quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Grupo ou indivíduo?

Quando se está em um local remoto com grupo e um acidente acontece, aqueles que prestam primeiros socorros tendem a se encontrar em situações onde suas decisões podem significar a vida e morte de mais pessoas do que as vitimizadas. Como exemplo, nos foi contado o caso de dois guias que ficaram prestando socorros à uma vítima de infarto por quase duas horas, mesmo sabendo que as chances de sobrevivência dela eram inexistentes, para não acabar com a moral e esperança do resto do grupo. Se não tivessem feito isto, o número de fatalidades poderia ser bem maior, visto as condições em que se encontravam.
Este tipo de decisão pode chegar ao ponto de ser necessário deixar a causalidade no local, para se conseguir acionar mais rapidamente à um resgate. Tudo depende das condições da vítima, do grupo e do ambiente onde estão. É necessário se fazer uma boa avaliação dos riscos para o grupo primeiro, mesmo que isto pareça desumano e cruel. Sem uma boa análise, os problemas podem aumentar consideravelmente, colocando mais vidas em jogo, as vezes sem uma real necessidade.
Claro que cada caso é um caso, e depende das pessoas envolvidas a fazerem um julgamento na hora. Nos casos de primeiros socorros em locais remotos, não existem regras realmente, mas guias de sobrevivência. Depende de cada um analisar seus limites, a situação em que se encontram e as possibilidades existentes. Quanto mais pessoas tiverem informações, mais precisa pode ser a decisão que pode salvar uma ou mais vidas.
:-)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Avaliação

Se mesmo com todos os cuidados e prevenções algum acidente ainda acontecer, a pessoa precisa saber quais são as prioridades no prestamento de socorro. Sem saber o que ver primeiro, o dano inicial, que pode ser mínimo, tende a se tornar um problema vital. Um conhecimento mínimo sobre a anatomia humana se faz necessário, para saber quais são os maiores riscos que ameaçam o corpo.
Em momentos de emergência, é possível esquecer o básico ao tentar se prestar socorro, ainda mais se um ente querido está envolvido. Em locais remotos, o pânico tende a tomar conta, e existe a possibilidade de não prestarmos tanta atenção no que estamos fazendo, nos fazendo assumir fatos mais do que lembrar. No curso, fomos constantemente lembrados de que "breath comes over bleed, that comes over bones", o que quer dizer para observarmos a respiração antes de ver sangramentos, e cuidar destes antes de fraturas.
A lógica por trás é de que sem respiração, o resto do corpo da pessoa tende a não funcionar. Além disto, é por ela que temos os primeiros sintomas de que algo está errado. Assim que estiver controlada, ou funcionando, podemos prosseguir para sangramentos, que são o segundo tópico de prioridade. Uma vez que os ferimentos estiverem estancados e a perda de sangue foi contida ou minimizada, é que se trata de fraturas.
Quando se está em algum lugar remoto, sem acesso à um atendimento médico definitivo e especializado, saber como avaliar a situação e saber as prioridades básicas é essencial. Além dos cuidados básicos com o corpo da vítima, é preciso ter certos cuidados também com o psicológico, ainda mais se está em grupo. Planos precisam ser feitos para a rápida remoção da causalidade, mas sem desconsiderar os outros fatores.
:-)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Noções básicas

