A última vez que eu olhei o filme "A vida de Truman" (The Truman Show, 1998), posso dizer que ainda estava agindo como o personagem principal, no começo do filme. Hoje de noite estava passando novamente e resolvi matar a saudade e a curiosidade, ver o filme sob outra perspectiva. Realmente, quando se sai do domo, é bem difícil de voltar para o que se estava acostumado.
Posso comparar com crescer: enquanto somos crianças, nos acostumamos a brincar inocentemente, com brinquedos que nossos pais provêm. Em alguns poucos casos, conseguimos exigir algo diferente e especial, mas continuamos na mesma temática. Quando chegamos a adolescência, os brinquedos da infância já não tem tanta graça, e nos acostumamos com outros mais "adultos", mas que em alguns casos ainda seguem a mesma idéia. Brincar de carrinho, por exemplo, se torna um objeto de obsessão na vida adulta de alguns. Outros, no entanto, conseguem crescer além dos padrões estipulados na infância.
Esses são aqueles que descobrem que a realidade que vivemos nada mais é do que um domo, uma matrix se preferirem, construído por nossos ancestrais inconscientemente, de forma sempre a nos dar o que eles não tiveram a oportunidade de ter. Por conta disso, muitos ainda tem os mesmos maneirismos e tradições de milhares de anos atrás. Enquanto alguns veêm isso como uma forma de manter a memória do que foi um dia, eu vejo como uma âncora que nos prende em um porto, impedindo-nos de navegar e desbravar outros mares.
Enquanto muitos vão lembrar de festas juninas, carnavais, natais e outras festividades que animam nossos espíritos em algumas ocasiões durante o ano, irão ao mesmo tempo se esquecer completamente de outras que estão em nossos dia-a-dia. Algumas são mais antigas, como nosso sistema de trocas, outras mais recentes, como empregos de horário fixo, mas todas estas estão criando barreiras para que possamos nos desenvolver ainda mais, ou estão entrando em conflito com a realidade que estamos vivenciando atualmente.
Meu maior exemplo é o dinheiro. Desde tempos imemoriais, ele está com o ser humano. Talvez tenha aparecido como uma forma rudimentar de comunicação (troca de presentes), talvez como um método de sobrevivência em épocas de escassez e desconfiança. Qualquer que tenha sido o motivo, ele foi criado em uma época que não conheciamos a extensão do planeta, nem sabiamos o que esperar de nossos vizinhos. E por mantermos ele em nosso meio, mantemos o clima de escassez e desconfiança que tivemos no passado, mesmo agora sabendo que não é verdade.
Quando vi o filme de Truman, fiquei me perguntando se viesse uma voz dos céus e falasse para cada um que vivemos em um mundo de faz de contas, se seríamos capazes de passar pela porta e sair do domo, ou se iríamos ficar dentro dele, por comodidade e segurança. Enquanto alguns leitores devem estar balançando a cabeça e pensando "eu ceeeeeertamente sairia do domo", peço que pensem novamente, pois muitas foram as vozes que falaram disso no passado, e até no presente e ainda nada fizemos.
Jesus, Ghandi, Martin Luther King e Jacques Fresco são só alguns exemplos. As possibilidades por trás da porta estão ai, mas não sabemos até quando, pois o esgoto todo de dentro do domo está sendo despejado lá fora.
:-)

A ideia do esgoto ficou massa...mas se me perguntasse, eu diria q estou pegando todos os recursos pra construir meu barco!
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