quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Indagando diferentes aspectos

Desde a Revolução Industrial, criamos uma realidade baseada em um chão de fábrica, onde vemos o mundo como uma esteira que opera em sequência. Até mesmo a base da sociedade, a educação, é tratada desta maneira, onde temos número de série, ano de fabricação e modelo específico. Pouco se fala sobre uma mudança do método em si, mantendo em pleno século XXI uma linha de pensamento criada praticamente 400 anos antes.
Somos desencorajados de praticar e aprimorar a curiosidade, perdendo a habilidade de indagar sobre a validade dos mais simples atos. Sofremos um adestramento para aceitar comandos e uma hierarquia ultrapassada, criada em tempos de escassez que ainda existem por permitirmos. Abandonamos parte de nossa identidade para nos encaixarmos nos padrões criados pela sociedade, ao contrário de ter comunidades construídas com a diversidade de nossas personalidades.
Ao impormos um comportamento modelo, tiramos das pessoas o desenvolvimento da tolerância com o que é diferente, aumentando os conflitos. Concebemos diversos males em nosso meio por instigarmos condutas que vão contra a natureza, ao invés de a seu favor. A padronização de hábitos é um aspecto a ser questionado e modificado, na tentativa de reverter parte da destruição causado por ele.
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Considerando mais perspectivas

Nos envolvemos de tal forma com o materialismo, que dificilmente vemos alternativas para o estilo de vida que perpetuamos. Esquecemos o poder que temos dentro de nós, acessível a qualquer momento, para nos subjugarmos à ilusões baratas, de benefícios imediatos e insustentáveis. Abandonamos a imortalidade em troca do presente, também nos distanciando de outros aspectos divinos, adotando a futilidade como padrão de existência.
Perdemos a coragem de enfrentar aqueles que abusam de seus semelhantes, vivendo em constante medo de erguer a cabeça e andar com orgulho. Nos privamos da força da coletividade, que fundou nossas comunidades, para servir ao próprio ego, criando crises pessoais e sociais. Corrompemos a inércia da mudança, nos estagnando em uma realidade que deveria ser passageira, apenas mais um degrau da evolução.
Talvez precisamos de uma lição mais dolorosa para tirar o aprendizado que o universo tenta nos ensinar de formas ainda amenas. Para evitar tal cenário, é necessário que a informação se espalhe, dos mais diversos aspectos e maneiras, com a finalidade de educar quem quiser instruir-se. Dentro de cada um, existe um ser dormente, supremo, esperando ser desperto, para novamente ir de encontro a todo o potencial esquecido.
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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Enxergando outros pontos de vista

Mantemos a mentalidade presa em um nível lógico que já não nos sustenta mais, precisando de uma atualização para um patamar mais alto. O que era fundamental no passado pode nem existir no presente, para garantir um futuro livre de abominações. É preciso entender os hábitos que criamos por modismo, para sermos capazes de enxergar suas consequências no tempo, e nos livrarmos deles.
Ignoramos que a violência seja um subproduto do ambiente, onde temos controle, e delegamos para o indivíduo, tirando de nosso alcance a solução do problema. Terceirizamos a busca por soluções para corruptos e mercenários, quando são os atos de cada cidadão, em seu dia a dia, que fazem a diferença. Esquecemos que passamos a usar uma economia de troca por causa de força bruta, e desenvolvemos toda sociedade sobre esta base.
Nos tornamos cegos para os detalhes de nossas própria vidas, existindo tão superficialmente que precisamos de constante estímulo externo. Consumimos o planeta em busca da satisfação que existe dentro de nós, mas que rejeitamos, iludidos pela ganância do ego. Ficamos tão perdidos que nem mais sabemos quem somos, passando a nos identificar com os veículos que usamos, perdendo contato com o motorista.
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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Procurando novas idéias

O despreparo para lidar com a quantia de informações forçadas a capturar nossa atenção é tão grande que perdemos o foco do que é relevante. Nos acostumamos com padrões antigos, passados adiante como verdade eterna e absoluta, sem considerar que o universo está em constante movimento. Deixamos de procurar novas ideias, de modelar a rotina com um olhar no objetivo que necessitamos, ao invés daquele que nos convenceram de que queremos.
Podemos tentar entender e adaptar a tecnologia para nos liberar de tarefas repetitivas e mecânicas, permitindo que o ser humano descubra todo seu potencial. Formar uma estrutura social independente de um sistema de acúmulo, disponibilizando recursos à medida que são requeridos para saciar deficiências. Educar as pessoas para serem capazes de encontrar sua própria essência, e desenvolverem a habilidade de dominar o ego, encontrando a liberdade que tanto procuram.
O começo de uma nova sociedade está na casa de cada cidadão, dentro de suas cabeças, quando estão cientes de seus pensamentos e ações. Ao nos livrarmos das ilusões criadas pela personalidade individualista, abandonamos as tentativas de alcançar uma fantasia insustentável. Passamos, então, a caminhar em direção à sonhos que tem chance de se tornarem reais, pois entendemos que tudo depende de nossos atos.
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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Semana Reflexão - Couro de Boi

Esta semana postarei contos retirados do livro Histórias do dia-a-dia de Dival Buense, que ajudam a criar reflexões necessárias em nossas vidas.

Couro de Boi

Um pai com avançada idade foi morar com seu filho, sua nora e seu neto. Era uma família muito pobre, de poucos recursos.
O pai dava trabalho ao casal pois, necessitando de cuidados, aumentava as despesas da família.
A nora vivia reclamando ao marido que seu sogro precisaria sair da casa pois, além das despesas, dava muito trabalho e ela estava muito cansada.
O neto, apesar da pouca idade, acompanhava todas as brigas para que seu avô saísse de casa.
No outro dia, o marido chamou seu pai e solicitou que ele deixasse a casa, pois sua esposa não o queria mais lá.
O filho falou para o pai:
"O que nós temos de mais valioso aqui é este couro de boi que serve para aquecer no inverno, e como o senhor vai dormir na rua, leve-o para se cobrir".
O avô, muito triste, saiu carregando o couro de boi dado pelo filho. De repente, para surpresa de todos, o neto saiu correndo atrás do avô.
Tirando o couro de sua mão, cortou-o ao meio e trouxe metade para casa. O pai ficou intrigado com a atitude do filho e indagou:
"Por que você cortou a metade do couro de boi que dei ao seu avô?".
O filho respondeu:
"Quando o senhor ficar velho como o vovÔ e eu tiver que mandá-lo embora de minha casa, precisarei ter um couro de boi para lhe dar para que se aqueça do frio".