Quando se fala de primeiros socorros, a primeira, e muitas vezes única, coisa que vem na cabeça é a respiração boca-a-boca, feita quando a vítima está inconsciente. Mas primeiros socorros se estendem muito mais do que isto. E ela começa antes mesmo de nos aproximarmos do acidente, pois é necessário que tenhamos certeza de que estamos seguros, para não nos tornarmos causalidade da cena que tentamos ajudar. Por incrível que pareça, existe uma porcentagem de indivíduos que, ao tentar ajudar outros, acabam esquecendo este fator, se colocando em perigo e complicando ainda mais a situação.
Além disto, também é importante manter uma cabeça fria e calma, para ser o mais realista possível. Neste curso que fizemos, especializado em locais remotos, o instrutor salientava constantemente a importância da prática para que, ao nos depararmos com tal cenário, tivéssemos a habilidade de usar os conhecimentos adquiridos. Ele resaltava este ponto pelo fato de estarmos isolados do mundo em nossas expedições. Para ele, e para os médicos da União Europeia, estar isolado significa que o socorro médico própriamente dito se encontra a mais de uma hora de distância do local do acidente. Assim sendo, na UE em geral assim como em situações urbanas, a norma é não mover a vítima, pois é possível se conseguir ajuda em um período consideravelmente aceitável.
Em situações de isolamento, entretanto, onde a pessoa pode se achar até a dias de qualquer hospital ou consultório médico, esta opção não é a mais recomendável. Nestes casos, dependendo da gravidade da lesão, é preferível que se tome o risco de mover a vítima, para que se consiga salvá-la a tempo. Por isto o treinamento de primeiros socorros para este tipo de caso é mais extensivo, já que a ajuda médica definitiva não é de fácil acesso. Para aqueles que já foram escoteiros, o antigo lema de estar sempre preparado é o que mais se destaca ao se fazer um curso desses. Ele realmente se mostra válido em situações que significam vida ou morte.
:-)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Primeiros Socorros

A pouco tempo, eu e minha namorada fizemos um curso sobre primeiros socorros. Já pensando na mudança que estamos passando, procuramos por um que se encaixasse melhor com nossa situação, e por isto demos preferência para um curso que fosse mais focado em locais mais isolados e naturais, ao contrário da paisagem urbana. Apesar de não ser a primeira vez que nos deparamos com tal assunto, as aulas mudaram muitos conceitos e desvendaram muitos mitos, alguns que fizeram nosso queixo cair.
Acostumados com noções básicas passadas por filmes, nos surpreendemos em saber que certas técnicas que considerávamos corriqueiras nada mais são do que folclore, e que em certos casos podem vir a piorar a situação, se realmente utilizadas. Também foi interessante de ver a postura utilizada para se tratar um caso de emergência que acontece no isolamento em contrapartida com outro semelhante, mas urbano. Até mesmo a definição médica, ao menos britânica, sobre onde acaba a cidade e começa a natureza, também nos deixou intrigados.
Foram apenas dois dias de lições e práticas, mas que foram muito bem aproveitados. Além do que era passado pelo instrutor, foi possível aprender muito com os colegas. Alguns estavam fazendo o curso para se prepararem para viagens ao redor do mundo, e certamente tinham aqueles que estavam planejando ir para o Brasil. A troca de informações foi ótima, e esperamos ter passado um pouco do que sabemos, pois saimos com outras cabeças de lá. Foi um curso que consideramos essencial para qualquer um, e espero conseguir passar um pouco do que aprendemos por aqui, pois este tipo de conhecimento pode ajudar em horas de aperto.
:-)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Mudança

Por nosso cérebro preferir situações conhecidas, pois assim sabe lidar com elas, não notamos o quanto mudamos durante o curso de nossa vida. Entramos e saímos de "ciclos" constantemente, o que nos dá a impressão de que certos aspectos de nossa existência sejam corriqueiros. Mas esta impressão não poderia estar mais longe da realidade.
Diariamente somos apresentados à mudanças, que podem surgir como uma rota nova para o emprego, até um produto novo no mercado ou um programa na televisão. Lidamos com elas de acordo com nosso apego ao que conhecemos e o que sabemos sobre a novidade. O contraste entre o que passamos e o que o futuro pode ser serve de combustível para alguns, enquanto outros se perdem ou evitam esta fonte de energia. Mesmo que sejam sutis, estamos submersos em uma realidade que muda constantemente.
Apesar de algumas serem mais fáceis de aceitar do que outras, esta talvez fosse uma boa lição para se passar para as gerações futuras. Elas podem começar a se preparar desde cedo para aquelas que irão encontrar em sua vida, sendo desnecessário se trancarem nos mesmos obstáculos que estamos encarando agora.
:-)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Relaxamento

