quarta-feira, 28 de abril de 2010

Educação ou adestramento?

Um grande mal-entendido que podemos ver em nossa sociedade atualmente é sobre educação. Enquanto o conceito nos diz que é o processo de ensinar e aprender de uma forma generalizada, estamos cada vez mais restringindo o foco, apesar de não percebermos muitas vezes. O maior exemplo é a constante criação de cursos cada vez mais especializados em um único tópico, fazendo com que seus estudantes se tornem extremamente hábeis em cada vez menos tarefas, iludindo-os com a impressão de que este deveria ser seu único objetivo de vida. Mas se estamos conectados com tudo o que tem ao nosso redor, passar a vida inteira analisando um único tópico é mais ou menos como usar um antolho, que nos impede de ver as relações que fazem tudo funcionar na realidade.
Para ter uma idéia melhor, é só vermos o quanto estamos conectados no mundo: tire o ar, e morremos em minutos; remova as plantas e também não demoramos muito para perecer; ao se eliminar os insetos, as plantas irão parar de procriar e lá vamos nós novamente. Aliás, Edward O. Wilson mostra bem esse ponto quando diz que “Se toda a humanidade desaparecesse, o mundo voltaria ao rico estado de equilíbrio que
existia há 10 mil anos. Se os insetos desaparecessem, o ambiente iria do colapso ao caos”. Portanto, o foco em apenas um ou outro tema não são a solução de problemas, pois nos fixamos em uma ou outra metodologia, deixando de explorar outras perspectivas que se conectam com o assunto, e assim, falhando em entender o que realmente está acontecendo. Mais ou menos como tratamos os problemas de violência hoje em dia, em que caçamos e prendemos as pessoas por roubarem, mas não vemos que nãodamos à elas condições básicas de comida, habitação e higiêne, enquanto sustentamos um sistema que apenas permite sobreviver aqueles que tem lucro. Nos tornamos doutores em cobrar, e por termos perdido todo o contato com o dar, acabamos em um ciclo auto-destrutivo, onde apenas sugamos do planeta sem notar que estamos apenas cavando nossa própria cova.
E este não é o único problema. Se estivéssemos aprendendo a realmente pensar ainda, talvez o quadro fosse menos trágico, mas nossas escolas se tornaram criadoras de técnicos, não de pensadores ou cidadãos livres. Durante nossa vida escolar somos adestrados constantemente para passar nesta ou naquela matéria, para realizar esta ou aquela tarefa, e para se encaixar neste ou naquele emprego. Por estarmos cada vez mais focados em um ou outro aspecto da sociedade, não desenvolvemos um pensamento crítico, principalmente sobre como vivemos. Somos treinados para aceitar a estrutura social do jeito que está, enquanto tentamos se enquadrar nela, quando deveriamos estar fazendo justamente o contrário: devíamos adaptar nossa sociedade constantemente, transformá-la em um organismo vivo, capaz de crescer e se desenvolver. O que vivemos hoje em dia pode ser comparado com a síndrome de Peter Pan, que lembra muito bem outro problema que certas pessoas tem.
Talvez seja hora de largar a mamadeira e a chupeta, e começarmos a andar com as próprias pernas. Certamente levaremos alguns tombos no caminho, mas é assim que se aprende a caminhar, correr, pular, dançar e até andar de bicicleta. As possibilidades são inúmeras, depende apenas de nós darmos o primeiro passo.
:-)

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