Video sobre perspectivas da vida.

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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Semana Reflexão - O Médico

Esta semana postarei contos retirados do livro Histórias do dia-a-dia de Dival Buense, que ajudam a criar reflexões necessárias em nossas vidas.

O Médico

Em uma cidade do Brasil, um médico chamado Messias trabalha em seu consultório com a enfermeira muito tranquilamente.
Atende a todos os seus pacientes com muito amor e dedicação. Todas as pessoas vêm para o atendimento com hora marcada, nunca havendo qualquer problema por atraso em suas consultas. Seu consultório sempre está lotado de clientes e jamais deixa de fazer um atendimento a qualquer ser que o procure.
Um tarde, chegou ao consultório um homem, muito nervoso e desequilibrado, que não tinha hora marcada e queria ser atendido imediatamente e falar com o Dr. Messias.
Iniciou uma discussão com a enfermeira e, aos gritos, exigia o pronto-atendimento do médico, levando todos os demais clientes ao pânico de que alguma violência fosse causada por parte do homem que gritava e batia os punhos nos móveis com muita fúria.
Dr. Messias terminou o atendimento que estava fazendo e foi à sala de espera para ver o que estava ocorrendo, o que era todo aquele barulho.
O homem, nervoso, quando viu o médico na sala de espera, passou a agredi-lo com palavras de baixo calão, com ofensas morais e até tentou agredi-lo fisicamente, o que não foi possível graças à intervenção dos demais clientes. Mesmo assim, quebrou alguns móveis do local e foi embora desacatando o dedicado médico, que não respondeu a nenhuma das agressões sofridas.
Sua enfermeira, muito nervosa, perguntou com indignação: "Dr. Messias, por que o sr. não reagiu às agressões sofridas e ao desacato do homem que perturbou, assustou e ainda causou danos na sala de espera do consultório? Por que ficou quieto diante de tanta provocação e agressão?".
Dr. Messias respondeu para a enfermeira: "Você viu o grande mal que apenas um homem desequilibrado causou no consultório; assustou a todos, quebrou móveis e objetos, tentou nos agredir, causando muita confusão! Então, imagine o grande mal que dois homens em desequilíbrio fariam a todos aqui presentes..."

Video sobre o que esquecemos de observar.

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Semana Reflexão - Os Preciosos Três Conselhos

Esta semana postarei contos retirados do livro Histórias do dia-a-dia de Dival Buense, que ajudam a criar reflexões necessárias em nossas vidas.


