Um dos maiores especialistas sobre escravidão no mundo, e ainda assim parece que não entende o conceito da palavra contra a qual tanto luta. No conceito clássico, era conhecido como a propriedade sobre outro ser humano mantida através da força. Entretanto, com o passar do tempo, descobriu-se que pode-se prender as pessoas de outra forma, sem usar a violência. Assim a definição foi atualizada, mas mesmo sem notar muito, ainda vemos como escravidão apenas aqueles sendo açoitados para trabalharem por um prato de comida. Talvez por não querermos encarar os fatos, mas se notarmos, somos escravos de muitas coisas em nosso dia-a-dia. Nesse post, vou ficar no exemplo do emprego, que imagino já dar bastante pano pra manga.
Assim que assinamos um contrato em alguma empresa, estamos nos tornando propriedade daquela companhia. Se você acha que não, talvez seja a hora de pensar novamente e rever seus conceitos. Antes que venham dizendo que “ah, mas isso não pode porque o exemplo é feio”, peço para que pensem de novo. Seja qual for o caso, no momento que a “vida profissional” dita as regras da “vida social”, é porque você deixou de ser livre e passou a pertencer àquela empresa em particular.
Claro, ainda existe o argumento de que “foi você que assinou o contrato, por livre e espontânea vontade”. Nesse caso vou citar o Kevin, que explicou bem o ponto na palestra: “Ao redor de todo o mundo, foi-me dito quase sempre a mesma história. As pessoas falam: “Eu estava em casa, alguém chegou na vila, pararam na parte de trás do caminhão e disseram, 'Eu tenho trabalho, quem precisa de trabalho?' E eles fizeram exatamente o que você ou eu faríamos na mesma situação. Eles falaram 'O cara pareceu meio suspeito. Eu estava desconfiado. Mas meus filhos estavam com fome. Nós precisávamos de remédios. Eu sabia que tinha que fazer o que desse para ganhar algum dinheiro para sustentar as pessoas que eu me importo””. Se ainda não notaram, se perguntem: existe alguma forma de viver na sociedade hoje em dia sem emprego? Se isolar e ir para o meio do mato, por mais paradisíaco que seja, não resolve o problema. É só um adiamento e uma chance para ele aparecer de surpresa e mais preparado.
A alguns séculos já que estamos nos colocando nessa arapuca. Muitas pessoas que antes eram livres, foram
Assim que assinamos um contrato em alguma empresa, estamos nos tornando propriedade daquela companhia. Se você acha que não, talvez seja a hora de pensar novamente e rever seus conceitos. Antes que venham dizendo que “ah, mas isso não pode porque o exemplo é feio”, peço para que pensem de novo. Seja qual for o caso, no momento que a “vida profissional” dita as regras da “vida social”, é porque você deixou de ser livre e passou a pertencer àquela empresa em particular.
Claro, ainda existe o argumento de que “foi você que assinou o contrato, por livre e espontânea vontade”. Nesse caso vou citar o Kevin, que explicou bem o ponto na palestra: “Ao redor de todo o mundo, foi-me dito quase sempre a mesma história. As pessoas falam: “Eu estava em casa, alguém chegou na vila, pararam na parte de trás do caminhão e disseram, 'Eu tenho trabalho, quem precisa de trabalho?' E eles fizeram exatamente o que você ou eu faríamos na mesma situação. Eles falaram 'O cara pareceu meio suspeito. Eu estava desconfiado. Mas meus filhos estavam com fome. Nós precisávamos de remédios. Eu sabia que tinha que fazer o que desse para ganhar algum dinheiro para sustentar as pessoas que eu me importo””. Se ainda não notaram, se perguntem: existe alguma forma de viver na sociedade hoje em dia sem emprego? Se isolar e ir para o meio do mato, por mais paradisíaco que seja, não resolve o problema. É só um adiamento e uma chance para ele aparecer de surpresa e mais preparado.
A alguns séculos já que estamos nos colocando nessa arapuca. Muitas pessoas que antes eram livres, foram
aprisionadas ou então iludidas por promessas que pareciam maravilhosas no começo, mas que logo mostraram a dura realidade. Assim, com o crescimento da população, o valor da vida foi caindo, e como o Kevin falou na palestra, hoje em dia está muito barato ter alguém trabalhando para você. Se a pessoa reclama do salário, o empregador não precisa pensar muito, pois na porta estão inúmeros outros, tão qualificados ou até mais, se oferecendo para trabalhar por menos do que você. E isso não é um problema de um ou outro país, mas da cultura que o mundo inteiro resolveu seguir à milênios, porque naquela época parecia a melhor coisa a ser feita. Mas as coisas mudam e o que era ideal, deixou de ser.
