sexta-feira, 18 de junho de 2010

O silêncio dos desinformados.

Um dos aspectos que eu considero que falta na maioria das culturas do mundo é o investigativo. Nos acostumamos a receber as respostas das gerações anteriores sem fazer nossas próprias perguntas. Talvez imaginamos que elas já tenham sido feitas, ou que a resposta dada tenha sido escrita em rocha, e se tornado imutável para todo o sempre. Parece que ainda não aprendemos que tudo neste universo muda. Mesmo com milênios de história para pesquisar e aprender, com nossa tecnologia avançando cada vez mais rapidamente, ainda nos apegamos à antiga estrutura social de nossos antepassados, defendendo-a com unhas e dentes. Os motivos de fazermos isto também merece suas perguntas, que raramente aparecem em nossos pensamentos.
Seja por uma característica de nossa mente que mal descobrimos, seja por uma comodidade consciente, por termos sido treinados desta maneira, ou até mesmo por falta de informação mesmo, as probabilidades de que iremos fazer alguma pergunta que realmente represente mudanças são baixas. E na maioria das vezes, nem percebemos isto. Perguntamos que tipo de legislação deve ser criada, que punição ou proibição devemos aplicar. Mas raramente paramos para analisarmos os reais números e estudar sobre a eficácia deste tipo de sistema. O mesmo acontece em outros casos, onde nos perguntamos sobre conhecimentos populares, mas não sobre uma atualização deles; ou quando nos perguntamos sobre em quem deveríamos colocar a culpa, sem querer saber sobre acidentes e nossa própria responsabilidade; ou até mesmo quando nos perguntamos que tipo de desculpa usar para nos manter na mesma situação, sem querer analisar seriamente sobre a possibilidade de outras. O mesmo acontece quando tentamos entender os motivos que nos levam a não ver as perguntas mais sérias. Nos perdemos em detalhes com as quais nos acostumamos durante a vida, mas que em última análise, não são realmente importantes. Estes pontos foram colocados em nosso caminho no passado e não paramos para constatar sua validade nos dias atuais. Podemos dizer que são pedras que nos acostumamos a carregar em nossos sapatos, sem nunca nos perguntar se não seria melhor pararmos para tirar elas de lá.
O mundo que conhecemos foi criado por nossos antepassados, pessoas como nos, e portanto pode ser mudado por nós também. Mas quando foi a última vez que nos perguntamos para onde estávamos indo? A cada quatro anos somos obrigados a ao menos considerar esta pergunta, mas como era de se esperar, ela é distorcida para que continuemos a nos segregar e não notar que apenas juntos iremos resolver os problemas. E isto não é culpa de uma pessoa ou organização, mas de toda a cultura que foi acumulada durante milênios. Talvez esteja na hora de começarmos a nos perguntar mais sobre nossa própria vida, começando com a velha conhecida: você sabe quem é?
:-)

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