Os Preciosos Três Conselhos

Um casal de jovens recém-casados era muito pobre e vivia de favor em um sítio no interior.
Um dia, o marido fez a seguinte proposta à esposa:
"Querida, eu vou sair de casa, vou viajar para bem longe, arrumar um emprego e trabalhar até ter condições para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortável.
Não sei quanto tempo vou ficar longe, só peço uma coisa, que você me espere e, enquanto estiver fora, que seja fiel a mim, pois eu serei fiel a você".
Assim sendo, o jovem saiu. Andou muitos dias a pé, até que encontrou um fazendeiro que estava precisando de alguém para ajudá-lo em sua fazenda.
O jovem ofereceu-se para trabalhar e foi aceito.
Pediu para fazer um pacto com o patrão, o que também foi aceito.
O pacto seria o seguinte:
"Deixe-me trabalhar pelo tempo que eu quiser e, quando achar que devo ir, o senhor me dispensará das minhas obrigações.
Eu não quero receber o meu salário. Por favor, peço que o senhor o coloque em uma poupança, até o dia em que for embora.
Neste dia, o senhor me dará o dinheiro e eu seguirei o meu caminho"
Tudo combinado. Aquele jovem trabalhou durante vinte anos, sem férias e sem descanso.
Depois de vinte anos, chegou para o patrão e disse:
"Patrão, eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para casa".
O patrão então lhe respondeu:
"Tudo bem, afinal fizemos um pacto e vou cumpri-lo, só que antes quero lhe fazer uma proposta. Ou lhe dou o dinheiro e você vai embora, ou lhe dou três conselhos, não lhe dou o dinheiro e você vai embora. Se eu lhe der o dinheiro, eu não lhedou os conselhos e se eu lhe der os conselhos, eu não lhe dou o dinheiro. Vá para o seu quarto, pense e depois me dê a resposta".
Ele pensou durante dois dia. Depois, procurou o patrão e disse-lhe:
"Quero os três conselhos".
O patrão novamente repetiu:
"Se eu lhe der os conselhos, não lhe dou o dinheiro".
E o empregado respondeu:
"Quero os conselhos".
O patrão então lhe falou:
- Nunca tome atalhos em sua vida; caminhos mais curtos e desconhecidos podem lhe custar muito caro.
- Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade para o mal pode ser mortal.
- Nunca tome decisões em momentos de ódio ou dor, pois você pode se arrepender e ser tarde demais.
Após dar os conselhos, o patrão disse ao rapaz, que já não era tão jovem assim:
"Aqui você tem três pães, dois para você comer durante a viagem, e o terceiro para comer com sua esposa quando chegar em casa".
O homem então seguiu seu caminho de volta, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que ele tanto amava.
Após o primeiro dia de viagem, encontrou um andarilho que o cumprimentou e lhe perguntou:
"Para onde você vai?".
Ele respondeu:
"Vou para um lugar muito distante, que fica a mais de vinte dias de caminhada por esta estrada".
O andarilho disse-lhe então:
"Rapaz, este caminho é muito longo, eu conheço um atalho que é muito mais rápido e fácil, e você chegará em poucos dias".
Contente, o rapaz começou a seguir pelo atalho, mas se lembrou do primeiro conselho. Voltou e seguiu seu caminho normal. Dias depois, soube que o atalho o levava a uma emboscada.
Depois de alguns dias de viagem, cansado ao extremo, achou uma pensão à beira da estrada, onde pôde hospedar-se.
Pagou a diária e, após tomar banho, deitou-se para dormir.
De madrugada, acordou assustado com um grito amedrontador.
Levantou-se de um salto e dirigiu-se à porta para ir ao local do barulho.
Quando estava abrindo a porta, lembrou-se do segundo conselho.
Voltou, deitou-se e dormiu.
Ao amanhecer, após tomar café, o dono da hospedagem lhe perguntou se não havia escutado um grito. Ele disse que sim.
O hospedeiro disse:
"E você não ficou curioso?". Ele disse que não. E o hospedeiro respondeu:
"Você é o primeiro hóspede a sair vivo daqui, pois meu filho tem crises de loucura; grita durante a noite e, quando o hóspede sai, mata-o e enterra-o no quintal".
O rapaz prosseguiu em sua longa jornada, ansioso para chegar à sua casa.
Passaram-se muitos dias e noites de caminhada... Já ao entardecer, viu entre as árvores a fumaça de sua casinha, andou e logo viu entre os arbustos a silhueta de sua esposa. Estava anoitecendo, mas ele pôde ver que ela não estava só.
Andou mais um pouco e viu que ela estava acompanhada de um homem, a quem estava acariciando os cabelos.
Qunado viu aquela cena, seu coração se encheu de ódio e amargura: ele decidiu correr de encontro aos dois e matá-los sem piedade.
Respirou fundo e apressou os passos, mas lembrou do terceiro conselho.
Ele parou, refletiu e decidiu dormir naquela noite por ali mesmo, e no dia seguinte tomaria uma decisão.
Ao amanhecer, já com a cabeça fria pensou:
"Não vou matar minha esposa nem o seu amante. Vou voltar para o meu patrão e pedrir que ele me aceite de volta. Só que antes, quero dizer à minha esposa que eu sempre fui fiel a ela".
Dirigiu-se à porta da casa e bateu.
Quando a esposa abriu a porta e o reconheceu, atirou-se em seu pescoço e o abraçou afetuosamente.
Ele tentou afastá-la, mas não conseguiu. Então, com lágrimas nos olhos, disse:
"Eu fui fiel a você e você me traiu...".
Ela, espantada, lhe respondeu:
"Como assim?! Eu nunca o traí, esperei por você durante vinte anos!".
Ele então lhe perguntou:
"E aquele homem que você estava acariciando ontem ao entardecer?".
Ela lhe disse:
"Aquele homem é o nosso filho. Quando você foi embora, descobri que estava grávida. Hoje ele está com vinte anos de idade".
O marido entrou, conheceu e abraçou seu filho. Contou-lhes toda a sua história, enquanto a esposa preparava o café.
Sentaram-se para tomá-lo e comer juntos o último pão.
Após a oração de agradecimento, com lágrimas de emoção, ele partiu o pão e, ao abri-lo, encontrou todo o seu dinheiro, o pagamento pelos vinte anos de dedicação e trabalho.
Às vezes achamos que o atalho "queima etapas" e nos faz chegar mais rápido ao que queremos, o que nem sempre é verdade...
Algumas vezes somos curiosos, queremos saber de coisas que nem ao menos nos dizem respeito e que nada de bom acrescentarão...
Outras vezes agimos por impulso, na hora da raiva, e fatalmente nos arrependemos depois...

Video sobre crenças.

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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Semana Reflexão - As Três Peneiras

Esta semana postarei contos retirados do livro Histórias do dia-a-dia de Dival Buense, que ajudam a criar reflexões necessárias em nossas vidas.

As Três Peneiras

Roberto foi transferido de sessão. Logo no primeiro dia, para se mostrar
junto ao novo chefe, disse:
"Chefe, o senhor nem imagina o que me contaram a respeito do Silva.
Disseram que ele ...".
Nem chegou a terminar a frase, e o chefe aparteou:
"Espere um pouco, Roberto. O que você vai me contar já passou pelo crivo
das 3 peneiras?".
"Peneiras? Que peneiras, chefe?"
"A primeira, Roberto, é a da verdade. Você julgou e tem certeza de que
este fato é absolutamente verdadeiro?"
"Não. Não tenho, não. Como posso saber? O que sei é que me contaram. Mas
eu acho que..." E novamente Roberto foi interrompido pelo chefe:
"Então sua história já vazou a primeira peneira.".
"Vamos então à segunda peneira, que é a da bondade. O que você vai me
contar, gostaria que os outros dissessem a seu respeito?"
"Claro que não! Deus me livre, chefe!" - disse Roberto assustado.
"Então, " - continuou o chefe - "a sua história vazou a segunda peneira."
"Vamos à terceira peneira, que é a da necessidade. Você acha mesmo
necessário me contar este fato ou mesmo passá-lo adiante?"
"Não, chefe. Pensando desta forma, vi que não sobrou nada do que eu
contaria" - disse Roberto, surpreendido.
"Pois é, Roberto! Já pensou como as pessoas seriam mais felizes se todos
usassem essas peneiras? Da próxima vez que surgir um boato por ai,
submeta-o ao crivo das 3 peneiras."

Video explorando um lado mais esquecido da vida.

:-)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Semana Reflexão - O Trabalho

Esta semana postarei contos retirados do livro Histórias do dia-a-dia de Dival Buense, que ajudam a criar reflexões necessárias em nossas vidas.