Ainda devem existir aqueles que acham que ter seu próprio negócio é a salvação da lavoura, pois são os donos do próprio nariz. Que ótimo que vocês não pagam taxas, nem precisam se manter contantemente no lucro para sobreviver. Mas piadas a parte, este é o ponto que eu acho que o Kevin perdeu a noção do que ele faz, e de como ele vê a escravidão. Inúmeras vezes durante a palestra ele cita cifras, dizendo o quanto vale o ser humano, quanto é preciso para libertar as pessoas e, inclusive, ele fez o cálculo de quanto seria necessário para libertarmos todas as pessoas da escravidão clássica com que ele está acostumado. O mais curioso é que ele chega a dizer que esse dinheiro não vai ser usado para comprar o escravo diretamente. Ele é usado em projetos para reintegrar essas pessoas na sociedade, justamente porque se comprasse direto "seria como se pagássemos o ladrão por nossa televisão que foi roubada". E é ai que meu queixo cai.
Como alguém me diz que o problema é justamente cortar o lucro do ladrão, e ao mesmo tempo não faz nada para isso? Tirar os escravos, forçar a mudar de ramo, ou aprisionar o cara não vai adiantar nada se o sistema ainda é o mesmo. Enquanto existir um motivo para ter lucro, vai existir a vontade de se conseguir ele rápido e fácil. Enquanto ainda existir a idéia de que se pode lucrar com a desgraça alheia, ainda vão se achar os meios para isso. E se mais de três mil anos de leis ensinaram algo, ou espero que tenham ensinado, é que elas não impedem o crime. Elas simplesmente agem como uma forma de vingança, fazendo com que o perpetuador simplesmente tome mais cuidado, não que mude sua mente. É empurrar a sujeira par debaixo do tapete, pois não estamos reeducando ninguém. A não ser que se considerem as prisões como universidades do crime, mas acho que se chegamos nesse ponto, está mais do que na hora de reavaliarmos a estrutura da sociedade. Não sei vocês, mas eu não gosto de ficar com medo da sombra quando caminho por ai.
E para aqueles que estão com o dedo tremendo para apontar para alguém, espero que tomem a consciência de apontarem para si mesmos primeiro. Enquanto as pessoas não abrirem os olhos para o que realmente acontece, e continuarem sem informações e iludidas, vamos continuar seguindo o mesmo padrão. Então, antes de dizer que classe X ou grupo Y tem a culpa disso, comece a espalhar notícias e pesquisas, e incentive a leitura de livros. Assim, possivelmente vamos nos libertar de vez das prisões que nos cercam diariamente, não apenas trocar uma por outra.
:-)
Ainda devem existir aqueles que acham que ter seu próprio negócio é a salvação da lavoura, pois são os donos do próprio nariz. Que ótimo que vocês não pagam taxas, nem precisam se manter contantemente no lucro para sobreviver. Mas piadas a parte, este é o ponto que eu acho que o Kevin perdeu a noção do que ele faz, e de como ele vê a escravidão. Inúmeras vezes durante a palestra ele cita cifras, dizendo o quanto vale o ser humano, quanto é preciso para libertar as pessoas e, inclusive, ele fez o cálculo de quanto seria necessário para libertarmos todas as pessoas da escravidão clássica com que ele está acostumado. O mais curioso é que ele chega a dizer que esse dinheiro não vai ser usado para comprar o escravo diretamente. Ele é usado em projetos para reintegrar essas pessoas na sociedade, justamente porque se comprasse direto "seria como se pagássemos o ladrão por nossa televisão que foi roubada". E é ai que meu queixo cai.
Como alguém me diz que o problema é justamente cortar o lucro do ladrão, e ao mesmo tempo não faz nada para isso? Tirar os escravos, forçar a mudar de ramo, ou aprisionar o cara não vai adiantar nada se o sistema ainda é o mesmo. Enquanto existir um motivo para ter lucro, vai existir a vontade de se conseguir ele rápido e fácil. Enquanto ainda existir a idéia de que se pode lucrar com a desgraça alheia, ainda vão se achar os meios para isso. E se mais de três mil anos de leis ensinaram algo, ou espero que tenham ensinado, é que elas não impedem o crime. Elas simplesmente agem como uma forma de vingança, fazendo com que o perpetuador simplesmente tome mais cuidado, não que mude sua mente. É empurrar a sujeira par debaixo do tapete, pois não estamos reeducando ninguém. A não ser que se considerem as prisões como universidades do crime, mas acho que se chegamos nesse ponto, está mais do que na hora de reavaliarmos a estrutura da sociedade. Não sei vocês, mas eu não gosto de ficar com medo da sombra quando caminho por ai.
E para aqueles que estão com o dedo tremendo para apontar para alguém, espero que tomem a consciência de apontarem para si mesmos primeiro. Enquanto as pessoas não abrirem os olhos para o que realmente acontece, e continuarem sem informações e iludidas, vamos continuar seguindo o mesmo padrão. Então, antes de dizer que classe X ou grupo Y tem a culpa disso, comece a espalhar notícias e pesquisas, e incentive a leitura de livros. Assim, possivelmente vamos nos libertar de vez das prisões que nos cercam diariamente, não apenas trocar uma por outra.
:-)

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