quinta-feira, 15 de abril de 2010

Nossa cabeça

"Tudo que está no mundo quando você nasce é normal e ordinário e é simplesmente o jeito natural de como o mundo funciona. Tudo que foi inventado entre seus quinze e trinta e cinco anos é novo e excitante e revolucionário e você provavelmente pode fazer uma carreira nisso. Tudo que é inventado depois que você tem trinta e cinco é contra a ordem natural das coisas" (Douglas Adams). Pelo jeito não sou só eu que vejo muitas pessoas presas ao que conheceram quando crianças e querendo voltar para aquele tempo quando adultas. Apesar de mudança ser uma constante do universo, o ser humano ainda parece que luta um pouco contra essa maravilha da natureza. Ao mudarmos, renovamos nossas energias, além de aumentarmos nosso conhecimento e expandirmos nossa mente.
Certos estudos feitos sobre nossa cabeça mostram que nosso medo de mudar vem da nossa estrutura mental, e que o cérebro é completamente viciado. Um desses vícios é a certeza. Ela acalma nossa mente como se fosse um químico qualquer, injetado para relaxar o turbilhão de pensamentos que inundam constantemente esse órgão misterioso. Por exemplo, quando vamos pegar um copo: nosso cérebro está calculando no inconsciente a força que precisamos fazer para pegá-lo, a distância que nosso braço precisa percorrer, a textura e a temperatura do objeto, entre milhares de outras coisas. Se alguma dessas
variáveis não bate com o que era o esperado, levamos um susto e, possivelmente, deixamos o copo cair. O cérebro age mais ou menos de uma forma preguiçosa, pois a cada aprendizado novo, ele se mexe. Assim, quando nós mudamos nossa mentalidade sobre algo, é como se estivéssemos fazendo uma sessão de academia com o cérebro e fazendo ele tirar a poeira de antigas conexões.
Outro modo de ver essa habilidade da nossa cabeça de calcular tudo isso é como se estivéssemos constantemente tentando prever o futuro. A cada passo que damos, calculamos inconscientemente como seria o futuro, e preparamos nosso corpo para o tipo de chão que esperamos pisar com as informações que temos (visão, passos passados, etc...). Se nossas previsões estão certas, continuamos a caminhada. Caso contrário, vamos ao chão, ou ao menos pisamos em falso e tropeçamos. Por estar sempre tentando defender o corpo, não deve existir nada melhor para o cérebro do que estar em território conhecido, onde nada de inesperado pode acontecer, e onde pode manter seu veículo à salvo. Mas se isolar, que é um método defensivo em casos de desespero, não garante um futuro de longo prazo, e pode se tornar um problema no futuro.
É mais ou menos o caso como temos agido durante os últimos milênios, em que nos isolamos em nossos mundinhos pessoais, e esquecemos que o planeta é redondo e que compartilhamos tudo com todos, em maior ou menor nível. Agora estamos finalmente acordando para esta realidade e estamos nos dando conta de que se continuarmos com essas ações egocêntricas, possivelmente não teremos tempo de conseguir colonizar outra esfera para garantir a sobrevivência de nossa espécie. Assim, estamos redescobrindo muito do que nossos ancestrais de antes da agricultura talvez já soubessem, antes de se renderem aos vícios do cérebro e irem atrás da certeza da segurança.
Com mais informações e conhecimento sobre o mundo, talvez possamos resgatar certas ideias que foram esquecidas com o tempo e adaptar elas para a atualidade. Possivelmente uma volta à simplicidade do passado com a mentalidade e perspectiva moderna podem resolver mais problemas do que a repetitiva criação de leis com que estamos acostumados. Pode ser o exercício que nosso cérebro anda precisando, no final das contas.
:-)

Um comentário:

  1. Agora o conformismo esta cientificamente explicado!

    Mas então, vai ver que as ações estão sendo lentas por sabermos o que já aconteceu na historia com as pessoas que tentaram mudar...(ficando o aprendizado de coisas ruins e há evitar - Scarf Model).

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