O Trabalho

Havia uma fazenda onde os trabalhadores viviam tristes e isolados. Eles estendiam suas roupas surradas no varal e alimentavam seus magros cães com o pouco que sobrava das refeições.
Todos que viviam por ali trabalhavam na roça do Sinhozinho João, um homem rico e poderoso que, dono de muitas terras, exigia que todos se esforçassem muito, pagando bem pouco por isso.
Um dia, chegou ali um novo empregado, cujo apelido era Zé Alegria. Era um jovem agricultor em busca de trabalho. Recebeu, como todos, uma velha casa onde moraria enquanto trabalhasse ali. O jovem, vendo aquela casa suja e largada, resolveu dar-lhe vida nova.
Pegou uma parte de suas economias, foi até a cidade e comprou algumas latas de tinta. Chegando à sua casa, cuidou da limpeza e, em suas horas vagas, lixou e pintou as paredes com cores alegres e brilhantes, além de colocar flores nos vasos. Aquela casa limpa e arrumada chamava a atenção de todos os que passavam.
O jovem sempre trabalhava alegre e feliz na fazenda, e era por isso que tinha o apelido.
Os outros trabalhadores lhe perguntavam:
"Como você consegue trabalhar feliz e sempre cantando com o pouco dinheiro que ganhamos?".
O jovem olhou bem para os amigos e disse:
"Bem, este trabalho, hoje, é tudo o que eu tenho. Ao invés de blasfemar e reclamar, prefiro agradecer por ele. Quando aceitei este trabalho, sabia de suas limitações. Não é justo que, agora que estou aqui, fique reclamando. Farei com capricho e amor, aquilo que aceitei fazer".
Os outros olharam admirados. Como ele podia pensar assim? Afinal, acreditavam ser vítimas das circunstâncias, abandonados pelo destino.
O entusiasmo do rapaz, em pouco tempo, chamou a atenção do Sinhozinho, que passou a observar a distância os passo dele.
Um dia, Sinhozinho pensou:
"Alguém que cuida com tanto cuidado e carinho da casa que emprestei cuidará com o mesmo capricho da minha fazenda. Ele é o único aqui que pensa como eu. Estou velho e preciso de alguém que me ajude na administração da fazenda".
Sinhozinho foi até a casa do rapaz e, após tomar um café feito na hora, ofereceu ao jovem um emprego de administrador da fazenda. O rapaz prontamente aceitou.
Seus amigos agricultores novamente foram perguntar-lhe:
"O que faz algumas pessoas serem bem-sucedidas e outras não?".
E ouviram, com atenção, a seguinte resposta:
"Em minhas andanças, meus amigos, eu aprendi muito e o principal é que não existe realidade má, existe em nós a capacidade de realizar e dar vida nova à tudo o que nos cerca...".


Video sobre o Marco Civil da Internet.

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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

terça-feira, 15 de outubro de 2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Revivendo: A Educação começa em casa

Uma das teclas que tenho mais batido desde o começo desta página é a da educação. O conceito que eu abordo é diferente do que é ensinado em escolas, onde se formam profissionais, e não humanos. Sem percebermos, absorvemos tudo o que nos é empurrado nessas fábricas de técnicos, e acabamos sem um pensamento crítico, que é vital se queremos deixar de ser meros animais.
O modelo educacional que temos hoje foi criado na época da Revolução Industrial, e portanto, segue o molde de indústria, onde a matéria prima entra em uma produção em linha, para sair o resultado desejado. Aqueles que apresentam algum defeito de fabricação são descartados, escondidos do resto da população, pois são vistos como falhas. Talvez seja a hora de mudar e observar que talvez sejamos nós, a sociedade, que falhamos ao entendê-los.
Com a chegada da Internet, estamos descobrindo que não existe mais um padrão universal de estudo, pois cada um tem seu jeito de aprender e um assunto que mais lhe interessa. Ao disponibilizarmos a informação, descobrimos que existem aqueles que vão atrás, e que fazem estudos cada vez mais aprofundados sobre o que lhes atrai. O resto, em muitos casos não sabe deste recurso, ou está tão preso na estrutura que criamos, que lhes falta oportunidade de mudanças. Aos poucos, no entanto, podemos mostrar-lhes que existe um caminho.
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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Recordadndo: Quem seria o inimigo?

Apesar de todos os conflitos do passado, com a tecnologia e informação que temos hoje, podemos traçar pontos em comuns entre eles, procurando por uma possível causa em comum, facilitando nossa vida ao combate-la. Algumas pessoas notam mais claramente, outras podem levar mais tempo, tudo depende do quanto estão cientes de seu papel neste campo de guerra. E justamente por terem um papel, as pessoas não notam que seu maior inimigo não é um ou mais governos, coorporações ou bancos, mas está muito mais próximo do que imaginam.
Quando governos são criados, são as pessoas que os eleguem, e são elas que os destroem. Quando uma empresa é criada, as pessoas que trabalham nela que estabelecem que direção ela deve seguir. Quando o dinheiro foi criado, foram as pessoas que o distribuiram e passaram a usá-lo. Podemos notar que nosso maior inimigo não está lá fora, mas dentro de nós mesmos, pois são nossas decisões que criam e influenciam o mundo.
Sim, pessoas podem ser influenciadas, mas elas somente o são se não tem informações suficientes. Sem saber como as coisas funcionam, sem ter idéia de que existem entrelinhas em contratos, elas são facilmente enganadas e direcionadas para onde aqueles que tem o conhecimento querem. E num mundo financeiro, como se impressionar se esta é a direção do lucro? Mas para mudarmos, não precisamos de uma revolta armada. Não precisamos nem mesmo de protestos. Precisamos apenas nos conhecer, e mudar nossa mentalidade.
Ao invés de almejar uma economia que cresce infinitamente, podemos almejar uma que se renove ao máximo. Podemos também procurar uma vida mais simples e com mais qualidade, ao invés de uma complexa e com relações duvidosas. Assim como começamos a fazer trocas, podemos começar a compartilhar, deixando para trás certos legados que apenas nos atrasam. Mas tudo isto depende de cada um, de tornar isto parte de sua vida, de procurar alternativas para o que nos é empurrado por uma sociedade presa ao passado. Assim teremos chance de fazermos as passes com nosso maior inimigo, e encerrarmos uma luta milenar.:-)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Relembrando: Nossa Cabeça