Um dos estágios mais desprezados quando se trata de uma mudança é o do relaxamento. Diferente de férias, ele acontece quando já estamos tão acostumados com a mudança que nosso corpo age praticamente no automático. Pode-se dizer que é quando nos acomodamos, pois já estamos tão integrados com a mudança nem mais notamos seu peso.
É justamente por procurar o relaxamento que os alarmes do nosso cérebro disparam. Esta é a fase em que ele está tão despreocupado que até sua atenção diminui, nos fazendo encarar as novidades como rotina. É quando não notamos mais os detalhes do que fazemos, que paramos de fazer perguntas e passamos a aceitar a situação como corriqueira. Ficamos com a impressão de que este estágio se estenderá indefinitivamente, quando a realidade normalmente é outra.
Podemos utilizar o relaxamento para realmente ter umas férias, mentalmente falando. É um ótimo período para descansar, se o controle sobre a mente foi conquistado, e até mesmo para se desenvolver novos projetos. Mas não podemos relaxar demais, pois as mudanças são uma constante do nosso universo, e logo novas aparecem.
:-)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Interação

Após termos conhecimento da mudança que vamos passar e de termos analisado as informações sobre ela, passamos para a prática. Colocar a mão na massa pode, às vezes, passar desapercebido, ainda mais se estivermos tratando de sentimentos. Entretanto, é importante que tenhamos consciência dela, para saber o que estamos passando e até entender melhor como nosso próprio corpo responde à estimulos externos.
A interação que iremos ter depende do tipo de modificação que iremos passar. Se, por exemplo, ela for de uma natureza emocional, tendemos a extrapolar a situação, seja para melhor ou para pior. Essas são algumas das mudanças mais traumáticas que temos, pois acontecem de forma intangível, dificultando nossa percepção dela e nos deixando sem controlar as ações. É neste estágio que acontece os crimes passionais, onde a pessoa deixa o instinto controlar seus atos.
Em outros casos, a interação toma formas mais variadas, que podem parecer desde um planejamento até um treino. Quanto mais aceitamos a mudança, mais suavemente passamos por este processo, tornando-o mais agradável. Ao se ter as informações necessárias, o caminho se torna mais claro, assim como onde devemos dar nosso primeiro passo. Com a primeira pisada garantida, o resto vira história.
:-)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Conhecimento

Nosso cérebro ativa alguns alertas quando toma conhecimento de que uma mudança está para acontecer. Alguns destes alarmes se manifestam na forma de medo ou, atê mesmo, pânico. Esta reação natural do corpo pode fazer com que fiquemos estagnados no mesmo lugar, incapazes de agir, física ou mentalmente. E por conta disto, às vezes bloqueamos informações que poderiam nos ajudar.
Seja uma mudança de país, um final de relacionamento ou um emprego novo, o impacto da novidade ativa nosso sistema nervoso mais do que notamos. Por isto que no começo de qualquer mudança ficamos extremamente ansiosos ou estressados, dependendo do nosso conhecimento prévio sobre o evento e nossa relação com ele. Se deixarmos apenas o instinto de nosso corpo controlar nossos atos, podemos entrar felizes em uma roubada, ou podemos deixar passar uma boa oportunidade.
Tendo consciência da reação natural que temos, podemos controlar nosso sistema nervoso à ponto de fazê-lo procurar por mais informações, ao invés de reagir instintivamente. A cada dado novo encontrado, podemos analisá-lo com mais calma e clareza, liberando nossa mente de ansiedades e nervosismos. Com uma melhor visão sobre a situação, nossas escolhas podem ser feitas de maneira mais clara.
:-)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Ciclos da vida

