O próximo ponto que eu vejo como falho na teoria do capitalismo é o de que ele promove a competição, e não a união. Competição é ótimo de se ver no esporte, mas não em nosso dia-a-dia. Afinal, o que é mais produtivo para a sociedade como um todo: ter um grupo grande de pessoas compartilhando informações e tendo objetivos comuns (desenvolvimento, por exemplo), ou ter pequenos grupos que propositalmente escondem dados uns dos outros para alcançar seu próprio objetivo (lucro, no caso)?
Se o clima de competição fosse deixado nas quadras, pistas e campos, nossa vida social não precisaria de um artifício como o dinheiro. Nossa definição de emprego e trabalho seriam diferentes, assim como a de lazer e de relacionamentos. Muitos das barreiras que separam nossa sociedade deixariam de existir e, como consequência, muitos dos problemas criados por elas também sumiriam da nossa convivência. Violência causada como resultado de desemprego seria um dos problemas que não veríamos mais, assim como veríamos o final da fome no mundo. Sim, já parou pra pensar nisso? Mortes por fome não são causadas por falta de recurso, mas sim por falta de dinheiro. E dar dinheiro para eles não resolve o problema, pois dai estaremos criando o mesmo problema em outro lugar, pois no capitalismo, para um ganhar, outros necessariamente tem que perder.
Ao longo da vida, aprendemos que devemos crescer e nos tornarmos melhores, mas qualquer análise mais profunda sobre como estamos vivendo atualmente mostra uma mentalidade de crianças mimadas que não querem abrir mão de certo brinquedos. E muitas vezes nem notamos que a bugiganga que gardamos tão preciosamente pode ser feita de urânio ou outro material radioativo, que vai nos matando aos poucos. Mas ainda existem mais problemas com o capitalismo. Um deles ouvimos falar diariamente, e nunca atribuímos o problema à causa, pois nunca nos passou pela cabeça que a raiz do problema é algo fora de nós, mas que também nos acompanha a milênios.
Muitos colocam a culpa da corrupção na “natureza humana”, mas somos tão inocentes que achamos que ao criar um sociedade voltada para o lucro, algo desse tipo não aconteceria? Como eu disse antes, a moral e os bons costumes ficam em segundo plano quando o que temos como principal ferramenta de sobrevivência é o lucro. Afinal, aprendemos desde a escola que precisamos tirar notas boas, custe o que custar, pois senão somos vistos como fracassos na sociedade. Pessoas de vida mais humilde, seja por falta de oportunidades, seja por escolha própria (sim, elas existem), são tratadas na maioria dos casos como se fossem menos do que as de classes mais altas, sendo que contribuem para a sociedade tanto quanto.
Mas acho que enquanto ainda nos vermos como brasileiros, ingleses, argentinos, católicos, muçulmanos, judeus, gremistas, colorados, paulistas, gaúchos, mineiros, negros e brancos, e não como humanos, o dinheiro ainda vai continuar por ai. Reinando sobre nossas vidas, trazendo o que temos de pior a tona.

Nenhum comentário:
Postar um comentário