Para finalizar o tópico sobre o modelo SCARF, que muitos usam como base para a liderança, mas que foi baseado em estudos recentes do cérebro no meio social (encontre aqui as partes 1, 2, 3 e 4), vou falar sobre a igualdade. Para começar, vamos ver porque muita gente associa este conceito com o da justiça e qual a influência disso na nossa sociedade, depois vamos analisar o que é realmente ser igual e, finalmente, de onde vem nossa propensão para procurarmos este ponto comum. Com isto, teremos um maior entendimento do porque certos aspectos de nossa sociedade estão em conflito desde seu começo, e talvez resolver estes problemas, que alguns não consideram "justos". 
Como podemos observar em seu conceito, a justiça cobre apenas alguns aspectos da igualdade, restringindo seu foco. Isto pode ser visto na ênfase em pontos de vista como direito e dever, enquanto outros como oportunidade de vida e serviço básico de infraestrutura, apesar de comentados, não possuem tanto espaço. É como o efeito visto em certas religiões ocidentais e orientais, onde a ideia passada sobre justiça tenta ser similar à igualdade, mas pode acabar parecendo outra coisa. Muitas vezes não vemos que nosso conceito de justiça, seja ele constitucional, religioso ou pessoal, é apenas um aspecto de toda a gama de comparações existentes.
Por nossa cabeça ter esta afinidade por igualdade, qualquer que seja o ponto de vista sendo analisado, existe a possibilidade de entrarmos em conflito com a justiça. E isto representa um grande problema em nossa sociedade.
Uma das influências que nossos conceitos tem na sociedade começam já na linguagem. Um exemplo clássico é quando se ouve a frase: "Não é justo alguns terem tanto e outros tão pouco." Justiça, neste caso, tem pouco a ver com o fato, já que ela se refere a direitos e deveres. Se as pessoas que tem muito conseguiram seus bens dentro da lei, a frase deveria ser "É desigual alguns terem tanto e outros tão pouco". Pode parecer que não é uma grande diferença, mas a linguagem tem sua influência na cultura. Outro exemplo mais prático, e que reflete a influência da linguagem no comportamento, é quando aparecem protestos para modificações de leis pedindo mais direitos. Direitos nada mais são do que possibilidades do que se pode fazer, não são oportunidades e muito menos igualdades. Todos termos direito à moradia não significa necessariamente que todos terão sua casa, ainda mais quando o sistema impõe que para ter seu cantinho, a pessoa precisa de dinheiro. Ou seja, antes da pessoa ter a oportunidade de ter alguma coisa na sociedade ela precisa contribuir. Mas para contribuir, ela precisa da oportunidade de ter alguma coisa, como alimentação e educação, por exemplo.
Este paradoxo é baseado em nosso equívoco de que justiça é igualdade, e de a tratarmos assim, enquanto que na verdade ela é apenas um ramo. Portanto, nosso conceito de justo não diz respeito à gama enorme que imaginamos, pois é restrito ao aspecto constitucional. Nossa cabeça, no entanto, não se restringe à este ponto de vista, e aponta constantemente nossas diferenças com outras pessoas. E, enquanto o avanço da ciência vai mostrando que nosso próprio corpo é mais igualitário do que parece, a resposta para nosso comportamento e afinidade com a semelhança pode estar no papel que os milhões de anos de evolução tiveram em nossa espécie. Afinal, para saber como chegamos no estado atual, precisamos nos habituar a viajar pela história e analisar o que nossa espécie fez pela maior parte do tempo que passou no planeta. Para aqueles que não conseguem visualizar o que isto representa para nossa espécie, Jared Diamond ilustrou bem quando escreveu: "Suponha que um arqueólogo que visitou o espaço sideral estivesse tentando explicar a história humana para outros colegas do espaço. Ele poderia ilustrar os resultados de suas escavações através de um relógio de 24 horas, onde cada hora representa 100.000 anos de intervalo de tempo. Se a história da raça humana começou à meia-noite, então nós seríamos agora quase o final do nosso primeiro dia. Nós vivemos como caçador coletor por quase todo esse dia, da meia-noite ao amanhecer, do meio-dia ao pôr-do-sol. Finalmente, às 23h:54m nós adotamos a agricultura."
Enquanto passamos milhões de anos andando pelo planeta em pequenos grupo, e que não sabíamos sua extensão ou quem eram seus residentes, nos acostumamos a achar padrões com as quais nos identificássemos para conseguirmos sobreviver. Éramos mais desconfiados pois tudo era novidade, e fomos descobrindo à duras penas ao longo do tempo que até mesmo seres fisicamente iguais a nós podiam ser traiçoeiros, se as condições se apresentassem. Nossa definição de igualdade foi, ao longo do tempo, se restringindo a certos aspectos cada vez mais limitados, pois qualquer coisa diferente ameaçava a sobrevivência da espécie. Mas paralelamente com toda esta desconfiança, fomos descobrindo também do que somos feitos e qual nossa relação com o mundo. Mesmo sem consciência do que estávamos fazendo, criamos um elo com a natureza de tal forma que nos sentimos confiantes o suficiente para tentar ficar no controle, modificando-a de acordo com nossa vontade. Mas como estamos descobrindo, não é tão fácil quanto parece, e os resultados podem ser desastrosos se não prestarmos mais atenção e continuarmos agindo como crianças mimadas.
Tivemos uma estrutura social em harmonia com nosso ambiente pela maior parte de nossa existência, onde aprendemos muito sobre ele e sobre nós, apesar de não notarmos. Apenas recentemente desviamos o caminho e, ultimamente, temos notado de uma forma mais clara as consequências deste desvio. Voltar para a estrutura antiga não é tão difícil quanto muitos presumem, nem tão perigosa. E com o conhecimento que adquirimos nos últimos milênios, podemos aprender com nossos erros, adaptando nosso progresso e nossa nova mentalidade. Estamos descobrindo que somos realmente capazes de transformar este planeta no que sempre sonhamos: um paraíso.
Basta apenas termos este objetivo.
:-)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Relembrando: Escravidão