Tempos atrás, recebi um e-mail que falava sobre as mudanças que passamos ao longo de nossa existência. Ele chamava isto de "ciclos da vida", e destacava nossas ações quando tais fatos acontecem. A mensagem me chamou a atenção, principalmente por lembrar do ritmo de nossas rotinas, especialmente de quem vive nas cidades. Como logo estarei passando por uma dessas mudanças, resolvi analisar como nos comportamos com as diferentes situações com que nos deparamos.
A observação de nossas atitudes quando nos deparamos com algo novo se torna mais fácil quando sabemos como nosso próprio cérebro funciona. Ele tem algumas tendências adquiridas ao longo de nossa evolução, que podem ser contrárias aos objetivos que temos em nossa vida moderna. Uma destas tendências é justamente evitar alterações em nosso estilo de vida.
Ciente de como nosso próprio corpo se comporta e inconscientemente nos influência, podemos ter um maior controle sobre ele. Desta maneira, podemos analisar como nos relacionamos com as mudanças da vida, sejam elas naturais ou não. Assim, estaremos garantindo que faremos a escolha que melhor nos agrade, munidos do máximo de informações possíveis, aprendendo a utilizar as rédeas que guiam nossas vidas.
:-)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sobrevivência na selva 5

A última noite mostrou como o esforço coletivo pode render bons frutos. Apesar da chuva, as infiltrações foram mínimas, e até o fogo ficou acesso a maior parte do tempo. Conseguimos dormir por quase toda a noite, e acordamos todos descansados e ansiosos, o que fez as horas passarem mais rápido. Começando nas noções de navegação e terminando no desmanche das barracas, o último dia do curso passou em um piscar de olhos.
Apenas o fato de voltarmos para a civilização depois de cinco dias no meio do mato já teve suas lições à serem tiradas. As comparações dos extremos eram inevitáveis, e imagino que até hoje as fazemos quando menos percebemos. Agora mais experientes, vemos com mais clareza o preço cobrado pelo estilo de vida na cidade e na floresta. Apesar de terem moedas de trocas diferentes, ambas cobram onde menos percebemos.
Se tiverem a oportunidade, eu recomendo fazer um curso de sobrevivência, ou até mesmo tirar o tempo para se integrar mais com a natureza. É uma experiência única, que mostra pontos de vista bem distintos sobre o mínimo que precisamos para estar por aqui. Enquanto a econômia força um crescimento e um consumo cada vez maior, um período destes tende a nos deixar mais agradecidos pelo pouco que temos. Nossa criatividade parece disparar quando nossos recursos são limitados, e nossos sentidos florecem na pele. A sensação de voltar para o básico e reaprender é inexplicavél.
:-)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sobrevivência na selva 4

A noite passada sozinho serviu para muita reflexão. Foram quase doze horas aprendendo sobre a importância que poucas chamas tem em uma noite fria, e como domá-las. Para um marinheiro de primeira viagem como eu, foi uma tarefa das mais interessantes, apesar de complicada no começo. Só o fato de não se usar fósforos ou isqueiros no início já tomou mais tempo de aprendizado e prática do que imaginava. Mas era uma habilidade que precisava ser aprendida, ainda mais com um desafio para o dia seguinte.
Com muito sono, foi difícil se concentrar para aprender sobre nós e arapucas que poderiam ser usadas para conseguir alimentos. Aprendi bem somente na parte prática, pois a teorica dividi com sonhos que insistiam em aparecer no meio da explicação. Durante o meio dia consegui dar uma rápida descansada e fechar os olhos por alguns poucos minutos, mas que já serviram para que conseguisse entender um pouco mais sobre plantas, seus perigos e benefícios.
Quanto mais aprendemos sobre o que tínhamos ao nosso redor, mais nos questionávamos a necessidade de muitos apetrechos que estamos acostumados a ter ao nosso lado. Relógios e celulares, para terem um idéia, foram os primeiros a serem descartados já no primeiro dia. E a lista somente cresceu com o passar dos dias, pois mesmo sem as perguntas, algumas respostas que normalmente procuramos se fizeram presentes. O sentimento de compartilhamento era muito maior do que o de competição, mesmo com o instrutor dando maiores condições para que o segundo aparecesse. Nossa maior preocupação era mesmo de sobreviver, não de perder tempo com querelas artificiais que encontramos facilmente em nossas rotinas.
:-)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sobrevivência na selva 3

