Esta semana postarei contos retirados do livro Histórias do dia-a-dia de Dival Buense, que ajudam a criar reflexões necessárias em nossas vidas.
Os Preciosos Três Conselhos
Um casal de jovens recém-casados era muito pobre e vivia de favor em um sítio no interior.
Um dia, o marido fez a seguinte proposta à esposa:
"Querida, eu vou sair de casa, vou viajar para bem longe, arrumar um emprego e trabalhar até ter condições para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortável.
Não sei quanto tempo vou ficar longe, só peço uma coisa, que você me espere e, enquanto estiver fora, que seja fiel a mim, pois eu serei fiel a você".
Assim sendo, o jovem saiu. Andou muitos dias a pé, até que encontrou um fazendeiro que estava precisando de alguém para ajudá-lo em sua fazenda.
O jovem ofereceu-se para trabalhar e foi aceito.
Pediu para fazer um pacto com o patrão, o que também foi aceito.
O pacto seria o seguinte:
"Deixe-me trabalhar pelo tempo que eu quiser e, quando achar que devo ir, o senhor me dispensará das minhas obrigações.
Eu não quero receber o meu salário. Por favor, peço que o senhor o coloque em uma poupança, até o dia em que for embora.
Neste dia, o senhor me dará o dinheiro e eu seguirei o meu caminho"
Tudo combinado. Aquele jovem trabalhou durante vinte anos, sem férias e sem descanso.
Depois de vinte anos, chegou para o patrão e disse:
"Patrão, eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para casa".
O patrão então lhe respondeu:
"Tudo bem, afinal fizemos um pacto e vou cumpri-lo, só que antes quero lhe fazer uma proposta. Ou lhe dou o dinheiro e você vai embora, ou lhe dou três conselhos, não lhe dou o dinheiro e você vai embora. Se eu lhe der o dinheiro, eu não lhedou os conselhos e se eu lhe der os conselhos, eu não lhe dou o dinheiro. Vá para o seu quarto, pense e depois me dê a resposta".
Ele pensou durante dois dia. Depois, procurou o patrão e disse-lhe:
"Quero os três conselhos".
O patrão novamente repetiu:
"Se eu lhe der os conselhos, não lhe dou o dinheiro".
E o empregado respondeu:
"Quero os conselhos".
O patrão então lhe falou:
- Nunca tome atalhos em sua vida; caminhos mais curtos e desconhecidos podem lhe custar muito caro.
- Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade para o mal pode ser mortal.
- Nunca tome decisões em momentos de ódio ou dor, pois você pode se arrepender e ser tarde demais.
Após dar os conselhos, o patrão disse ao rapaz, que já não era tão jovem assim:
"Aqui você tem três pães, dois para você comer durante a viagem, e o terceiro para comer com sua esposa quando chegar em casa".
O homem então seguiu seu caminho de volta, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que ele tanto amava.
Após o primeiro dia de viagem, encontrou um andarilho que o cumprimentou e lhe perguntou:
"Para onde você vai?".
Ele respondeu:
"Vou para um lugar muito distante, que fica a mais de vinte dias de caminhada por esta estrada".
O andarilho disse-lhe então:
"Rapaz, este caminho é muito longo, eu conheço um atalho que é muito mais rápido e fácil, e você chegará em poucos dias".
Contente, o rapaz começou a seguir pelo atalho, mas se lembrou do primeiro conselho. Voltou e seguiu seu caminho normal. Dias depois, soube que o atalho o levava a uma emboscada.
Depois de alguns dias de viagem, cansado ao extremo, achou uma pensão à beira da estrada, onde pôde hospedar-se.
Pagou a diária e, após tomar banho, deitou-se para dormir.
De madrugada, acordou assustado com um grito amedrontador.
Levantou-se de um salto e dirigiu-se à porta para ir ao local do barulho.
Quando estava abrindo a porta, lembrou-se do segundo conselho.
Voltou, deitou-se e dormiu.
Ao amanhecer, após tomar café, o dono da hospedagem lhe perguntou se não havia escutado um grito. Ele disse que sim.
O hospedeiro disse:
"E você não ficou curioso?". Ele disse que não. E o hospedeiro respondeu:
"Você é o primeiro hóspede a sair vivo daqui, pois meu filho tem crises de loucura; grita durante a noite e, quando o hóspede sai, mata-o e enterra-o no quintal".
O rapaz prosseguiu em sua longa jornada, ansioso para chegar à sua casa.
Passaram-se muitos dias e noites de caminhada... Já ao entardecer, viu entre as árvores a fumaça de sua casinha, andou e logo viu entre os arbustos a silhueta de sua esposa. Estava anoitecendo, mas ele pôde ver que ela não estava só.
Andou mais um pouco e viu que ela estava acompanhada de um homem, a quem estava acariciando os cabelos.
Qunado viu aquela cena, seu coração se encheu de ódio e amargura: ele decidiu correr de encontro aos dois e matá-los sem piedade.
Respirou fundo e apressou os passos, mas lembrou do terceiro conselho.
Ele parou, refletiu e decidiu dormir naquela noite por ali mesmo, e no dia seguinte tomaria uma decisão.
Ao amanhecer, já com a cabeça fria pensou:
"Não vou matar minha esposa nem o seu amante. Vou voltar para o meu patrão e pedrir que ele me aceite de volta. Só que antes, quero dizer à minha esposa que eu sempre fui fiel a ela".
Dirigiu-se à porta da casa e bateu.
Quando a esposa abriu a porta e o reconheceu, atirou-se em seu pescoço e o abraçou afetuosamente.
Ele tentou afastá-la, mas não conseguiu. Então, com lágrimas nos olhos, disse:
"Eu fui fiel a você e você me traiu...".
Ela, espantada, lhe respondeu:
"Como assim?! Eu nunca o traí, esperei por você durante vinte anos!".
Ele então lhe perguntou:
"E aquele homem que você estava acariciando ontem ao entardecer?".
Ela lhe disse:
"Aquele homem é o nosso filho. Quando você foi embora, descobri que estava grávida. Hoje ele está com vinte anos de idade".
O marido entrou, conheceu e abraçou seu filho. Contou-lhes toda a sua história, enquanto a esposa preparava o café.
Sentaram-se para tomá-lo e comer juntos o último pão.
Após a oração de agradecimento, com lágrimas de emoção, ele partiu o pão e, ao abri-lo, encontrou todo o seu dinheiro, o pagamento pelos vinte anos de dedicação e trabalho.
Às vezes achamos que o atalho "queima etapas" e nos faz chegar mais rápido ao que queremos, o que nem sempre é verdade...
Algumas vezes somos curiosos, queremos saber de coisas que nem ao menos nos dizem respeito e que nada de bom acrescentarão...
Outras vezes agimos por impulso, na hora da raiva, e fatalmente nos arrependemos depois...
Video sobre crenças.
:-)
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
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