Já comentei em algum post passado que um dos problemas de ser especialista é que eles se concentram tanto em um ponto, que não conseguem olhar ao redor para achar a solução, mesmo quando os próprios repetem inúmeras vezes qual é a verdadeira raiz do problema. O vídeo do Kevin Bales no TED é o exemplo perfeito disso. Como sempre, peço que olhem o vídeo antes de continuarem lendo, para não serem (ainda mais) influenciados pelas minhas críticas sobre ele. Se quiserem, podem olhar depois de novo, acho que seria mais interessante ver o que acham e depois comparar com o que vou falar. Esse é um dos caminhos para o pensamento crítico. :-)
Um dos maiores especialistas sobre escravidão no mundo, e ainda assim parece que não entende o conceito da palavra contra a qual tanto luta. No conceito clássico, era conhecido como a propriedade sobre outro ser humano mantida através da força. Entretanto, com o passar do tempo, descobriu-se que pode-se prender as pessoas de outra forma, sem usar a violência. Assim a definição foi atualizada, mas mesmo sem notar muito, ainda vemos como escravidão apenas aqueles sendo açoitados para trabalharem por um prato de comida. Talvez por não querermos encarar os fatos, mas se notarmos, somos escravos de muitas coisas em nosso dia-a-dia. Nesse post, vou ficar no exemplo do emprego, que imagino já dar bastante pano pra manga.
Assim que assinamos um contrato em alguma empresa, estamos nos tornando propriedade daquela companhia. Se você acha que não, talvez seja a hora de pensar novamente e rever seus conceitos. Antes que venham dizendo que “ah, mas isso não pode porque o exemplo é feio”, peço para que pensem de novo. Seja qual for o caso, no momento que a “vida profissional” dita as regras da “vida social”, é porque você deixou de ser livre e passou a pertencer àquela empresa em particular.
Claro, ainda existe o argumento de que “foi você que assinou o contrato, por livre e espontânea vontade”. Nesse caso vou citar o Kevin, que explicou bem o ponto na palestra: “Ao redor de todo o mundo, foi-me dito quase sempre a mesma história. As pessoas falam: “Eu estava em casa, alguém chegou na vila, pararam na parte de trás do caminhão e disseram, 'Eu tenho trabalho, quem precisa de trabalho?' E eles fizeram exatamente o que você ou eu faríamos na mesma situação. Eles falaram 'O cara pareceu meio suspeito. Eu estava desconfiado. Mas meus filhos estavam com fome. Nós precisávamos de remédios. Eu sabia que tinha que fazer o que desse para ganhar algum dinheiro para sustentar as pessoas que eu me importo””. Se ainda não notaram, se perguntem: existe alguma forma de viver na sociedade hoje em dia sem emprego? Se isolar e ir para o meio do mato, por mais paradisíaco que seja, não resolve o problema. É só um adiamento e uma chance para ele aparecer de surpresa e mais preparado.
A alguns séculos já que estamos nos colocando nessa arapuca. Muitas pessoas que antes eram livres, foram
aprisionadas ou então iludidas por promessas que pareciam maravilhosas no começo, mas que logo mostraram a dura realidade. Assim, com o crescimento da população, o valor da vida foi caindo, e como o Kevin falou na palestra, hoje em dia está muito barato ter alguém trabalhando para você. Se a pessoa reclama do salário, o empregador não precisa pensar muito, pois na porta estão inúmeros outros, tão qualificados ou até mais, se oferecendo para trabalhar por menos do que você. E isso não é um problema de um ou outro país, mas da cultura que o mundo inteiro resolveu seguir à milênios, porque naquela época parecia a melhor coisa a ser feita. Mas as coisas mudam e o que era ideal, deixou de ser.
Ainda devem existir aqueles que acham que ter seu próprio negócio é a salvação da lavoura, pois são os donos do próprio nariz. Que ótimo que vocês não pagam taxas, nem precisam se manter contantemente no lucro para sobreviver. Mas piadas a parte, este é o ponto que eu acho que o Kevin perdeu a noção do que ele faz, e de como ele vê a escravidão. Inúmeras vezes durante a palestra ele cita cifras, dizendo o quanto vale o ser humano, quanto é preciso para libertar as pessoas e, inclusive, ele fez o cálculo de quanto seria necessário para libertarmos todas as pessoas da escravidão clássica com que ele está acostumado. O mais curioso é que ele chega a dizer que esse dinheiro não vai ser usado para comprar o escravo diretamente. Ele é usado em projetos para reintegrar essas pessoas na sociedade, justamente porque se comprasse direto "seria como se pagássemos o ladrão por nossa televisão que foi roubada". E é ai que meu queixo cai.
Como alguém me diz que o problema é justamente cortar o lucro do ladrão, e ao mesmo tempo não faz nada para isso? Tirar os escravos, forçar a mudar de ramo, ou aprisionar o cara não vai adiantar nada se o sistema ainda é o mesmo. Enquanto existir um motivo para ter lucro, vai existir a vontade de se conseguir ele rápido e fácil. Enquanto ainda existir a idéia de que se pode lucrar com a desgraça alheia, ainda vão se achar os meios para isso. E se mais de três mil anos de leis ensinaram algo, ou espero que tenham ensinado, é que elas não impedem o crime. Elas simplesmente agem como uma forma de vingança, fazendo com que o perpetuador simplesmente tome mais cuidado, não que mude sua mente. É empurrar a sujeira par debaixo do tapete, pois não estamos reeducando ninguém. A não ser que se considerem as prisões como universidades do crime, mas acho que se chegamos nesse ponto, está mais do que na hora de reavaliarmos a estrutura da sociedade. Não sei vocês, mas eu não gosto de ficar com medo da sombra quando caminho por ai.
E para aqueles que estão com o dedo tremendo para apontar para alguém, espero que tomem a consciência de apontarem para si mesmos primeiro. Enquanto as pessoas não abrirem os olhos para o que realmente acontece, e continuarem sem informações e iludidas, vamos continuar seguindo o mesmo padrão. Então, antes de dizer que classe X ou grupo Y tem a culpa disso, comece a espalhar notícias e pesquisas, e incentive a leitura de livros. Assim, possivelmente vamos nos libertar de vez das prisões que nos cercam diariamente, não apenas trocar uma por outra.
:-)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Recapitulando: Chance ou Oportunidade

