? Será que a margem é 25.000 pra não acontecer mais nenhum escandalo de gastos, já que o partido dele tambem foi atingido? E sera que quando colocarem os contratos que o governo faz com empresas, irão colocar tambem o nome dos donos e acionistas delas? Ou será que isso é transparente demais?
Em escolhas, não sei se foi impressão minha, mas pareceu muito com transparência. Ele falou de todas as informações que vão estar disponíveis sobre os serviços prestados pelo governo, mas onde esta a diferença nas escolhas, ja que os serviços continuarão os mesmos? Não notei ele falando nenhuma vez que vai haver alguma mudança nos servicos oferecidos, apenas nas informações que serão distribuidas. Um exemplo é: se o governo oferece dois ou três tipos de tratamento para uma doença, com o que ele sugere, tu vais poder saber onde eles são melhor aplicados, não que possam existir outras quatro ou cinco outras formas. Mostrar melhor o que esta sendo feito não aumenta a gama de opções, se elas são restritas por leis ou regulamentos.
Na prestação de contas, o exemplo que ele mostrou é de Chicago, onde a polícia tem um mapa online mostrando as áreas afetadas por crimes. Dai ele sugere que as pessoas vão atrás desse mapa e cobrem da polícia uma resolução para os problemas. Fiquei me perguntando: De que adianta o público correr atrás da polícia, se quem distribui os recursos para eles é justamente o governo? Ele não deveria sugerir que cobrassemos mais dos governantes? Afinal, quem recebe o dinheiro dos impostos e decide como vão ser gastos são exatamente eles. E isso é outra coisa: esse sendo o trabalho deles, pra que precisamos de governantes se estes nos dizem que precisamos agir mais? E porque raios ele não mostrou o mapa da polícia de Londres?
Depois desses três topicos foi quando eu lembrei que ele tinha falado de espalhar a informação lá no começo. E daí tive que pausar e olhar novamente esse pedaço. E mesmo olhando mais de uma vez, não encontrei em nenhum momento nenhuma explicação de onde usar efetivamente as informacoes restritas que ele promete liberar. Sem dar informações suficientes, como ele espera que iremos agir? E quando formos agir, baseados em informações incompletas, que tipo de diferença fará? De que adianta ir até uma estacão policial e cobrar mais fardas nas ruas, como ele sugere, se quem controla gastos é o governo? Não estaremos criando somente mais confusão e stress, principalmente praqueles que tem como função nos ajudarem? O mesmo se aplica aos hospitais e médicos, bombeiros e até transporte. De que adianta ficarmos contra eles, enchendo seu saco, se quem controla o dinheiro é o governo?
Enfim, logo após ele volta a falar sobre "entender as pessoas", onde o primeiro exemplo é como tornar as pessoas mais eficientes no consumo de energia. A tela mostra uma conta onde mostra o quanto a pessoa gasta comparado com a comunidade ao redor dela e o ideal. É uma forma interessante de se usar competição para conseguir isto, mas como vai influenciar aqueles que não são mais crianças? Será que eles vão realmente se importar de serem comparados com os amiguinhos ao redor da quadra? Também acho que precisamos diminuir o consumo (não só de energia, mas de tudo que é material), mas acho que precisamos de conscientização, não de comparação. Porque se formos comparar, porque não nos comparar com animais irracionais, pois eles também tem lideres e governantes...
E dai acontece o que me fez praticamente cair da cadeira. Em uma única frase, ele FAZ a comparação de burros de carga e anula tudo o que ele falou ate então. Citando-o "All the proof from America is, actually, if you pay people to recycle, if you give them a carrot rather than a stick, you can transform their behavior.". Pra quem não entendeu, deixem eu colocar meus 2 pontos:
Primeiro: ele sugere pagar as pessoas pra mudarem seu comportamento. Ora, todo o discurso dele não comecou exatamente porque a dívida do governo é grande e ele ia apresentar respostas sem gastar muito mais dinheiro? Quanto ele imagina que vai ser pago, ou pra quantas pessoas, que não vá afetar os cofres públicos? Se for a quantia baixa que ele deve imaginar, será que irá realmente fazer a diferenca que ele quer em reciclagem? Eu imagino que muitos não vão se prestar a ir para um centro de reciclagem se forem gastar mais com combustível do que receber por la...
Segundo: "if you give them a carrot rather than a stick" (se der para eles cenouras ao invês de varinhas). Não sei para vocês, mas isso para mim é uma alusão a um animal de carga, que ao ter empacado depois de ter seu lombo surrado por uma varinha de marmelo, agora é oferecido uma cenoura para talvez continuar o servico. E antes que alguém chegue e me diga que pode ter sido apenas uma expressão, eu quero lembrar que os discursos feitos por politicos passam pelas mãos de um time, que corrigem e alteram de uma forma que atinja mais o publico. Eu não tenho mais a ilusão de que isso não foi um sarcasmo, e vocês?
A conclusão começa com uma citação da famosa frase de JFK "Ask not what your country can do for you; but what can you do for your country" (Não pergunte o que seu pais pode fazer por você, mas o que voce pode fazer pelo seu país). Embora eu respeite JFK, acho que essa frase ficaria mil vezes melhor se no lugar de "país" fosse colocado "mundo". E por mais que passe um sentimento nobre, como o David sugere, eu acho que isso é um lema de escravos felizes, não de pessoas livres.
Sobre o discurso do Robert Kennedy, eu só trocaria o GDP (PIB) por dinheiro em geral. Ainda mais quando o David finaliza dizendo que a idéia de 40 anos atrás ficaria mais fácil de ser realizada se combinarmos o que temos hoje (informações) para dar poder para as pessoas. Curioso que não se fala de abolir o dinheiro, justamente o maior separador de classes do mundo, não?
:-)