Depois de uma noite bem dormida, principalmente por ter sido seca, ficou mais fácil de realizar as outras tarefas que apareceram na frente. Seguindo com as aulas do curso, agora que tínhamos um relativa proteção contra os elementos, podíamos usar nossa energia para criar uma sinalização que chamasse atenção para nosso local. Como estávamos tentando sobreviver, precisaríamos de um resgate também.
O grupo todo foi dividído em dois, e por conta disto acabamos com duas piras, que seriam ligadas quando ouvissêmos o passar de um avião de resgate, interpretado pelo apito de nosso instrutor. Novamente, assim que tivemos as informações necessárias sobre o que era esperado, rapidamente nos dividímos e colocamos em prática toda a teoria que nos foi passada. Mesmo sem nunca ter conversado com alguns, já estávamos a par de nosso papel naquela missão.
Com certos objetivos ficando mais conhecidos para nós, ficava mais fácil de se realizar certas funções. Assim chegou a minha noite de ficar na barraca que havíamos construído no dia anterior. Sendo o segundo do nosso grupo, consegui várias dicas dos primeiros, tanto do nosso quanto de outros, sobre o que era passar por aquela experiência. Conselhos e recomendações foram bem lembrados para tornar minha primeira noite completamente isolado no meio da floresta mais agradável. Não chegou a um hotel cinco estrelas, mas deu pra usufruir de algumas comodidades. O silêncio e a integração com o resto da natureza foram ótimos, foi possível renovar o espírio. Foi uma noite onde as baterias foram renovadas, e a preparação para a nova realidade foi mais intensa.
:-)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sobrevivência na selva 2

Depois de uma noite molhada e fria, onde o saco de dormir virou uma piscina, os buracos na barraca ficaram mais evidentes. Antes mesmo de acendermos a fogueira para tomar café, já estávamos atrás de mais material. O ânimo era outro, agora que aprendemos na pele sobre alguns conceitos novos de sobrevivência. Depois de passada mais teoria, nossa missão era de construir um abrigo menor, para apenas uma pessoa.
Agora que tínhamos um conhecimento melhor sobre o assunto, tivemos a oportunidade de fazer um trabalho melhor de maneira mais rápida e eficiente. Rapidamente montamos a estrutura e passamos mais tempo recheando o telhado de folhas e galhos, para diminuirmos consideravelmente as chances de chover dentro. A idéia desta barraca isolada era para cada um do grupo passar uma noite nela, com menos recursos do que tínhamos disponível. Foi uma ótima oportunidade para se integrar melhor com a natureza.
Os limites físicos do corpo foram bem testados no segundo dia, onde o acumulo de tarefas mostrou seu peso. Para nós, simples leigos, a falta de chuva da noite veio bem a calhar, pois nosso conceito de confortável se restringiu a conseguirmos dormir secos. Até mesmo nossa definição de simplicidade mudou, ao notarmos o mínimo que precisamos para sobreviver. Coisas como o companheirismo e a amizade, pois não conseguimos sobreviver muito tempo sozinhos.
:-)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sobrevivência na selva

Eu e minha namorada passamos semana passada em um curso de sobrevivência na selva no meio do Reino Unido. Foram cinco dias aprendendo a nos manter vivos com recursos mínimos do ambiente ao nosso redor, de como melhorar nossas condições de vida, e de ver o mundo sob outra perpectiva. Estávamos ansiosos para passar por esta incrível experiência e ela não decepcionou. Ela foi a medida exata para testar tanto nosso físico quanto o mental, neste novo passo que estamos dando.

Logo no primeiro dia aprendemos o porque não foi pedido para que levássemos barracas: iríamos montar as nossas usando os elementos da natureza. Por sermos um grupo grande e sermos iniciantes, iríamos fazer tendas de galhos, folhas e cipós em conjuntos, o que gastaria menos energia e nos daria tempo de terminar. Apesar de parecer fácil, pois costumamos fazer algo parecido quando somos crianças, o trabalho na vida real, principalmente o de criar um isolamento aceitável, não é tão simples assim. Descobrimos isso à duras penas na primeira noite, quando a chuva fria deu o ar da graça.
Desde o começo da tarefa, quando saímos para recolher o material necessário, notei o quanto sabemos como agir quando temos a informação necessária. O instrutor não precisou dar nenhuma ordem em nenhum momento. Primeiro ele nos deixou a par da situação que nos encontravámos, ambientando-nos em um acidente aéreo. Como recursos iniciais, tínhamos uma lista passada na inscrição, com ferramentas mínimas como faca, saco de dormir e roupas à prova d'água. Com uma conversa inicial, logo descobrimos as prioridades que deveríamos manter naquela situação, e elas se justificaram no passar da semana.
O trabalho em conjunto aconteceu de forma tão natural que me impressionou muito. Quando o objetivo comum é a melhoria de vida de todos, pois vemos mais de perto como estamos conectados, até mesmo tarefas manuais e repetitivas se tornam mais interessantes. Obstáculos diminuem de tamanho pois aprendemos a escalá-los juntos, dando apoio uns aos outros. Não importa quem chega primeiro no topo, mas importa que todos consigam chegar.
:-)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Calendário Arbitrário

