Quem tem acompanhado os posts (1 e 2) deve ter adivinhado ontem ainda que esse seria sobre mais um dos vícios que nossa mente tem quando inserida em sociedade, e que ele seria sobre posição social, o famoso status.
Diferente do que muitos pensam, ter diferenças sociais na sociedade não é algo tão velho quanto o próprio homem, sendo algo criado recentemente quando se compara toda a existência humana no planeta. Ao notarmos que essas diferenciações apareceram junto ou logo após a descoberta da agricultura, podemos entender mais o porque muitas pessoas dizem que este foi o pior erro que cometemos e da qual não se recuperamos até hoje. Além dos motivos de saúde, a prática aparentemente criou o comércio, que por sua vez gerou as classes sociais, dividindo as pessoas pelos bens materiais que possuiam. Ao se analisar estudos feitos sobre a relação entre o posicionamento social e a saúde, ou a inteligência, podemos chegar a conclusão de que essa segregação começou por causa de um fator bem conhecido nos dias atuais, mas que nossos antepassados nômades talvez não estivessem tão familiarizados: a autoestima.
A criação da agricultura (com todas suas consequências) pode ser visto como um reflexo ao medo, pois trocamos todas as opções de alimentos do mundo pela segurança de um prato de comida. E enquanto animais irracionais - aqueles que não sabem (ou não se importam) que vão morrer - são aprisionados por grades, os racionais o são pelo medo. Para ter um escravo humano, precisamos apenas descobrir o que ele mais teme que o teremos praticamente na palma da mão, pois o único jeito dele se libertar é sobrepujando o próprio medo, que por incrível que pareça, é mais difícil do que escapar de prisões físicas. Posso até ser preso fisicamente por dar esta dica, mas para escapar dessa prisão psicológica a melhor ferramenta é a informação, pois ela mostra que nosso medo pode ser infundado. E se tiver fundamento, ainda podemos usá-la para contornar a situação, achando alternativas que diminuam o impacto do problema e nos auxiliando em seu tratamento.
A decisão de nossos antepassados de se render ao medo deu início à uma corrente que vivemos até hoje, pois baixa autoestima nada mais é do que o medo de rejeição, seja da sociedade, de um grupo, de uma pessoa ou, em última análise, de nós mesmos. E por eles, mesmo sem perceber, terem dado este passo, fomos aos longo do tempo perdendo cada vez mais a confiança em nós mesmos, ficando mais dependentes de outros, nos submetendo à suas decisões por mais egoístas que sejam . Mas podemos notar como é fácil de se reverter este quadro, quando fazemos açoes que diminuem as diferenças sociais ou ajudando os menos favorecidos, vemos os resultados aparecendo na sociedade.
Mas embora algumas pessoas já tenham decidido tomar um rumo diferente do que nossos ancestrais, ainda temos bastante a fazer, pois os problemas criados nos últimos dez milênios não irão desaparecer do dia para noite simplesmente porque queremos. Precisamos arregaçar as mangas e trabalhar para desfazer o que todos estes anos de medo e baixa autoestima causaram, começando com o compartilhamento de informações e a criação de uma mentalidade crítica. Somente sabendo pensar por nós mesmos e dar valor ao que realmente interessa é que vamos dar um passo mais consciente em direção à construção de um futuro mais sustentável.
:-)

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