terça-feira, 29 de junho de 2010

Liberdade do Corpo

A maneira como aprisionamos animais irracionais é bem simples, e não requer muita engenhosidade ou conhecimento. Dependendo do bicho, um pedaço de corda mais resistente faz o serviço muito bem, deixando-o à nossa mercê. Com a evolução, conseguimos descobrir como escapar deste tipo de prisão e de muitas outras, sendo necessário algo muito engenhoso e fortificado para prender nosso corpo. Mas isso apenas se nossa mente está desperta, senão temos o mesmo destino que qualquer ser de abate. Porém, obstáculos físicos não são os únicos que constituem uma prisão para o nosso corpo.
Um exemplo fácil de ver e entender são vícios, que nublam nossa percepção do mundo, servindo exatamente como uma prisão. Uma vez criado o hábito de termos eles em nossos corpos e mentes, o trabalho para se livrar é muito maior. A falta deles nos altera de tal maneira que mal conseguimos pensar para agir, nos entregando em grande parte à irracionalidade. Normalmente eles são associados com substâncias que ingerimos e que causam algum estrago direto, mas existem também aquelas que não apenas são aceitas pela sociedade, mas são aplaudidas e encorajadas. Elas nem sempre são de ingestão, mas sempre causam estragos que podem demorar para aparecer, mas que são mais devastadores do que cigarros e bebidas. Ao invés de acabar com a vida de apenas uma pessoa ou família, eles acabam com populações inteiras. E em certos casos, se insistirmos em continuar com eles, estamos, como espécie, tão passíveis de termos uma morte prematura quanto qualquer doente em fase terminal.
Um desses vícios que podem acabar com populações e espécies inteiras é o de comer carne. Apesar de algumas pessoas defenderem seu consumo com unhas e dentes, o fato de que precisamos de praticamente dez vezes mais água para criar um quilo de carne do que para se produzir um quilo de vegetal, continua. Se este ponto não é suficiente, ainda temos outros, como o desmatamento causado para acomodar esta indústria, a poluição causada pelos dejetos, a energia gasta durante o processo de criação e, claro, os malefícios da ingestão e digestão, ainda mais quando o produto é processado.
E não são apenas forças externas que fazem com que fiquemos viciados. Sentimentos nos prendem e nos cegam tanto quanto qualquer outro material. Podemos constatar isto nos jornais todos os dias, onde as pessoas apelam para seu lado mais primitivo para resolver o que veem como um problema. Uma parte dos comportamentos violentos que acontecem são porque é dado valor demais ao sentimento, e quando ele não é correspondido ou satisfeito, acaba tendo o mesmo fim de qualquer outro vício. Amor, medo, ódio e coragem são os que mais chegam nas primeiras páginas, com o resto de toda gama.
Enquanto não tomarmos o controle sobre o corpo, seremos escravos de tudo o que consumismos, pois no momento que eles faltarem, farão nosso corpo emitir sinais de alarme, diminuindo nossa capacidade de raciocinar. Não é uma tarefa fácil, mas enquanto não vermos que certas prisões podem ter um aspecto tão convidativo quanto um carro luxuoso, um celular novo, ou uma roupa de marca, vamos continuar entrando nessas cadeias de livre e espontânea vontade.
:-)

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