segunda-feira, 21 de junho de 2010

Influências da Infância

Tempos atrás, escrevi um post perguntando se cada um tem idéia do quanto de si são influências externas, e quanto é a própria pessoa. Vejo hoje que tentei colocar muita informação em apenas um texto, o que deve ter causado certas confusões, além de não ter explicado direito o que pretendia passar. Então, aproveitando que semana passada estava escrevendo sobre as perguntas que eu vejo que deveríamos fazer mais seguido, vou voltar com o tópico de quem somos. E para começar, vamos observar as influências que temos em nossa infância.
O primeiro exemplo que vem em minha cabeça é o dado pelo Jacque Fresco quando ele esteve em Londres no encontro quinzenal do grupo Zeitgeist. O relato dele de como ensinou os filhos a lerem me deixou muito interessado, tanto pela engenhosidade quanto pela simplicidade. Segundo ele, desde cedo lia histórias infantis para seus rebentos, na hora de dormir. Para instigar a curiosidade e a vontade de ler, sempre que chegava em alguma parte mais emocionante, que sabia que os pequenos estavam prestando mais atenção, ele parava de ler alegando que estava cansado. E não só isto, ele deixava o livro, com a página marcada, do lado da cabeceira das crianças que, curiosas, começaram a tentar associar os desenhos com a escrita, enchendo-o de perguntas no outro dia.
Exemplos como este mostram que, dependendo da educação que temos em nossos primeiros anos neste planeta, teremos maiores ou menores afinidades com certos assuntos quando crescermos. Isto pode ser visto de forma mais ampla quando analisamos a cultura de um povo, que passa as mais variadas tradições para as novas gerações. Desde o suporte por um time esportivo específico, até a forma como nos relacionamos com outras pessoas, praticamente tudo pode ser associado à maneira como fomos criados em nossa infância. E enquanto alguns aspectos são aceitos sem protestos, outros são motivos de questionamento, seja por entrarem em conflito com outras informações, ou por nos serem empurrados de maneiras que não gostamos.Por termos influências desde que nascemos, vejo que é cada vez mais importante tirarmos um tempo para nos perguntarmos quem realmente somos. Nos despir de todas essas camadas colocadas sobre nós não é uma tarefa fácil, requer concentração e dedicação. Somente assim teremos a chance de descobrir mais sobre nós mesmos, de fazer as perguntas pertinentes e que podem nos levar à uma resposta mais próxima da realidade. Enquanto continuarmos vivendo sob o peso de culturas passadas, aceitando-as como nossa única identidade, não seremos nada mais do que cópias, e não teremos vivido nossa vida do nosso jeito.
Em busca da nossa verdadeira identidade, certamente iremos nos surpreender com as informações que iremos achar. Certos aspectos parece que já sabemos, mas não estamos completamente cientes deles. Quanto mais perguntas fizermos, mais iremos nos espantar com o estilo de vida que estamos levando e propagando para novas gerações, muitas vezes sem notarmos os malefícios que estão agregados à ele. E enquanto não soubermos quem realmente somos, seremos alvos mais fáceis daqueles que sabem e querem se aproveitar, nos influenciando e nos tornando escravos sem percebermos.
:-)

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