Imagino que algumas pessoas devem se perguntar do porquê da minha aversão ao capitalismo, e por terem suas desconfianças (quem não tem), fazem um pré-julgamento sem nem se darem ao trabalho de analisarem o assunto. Eu acho irônico que certas coisas são tão obvias, todo mundo sabe e mesmo assim, ninguém se da conta. Eh mais ou menos como tomar água engarrafada: tínhamos a impressão de que era o produto mais puro do mundo, até descobrir que a maioria sai da torneira enferrujada da empresa, e não dos alpes suíços, ou das montanhas rochosas do Canadá, ou ainda do orvalho colhido no meio da Amazônia.
Assim foi comigo e o capitalismo. Existia um época em que eu via como a solução para o mundo, até que resolvi dar uma estudada sobre o assunto. Algumas conclusões eu cheguei por mim mesmo, outras foram mostradas mais claramente por outros, mas todas apareceram somente porque eu comecei a fazer perguntas. E pra começar, nada melhor do que seguir a lógica e descobrir de onde vem o dinheiro.
Eu poderia escrever um post ou dois sobre a história do dinheiro, como ele começou com trocas, passou por conchas, cobre, ouro e prata, até chegar ao papel que conhecemos hoje e o cartão, a forma do dinheiro do futuro. Mas pra não fazer outro post que raríssimos vão ler, se alguém, vou encurtar a história e partir da nossa sociedade atual. De onde vem o dinheiro que usamos no nosso dia-a-dia?
Bom, pra quem gosta de capitalismo e democracia, acho que a primeira notícia ruim é de que o dinheiro vem de uma instituição controlada pelo governo e ela tem o monopólio da função de criar dinheiro. Sim, o termo está certo: criar. Quando o Estado precisa de uns pilas, ele pede pro Banco Central que faz um empréstimo pro governo. Quem já fez um empréstimo já sabe o que acontece: tu compromete alguma coisa valiosa pra ti (alguém arrisca o que o Estado tem de valor?), e o banco (ou agiota) te dá o dinheiro. Aí já começou o que pra mim foi um problema: o que o Estado pode prometer pro banco como garantia de que não vai dar calote? Terra? Cidadãos? Taxas? Seja o que for, já comecei a ficar com o nariz torcido desde esse momento.
Mas daí veio aquela que pra mim, é a pior parte: quando o banco (ou agiota) emprestam a grana, tem algo que complica tudo: juros. Deixa eu explicar de outro jeito, se alguém ainda não sacou. O banco empresta um valor X pro Estado (digamos 1 bilhão), mas o Estado precisa devolver pro banco X + juros (1 bilhão mais o que o banco cobrar de juros). Se o Banco Central é a ÚNICA instituição que fornece grana, de onde vai sair os pilas pra pagar os juros? Quem chutou "Banco Central" pode se dar um tapinha nas costas. Pra quem não pegou a gravidade da situação ainda, isso quer dizer que não importa quantos milênios trabalhemos, quantos empréstimos façamos, quantas invenções mirabolantes criamos, quantas leis estapafúrdias impormos: a dívida do governo nunca vai ser paga em sua totalidade. Se devolvêssemos, nesse momento, todo o dinheiro em circulação para o Banco Central, ainda assim iria faltar a parte dos juros.
Este para mim, já é motivo suficiente para desacreditar no sistema. Se ainda precisam mais de motivos, vamos voltar as aulas básicas de economia. O caso da procura e demanda é o mais clássico, pois ele promove a escassez dos recursos. Em outras palavras, é interessante para as indústrias criarem a impressão de que não existe matéria-prima suficiente, pois isto aumenta o preço do produto. Isto também quer dizer que não é do interesse delas acharem soluções permanentes para nenhum dos problemas que temos, pois se acharem, não tem mais retorno dos clientes.
Pra quem acha que eu estou ficando louco, só fazerem uma pesquisa básica: quando foi a última vez que erradicamos uma doença completamente? E quantos remédios foram criados nesse meio tempo? Outro ponto em que se pode ver isto é a causa ambiental. Aquecimento global a parte, não é do interesse das indústrias reciclarem ou se preocuparem com o ambiente, pois isto custa caro. E além de custar caro, cuidar do ambiente diminui a chance de termos problemas. Pra quem não se tocou ainda, menos problemas na sociedade significa menos oportunidades de lucro.
E por falar nisso, tendo o lucro como objetivo principal de nossas vidas tira o foco de outros pontos mais importantes que deveríamos prestar mais atenção, como família, por exemplo. Mesmo para aqueles que não tem filhos, ou até mesmo pais, se relacionar com outras pessoas sem ter a barreira do dinheiro no meio seria muito mais saudável e uma coisa a menos para se preocupar. Poderíamos dar outro sentido para nossas vidas, nos apaixonar mais facilmente pelo que fazemos, ter mais possibilidades ao nosso alcance e viver mais felizes e despreocupados.
Como esse post já está ficando meio grande, continuo em outra oportunidade.
:-)

Nenhum comentário:
Postar um comentário