Alguns calendários não seguem nem o sol nem a lua. Existe aqueles que seguem outros astros, como Vênus, ou que misturam vários astros, e podem incluir o sol e a lua, mas não tem eles como base. Tudo depende do objetivo do calendário, que pode ser varia desde a política até a religião.
Seja qual for o motivo, observar os astros tem ajudado nossa espécie a se desenvolver neste planeta, pois eles ajudam desde a localização até o plantio e colheita de alimentos. Sem entender a relação que nossa própria casa tem com os elementos vizinhos, perdemos nossa conexão com o universo, ficando à mercê do desconhecido.
Se observarmos nossa história, tivemos uma explosão de conhecimento e tecnologia enquanto observávamos os astros e entendíamos nossa integração com eles. Desde que perdemos este contato, nos tornamos mais materialistas e consumistas, procurando por algo que sacie nossa infinita insatisfação. E enquanto estamos destruindo nosso planeta procurando pela resposta, raras são as vezes que cogitamos que ela não esteja aqui. Talvez seja a hora de, novamente, erguermos nossa cabeça. Com o orgulho de que, finalmente, alcançamos a sabedoria para vermos nossos erros e termos a humildade de procurar a solução de outra forma.
:-)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Calendário Lunissolar

A união dos calendários lunar e solar é feita de tal forma que o ano consiga representar as fases da lua, as estações (se for tropical) e as constelações (se for sideral). Como existem várias formas possíveis para fazer o ajuste entre os dois, existem diversos calendários baseados nos dois que são diferentes. Exemplos são o chinês, tibetano, koreano, budista, hebreu e hindu.
O chinês e o hebreu são tropicais, o que quer dizer que eles seguem as estações, enquanto o budista e hindu seguem as constelações por serem siderais. Uma maneira comum de se ajustar o calendário lunar com o solar é a inclusão de um mês extra no ano, deixando-o com treze meses.
Nos anos 50 existiram propostas de modificação do calendário gregoriano para torná-lo lunissolar, o que voltaria a englobar as fases da lua, mas esta proposta não foi aceita. Sem a lua em nosso calendário, sua influência não é tão percebida em nossos dias, fazendo com que fiquemos nos indagando o porque certos fenômenos ocorrem. Sem entender a relação que tem com o resto do universo, ficamos cada vez mais perdidos, confinados a encontrar algum outro tipo de explicação que não se encaixa perfeitamente.
:-)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Calendário Solar

Baseado no ciclo da Terra ao redor do Sol, o calendário solar tende a manter uma sincronia com as estações durante o ano. Se seguido à risca, cada dia representa a posição orbital do planeta, ou se visto sob outra perspectiva, a aparente posição do nosso astro maior na esfera celeste, vista daqui. Saber sobre as estações ou sobre a posição do sol pode auxiliar na melhor administração da energia solar ao longo do ano.
O calendário iraniano tem esta base, e tem seu ano novo no equinócio de primavera. Este calendário é um dos que menos varia em relação às estações, tendo seus feriados caindo sempre no mesmo período climático. O calendário deles, assim como de outros no oriente, é considerado ainda um calendário solar tropical, pois é baseado no ângulo do sol em relação ao planeta.
Existem aqueles que baseiam seus calendários na relação de algumas estrelas em relação ao sol e, portanto, são chamados de calendários solares siderais. Normalmente eles englobam as estrelas do zodíaco, e são raros aqueles que são puramente solares. Povos antigos consideravam que mais do que um astro influenciava nossas vidas, e portanto seus calendários refletiam isto. O mais comum era usar um meio termo entre lua e sol.
O calendário atual usado ao redor do mundo, o gregoriano, é outro exemplo de calendário solar. Em sua origem, quando ainda era chamado de juliano, ele era luni-solar, quer englobava tanto o sol quanto a lua, mas perdeu esta última característica quando foi reformado. Durante a história, meses mudaram de nome, assim como o ano novo, transformando-o no que conhecemos hoje.
:-)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Calendário Lunar