Ultimamente eu tenho visto que em muitos lugares ainda confundimos chance com oportunidade. Por exemplo, já vi amigos meus dizendo que as classes mais pobres estão na situação que estão por não aproveitarem as oportunidades, e assim sendo, mereciam continuar na mesma situação. Com um pouco mais de conversa, percebi que esta definição vinha justamente do sistema, que nos bombardeia constantemente com noções que, francamente, são totalmente distorcidas. Um dos pontos onde mais vejo isto é justamente no caso de chance contra oportunidade, onde nossos conceitos usados no dia-a-dia não fecham com o que temos no dicionário.
Para começar, então, vamos relembrar a definição, pro caso de alguns já terem esquecido. Chance é quando se tem uma probabilidade de um evento acontecer ou não. Um exemplo clássico de chance é a loteria, onde por mais bilhetes que se comprem, depende da sorte da pessoa ganhar ou não. Ou seja, a cada bilhete que ela compra, ela tem mais chances de ganhar o prêmio. Oportunidade, no entanto, é um pouco mais complicado de se definir. A Wikipedia define como sendo a "qualidade do que é oportuno". Dai quando se entra em oportuno, diz que é "aquilo que se faz facil ao momento". Pra quem não pegou, oportunidade, então, é a saída mais fácil para o problema, a primeira que a pessoa vê e tem forças de agarrar. Podemos dar o exemplo de oportunidade então, como uma pessoa que está morrendo de sede no deserto e chega a um oásis. Ela tem a oportunidade de ficar e aproveitar do lugar, ou pode continuar seguindo. Independente do que passou na cabeça dela naquele momento, só o tempo vai dizer qual decisão é a mais sábia.
Bom, com as definições mais frescas em nossa cabeça, fica mais fácil analisarmos certas situações em nosso mundo. Vamos ver primeiro o tópico que estava debatendo com meus conhecidos: educação. Para começar, podemos ver um clássico do sistema brasileiro, o vestibular. Muita gente tem a ilusão de que ele se trata de uma oportunidade, quando na verdade é uma questão de chance. Pode-se ver pelo número de vagas por candidato, que é sempre menor do que o requerido. Apenas por este fato, já se caracteriza como chance, pois depende das probabilidades de ter alguém que estudou mais que você. Ou seja, precisa de sorte para passar, não apenas competência. Para aqueles que ainda não conseguem ver isso, me respondam uma pergunta: se existissem 50 vagas, e 100 alunos tirassem a mesma nota máxima, quantos entrariam? Se algum deles ficou de fora, seja por sorteio, ordem alfabética ou qualquer outro filtro, já não é mais oportunidade, é chance.
Continuando, podemos analisar da mesma forma o sistema de ensino como um todo, desde a pré-escola até o segundo-grau (acho que agora se chama ensino médio). Muitos acham que as pessoas em escola pública tem as mesmas oportunidades daqueles em escola particulares. Descobri que isso até é verdade, mas normalmente fora do Brasil. Neste caso, o que acontece quando professores mal-remunerados, trabalhando em condições precárias, em prédios mal conservados e com material ultrapassado, quando existe, vão dar aulas? Apesar de terem existido melhoras no últimos anos, elas não são generalizadas e estão acontecendo muito lentamente. Acho que posso me arriscar a dizer que elas acontecem a cada quatro anos ou dois, não acham? Assim sendo, quais são as chances de alguém que passa por um ensino desses alcançar os mesmos patamares que sua contra-parte em uma escola particular? Vejam bem, não estou dizendo que não existem, estou dizendo que são poucos, pois as chances são baixas e não existem oportunidades para todos.
Ai entramos em outro ponto que ouço muito seguido. Por existirem escolas públicas, certas pessoas consideram que existem oportunidades para todos. Mas vamos analisar a vida do pessoal de classe mais baixa, para ver se realmente são oportunidades ou se são chances. Em um mundo voltado para o consumo, onde o status social, aparência e soluções rápidas prevalecem sobre os ideais, carater da pessoa e respostas mais analisadas, o que podemos esperar de uma classe que tem um mínimo de condições de estudo? Para alguém nesta realidade, um emprego fixo não oferece as mesmas oportunidades de enriquecimento do que outras opções, como drogas e assaltos. Além disso, para se ter um emprego é preciso ter um certo nível de escolaridade e, dependendo do caso, certas vestimentas específicas, que por não serem oferecidas tão livremente assim, servem de empecilho para alguns. Ainda mais se considerarmos que desde cedo é mais necessário estar na rua trabalhando para ajudar em casa, do que em uma escola. Atualmente, quase metade das adolescentes entre 15 e 19 anos e que recebem menos de meio salário mínimo tem filhos, e os motivos apresentados  pelos jovens para tal feito demonstram que as mensagens passadas pela sociedade para eles são alarmantes e totalmente contraditórias. Eles apenas propagam os problemas e desentendimentos que temos já presentes em nossa sociedade, não solucionam nem melhoram nada, na realidade.
O ponto em que eu vejo que discordo com a maioria é o de como solucionar o problema. Muitos ainda aplaudem a idéia de inventar mais leis e criar mais policiamento para punir o que vemos como comportamento errôneo. Os que vão atrás dessa solução normalmente só pensam nela por ser a única que conhecem, sem parar para analisar os avanços que a ciência fez nos últimos anos. Ao invés de gastar mais recursos para se tentar remover um produto da própria sociedade, que só irá retornar de outra forma se o fizermos, porque não analisarmos a fundo a causa?
Ao analisarmos o porquê as pessoas agem desse jeito, vemos que é porque as oportunidades legais apresentadas à elas não compensam o esforço, pois as ilegais trazem muito mais lucros, que é o que importa num sistema capitalista. Assim sendo, para oferecer o mesmo nível que as ilegais retornam, as legais precisariam ter salários exorbitantes, o que iria fazer com que o sistema cada vez mais se cobrisse de dívidas, pois teriam que tirar o dinheiro de algum lugar. Desta forma, para solucionar este problema, assim como muitos outros, precisamos mudar primeiro nossa mentalidade. Precisamos ver que, por mais egoístas que somos, no longo prazo, os problemas de nossos vizinhos irão invariavelmente virar os nossos, e portanto precisamos trabalhar juntos desde o começo para que isto não aconteça. E para tirar essa barreira que separam as classes e deixar que confraternizem seus conhecimentos e experiências, assim como dar as condições para que se crie um ambiente de cooperação, adivinhem o que precisa sumir de nossas vidas?
;-)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Resistência cultural

