"Ele não ouve, não fala nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política." Assim começa a descrição da comunidade Repúdio à Ignorância Política no Orkut que, com seus mais de 59.000 membros, promovem o debate político. Um assunto que algumas pessoas odeiam, mesmo sem perceberem que participam e até incentivam o mesmo quando conversam com amigos. A definição é tão abrangente que pode tratar desde negócios internacionais entre governos até o bate-bola de rua dos moleques ou a corrida de F1 do domingão. Então, não é de se admirar a confusão e desânimo que a palavra trás, ainda mais quando os "profissionais" da área transformam o conceito em um defeito.
A etimologia nos leva a entender que significa "teoria da comunidade" (polis = cidade, comunidade), e que no começo era um assunto restrito à poucos. Apesar do conceito de cidadania ter aumentado constantemente, o de política se restringiu após uma breve expansão. Hoje em dia, de uma maneira geral, consideramos política apenas o que é relacionado com governos, esquecendo que tudo o que está incluso numa sociedade faz parte também, inclusive a fofoca entre vizinhas e piadas de boteco. Mas mesmo sabendo toda a abrangência que a palavra tem, muitos ainda se focam em pontos particulares, tratando dos problemas da sociedade como se fossem a bola de uma partida de futebol chata de pernetas, onde cada partido é um jogador e os times são os clássicos: esquerda e direita. Por isso, ao se entrar em comunidades políticas em redes sociais se vê muito debate sobre que partido é o melhor, porque o atual regente é uma porcaria e coisas do tipo. Mas será que este debate leva a algum lugar?
Para explicar melhor meu ponto de vista, vou fazer outra metáfora: Considerem que o processo de politização de uma pessoa é uma caminhada. Uma jornada feita a pé, onde nosso nascimento é o momento em que estamos sentados no sofá, começando a pensar no caminho a fazer. Debater sobre partidos é simplesmente o ato de se levantar do sofá: é quando tomamos consciência que precisamos fazer alguma coisa, é quando sentimos a vontade de nos mexer, mas ainda não demos o primeiro passo efetivamente. E provavelmente, muitas pessoas não dão o primeiro passo porque na frente delas está algo que as segura paradas, e que muitas vezes as colocam de volta sentadas no sofá: a televisão. Enquanto alguns voltam a posição inicial e consideram que política é uma bobagem e não deveriam perder o tempo com ela, outras ficam eternamente paradas de pé, sem se mexer, mas com a impressão de sempre estarem indo à algum lugar.
Mas, claro, existem aquelas pessoas que conseguem dar o primeiro e mais difícil passo. Aquelas que vêem que todos temos pontos em comum (alimentos de qualidade, em quantidade e ter saúde, por exemplo), e que não precisamos ficar competindo por eles. Essas conseguem ver que segregações, sejam de time, raça, classe, religião, partido ou pátria, não resolvem problemas. Elas vêem que, enquanto não abordarmos as causas reais dos problemas sociais, não interessa se partido X ou Y ganha a eleição, pois as mãos dos eleitos continuarão amarradas nas tradições que ainda mantemos. Também vêem que a libertação dessas laços dificilmente virá dos "escolhidos pelo povo", pois apesar de que pudessem se tornar reais exemplos a serem referenciados com orgulho, são os que mais tem a perder materialmente se o fizessem. Aquelas pessoas que dão o primeiro passo no caminho da politização, e conseguem sair de casa encontram a liberdade para parar, pensar e analisar como estão vivendo, e mudar de vida se necessário.
Dizem que este é o primeiro passo para um possível avanço.
:-)

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