Como o próprio nome já sugere, o calendário lunar é baseado somente na lua. Os dias são representado de forma a refletir as fases do astro e o mais famoso em uso atualmente é o calendário islâmico. Por se tratar de um dos únicos calendários puramente lunares, seu ano consiste de 354 dias, 11 dias a menos do que o solar. Isto faz com que os feriados islâmicos passem por todas as estações, pois a cada ano ele retrocede alguns dias.
Desta forma pode-se notar que um calendário puramente lunar não representa as quatro estações, por exemplo, mas se mantém em sincronia com os fenômenos referentes à lua, como as marés. Hoje em dia, ao comprarmos peixes em mercados, não vemos a influência que o astro tem, mas em tempos antigos isto era bem conhecido. Um calendário com base na lua é útil não somente para aqueles que vivem da pesca, pois é possível ver sua relação até mesmo com nossa fertilidade, basta apenas notarmos que o ciclo menstrual tem aproximadamente 28 dias, o mesmo das fases da lua.
Apesar do debate científico sobre a influência de alguns astros mais distantes sobre nossas vidas, é inegável que os mais próximos tenham sua parcela. E nenhum deles está mais perto de nós do que a lua. Seja para crescer cabelos, entender a fertilidade ou controlar e aprimorar a agropecuária, este elemento tem suas vantagens. A utilização dele em um calendário trás vantagens que talvez tenhamos esquecido, ou que nunca aprendemos a utilizar inteiramente.
:-)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Calendários

Aprendemos os aspectos da sociedade quando somos mais novos, e desde então tentamos nos enquadrar neles, raramente questionando se talvez os tempos não mudaram o suficiente para mudarmos estes aspectos. Tenho batido muito na tecla da economia neste blog, mas ela não é a única perspectiva que talvez precisamos rever, ou aprender mais sobre. Nossas medidas de tempo influenciam nosso ritmo, e consequentemente, o que fazemos e como fazemos.
Além de marcar o tempo, calendários também são usados para nos integrar com o cosmo que está ao redor de nosso planeta. Durante nossa história, existiram aqueles que se orientavam pelo ciclo da lua, do sol, dos dois e de vênus. Apesar da crença popular de que existe apenas um em uso hoje em dia, pode-se contar inúmeros calendários sendo usados por diversos povos no mundo. Os mais famosos são o chinês e o judaico, que tem sua contagem baseada em mais astros do que apenas o sol.
O calendário que utilizamos oficialmente hoje em dia, chamado de gregoriano, foi concebido séculos atrás, e foi baseado em outro, chamado juliano, que é do tipo arbitrário. Este tipo não tem nenhuma conexão com o sol e a lua, que são os astros mais influentes no nosso planeta. Agora, que já estamos usando ele a séculos, podemos tirar o tempo para olhar para trás e validar sua utilização. Ao conhecermos mais sobre ele e outros, podemos chegar a uma decisão mais consciente sobre qual podemos usar em nossos dias, e ter uma idéia melhor do que acontece em nossa casa e nos aredores.
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Permacultura