Considerar a existência da unanimidade é abraçar a loucura da padronização, capaz de reduzir a existência da humanidade. Vivemos em um universo repleto de diversidade, onde a pluralidade é a norma, com diversos aspectos para manter a vida. Ao aceitarmos apenas um ponto de vista, colocamos em risco toda a complexa criação, pois diminuimos a existência àquilo que se encaixa no padrão.
Acatamos leis abusivas criadas para o benefício de poucos, às custas de muitos, que por vezes, nem imaginam que estão sendo ofendidos. Pegamos empréstimos com juros exorbitantes e responsabilidades escravagistas, criadas com o intuito de prender toda uma família ou nação. Adotamos o nome de público para serviços de qualidade tão duvidosa, que precisamos pagar duplamente: uma com impostos, outra no particular.
Existem aqueles que estão tão acomodados com a situação atual, que querem que ela permaneça a mesma, pois diversos são os privilégios que irão perder. Mas para o resto do povo, a situação é contrária, porém se mantém na mesma por uma inércia que está começando a ser modificada. Finalmente estamos começando a nos mexer, fazer ouvir a nossa voz, e realizar a nossa vontade, nos transformando nos heróis e desbravadores que as histórias do futuro irão contar.
:-)

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Indo contra a maré

Dentro da própria cabeça, iremos questionar inúmeras vezes a validade das ações que tomamos, por sermos uma minoria em meio à multidão. Esquecemos que é desta forma que mudanças culturais acontecem, quando novos paradigmas são criados, sendo reconhecidos uma pessoa por vez. É um processo lento que nos faz praticar a paciência, dom esquecido no mundo atual, onde dizemos que o tempo é dinheiro, esquecendo que ele é nosso maior bem.
Ao deixarmos de rir de piadas racistas e sexistas, que reforçam esteriótipos que queremos mudar, demonstraremos uma transformação mental. Ao deixarmos de dar audiência à programas que exploram a violência e os problemas sociais, sem oferecer soluções, mostraremos compromisso com uma nova consciência. Ao deixarmos de comprar produtos pela marca que sustentam, estaremos indicando que preferimos qualidade, ignorando a ilusão da imagem.
Questionar os atos que criamos constantemente é uma tarefa árdua, que fará nosso ego criar desculpas e interrogações. Ao desconsiderarmos seus apelos, seremos capazes de encontrar as respostas que estão dentro de nós, aptas a saciar a mais feroz curiosidade. E ao aprendermos a ouvir a voz interior, descobriremos quem realmente somos, nos tornando peças únicas no incrível quebra-cabeças que é o universo.
:-)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O que irão dizer

Procuramos espalhar as vitórias e esconder as derrotas, como se estas fossem menos importantes para a formação do caráter da pessoa. Deixamos de dar o valor devido às dificuldades que enfrentamos e falhamos, desconsiderando o aprendizado adquirido no caminho. A construção de aspectos como a humildade são criados quando admitimos ter limites, mesmo que temporários, ou de que precisamos de ajuda.
Políticas de guerra, como a contra as drogas, tem demonstrado resultados opostos aos esperados, necessitando uma revisão por parte de toda a população. A utilização de leis e da força bruta deixaram de ser os meios para se educar um povo, sendo imprescindível uma modificação no orçamento do país. Abandonar o ensino público para meios de comunicação que vivem do lucro de anunciantes tem criado consumidores fúteis, abdicando da mentalidade cidadã relevante.
Agimos em bandos por termos medo do isolamento, e do fim que ele pode levar, sem notarmos que a degradação da consciência pode ter o mesmo desfecho. Sabemos o que devemos fazer, mas evitamos o enfrentamento com o grupo, na esperança de que apareça algum salvador para atuar em nosso favor. Esquecemos, entretanto, que somos os principais personagens desta realidade, um tão importante quanto o outro, donos do próprio destino.
:-)

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Estão nos julgando

Por termos o hábito de julgar os outros, ficamos com a impressão de que todos são assim, e que somos analisados constantemente. Investigamos sem o menor escrúpulo a vida de indivíduos que estão debaixo de holofotes, esquecendo que também são seres humanos. Extrapolamos os limites da curiosidade fazendo o mesmo com as pessoas ao nosso redor, criando pré-conceitos que acabam se tornando fatos que aceitamos como verdades.
Desrespeitamos os mais necessitados por sentenciá-los baseando as decisões em esteriótipos, sem conhecer sua história pessoal. Abdicamos de tempo para cuidar de ações particulares daqueles que tentam nos entreter, deixando de aperfeiçoar nossa própria existência. Abandonamos a responsabilidade de tomar decisões relevantes, ao seguirmos indicações de celebridades em anúncios, esquecendo que esta é a profissão delas.
Criamos seitas e cultos à produtos da moda, por medo de sermos isolados do convívio social sem possuirmos tais artifícios. Desistimos do pensamento crítico ao regurgitar palavra por palavra as propagandas que são criadas para vender os utensílios. E assim como as mercadorias, certas tendências culturais são passadas de geração para geração como uma religião, sem a devida reflexão sobre seu papel na sociedade.
:-)