A permacultura foi criada nos anos 70 por australianos que tinham como princípio a integração do homem ao ambiente. Diferente de outros conceitos e movimentos, ela tem como objetivo a total simbiose do meio no planeta, incluindo a maior variável de todas: o ser humano. Nela, casas, prédios e qualquer utensílio que nossa espécie possa usar são planejadas para que façam parte da região como se fossem elementos naturais dela, não objetos alienígenas que apenas consomem.
O estudo do terreno a ser adaptado começa ao se fazer pesquisas para ver a capacidade do local e o que pode ser melhor produzido por ali. Invertendo o princípio de que a terra deve nos dar o que queremos, a permacultura parte de que devemos usar o que a terra nos dá, para maximizar o potencial do local. Além disto, a diversidade é sempre incentivada, pois quanto maior a gama de plantas, animais e relevo, maior a integração dos elementos.
Usando estas técnicas, a pessoa ou comunidade pode transformar o ambiente de tal forma que consiga diminuir temperaturas no verão ou aumentá-las no inverno, criando um melhor aproveitamento da energia solar e da sombra de árvores. Ainda pode-se incluir no design do local formas de proteção contra pestes e elementos da natureza, como fogo e inundações. A utilização de certos tipos de vegetação e animais ajudam no combate de perigos, assim como a disposição deles, que é feitos por zonas na permacultura.
Métodos para melhorar a qualidade de vida de todos existem, mas é necessário uma conscientização sobre o que consideramos qualidade de vida. Enquanto ainda se considerar o consumo contínuo sem o cuidado com o ambiente como uma forma de conforto, pouco irá mudar em nossa sociedade. Uma ponderação sobre nossas prioridades, assim como o estudo de formas alternativas e independentes de como alcançá-las é uma opção que raramente consideramos como estilo de vida. Mas ela existe, e pode ser alcançada se realmente nos empenharmos em procurá-la.
:-)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Agroecologia

Agroecologia foi o conceito criado a partir das práticas ecológicas na agricultura. Seu objetivo é encontrar o equilíbrio sustentável entre as facetas ecológica, econômica, social, cultural, política e ética da região onde esta sendo aplicado. Diferente do agronegócio, que visa a produção de monoculturas ou uma variedade pequena, a agroecologia procura englobar uma diversidade maior.
Por se tratar também de prática, outras metodologias também são englobadas, inclusive a cultura popular. Os detalhes para o ambiente que cerca o produtor aumentam, procurando integrar o cultivo com a vegetação existente na região. Esta interação garante um desenvolvimento natural mais otimizado para a plantação, diminuindo o uso de agrotóxicos até a total independência deste artifício, em alguns casos.
Além de conceito e prática, a agroecologia pode ser vista como um movimento, e até uma ciência. Ela se desenvolve para englobar cada vez mais variáveis do meio, estudando o relacionamento delas para manter o desenvolvimento de lavouras o mais natural possível. O controle de pestes utilizando outros elementos do meio também são incentivados, dando a possibilidade de agricultores com menos renda de competir com aqueles que tem mais recurso financeiro, mas que fazem uso de pesticidas e adubos químicos. É um movimento que está crescendo, assim como seu entendimento do meio ambiente.
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Agricultura Sustentável

A agricultura sustentável pode ser considerada como uma volta às raízes da agricultura. A diferença é o conhecimento utilizado na técnica, pois esta metodologia tem como objetivo a conservação do ambiente, enquanto desenvolve uma produção lucrativa e tende a integrar a comunidade. Se feita corretamente, ela pode aumentar o nível de autonomia e independência daqueles que vivem dela.
Por reduzir ao mínimo possível o consumo de materiais externos para o cultivo, a sustentabilidade da plantação aumenta. Combustíveis fosseis, fertilizantes, adubos químicos e anabolizantes que precisam ser comprados externamente são desencorajados, pois aumentam a dependência do sistema. Adubos naturais, como o esterco de animais, são incentivados para que se restaure o ciclo natural, e devolver para o solo os minerais que as plantas precisam.
Esta metodologia tem crescido bastante nos últimos anos, principalmente como alternativa às produções modificadas geneticamente, e aquelas que utilizam de derivados do petróleo para seu cultivo. Apesar do maior benefício ser para as famílias que tem um relacionamento mais direto com a produção, pessoas que estão mais longe dos campos ainda conseguem encontrar os produtos nas prateleiras de alguns mercados. A demanda é tão grande que tem até seu próprio movimento.
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