quinta-feira, 8 de abril de 2010

Drogas

Tenho que confessar que sou uma pessoa feliz, daquelas que andam por ai sorrindo do nada. Motivos eu tenho diversos, mas acho que muito do que me faz gargalhar na rua são as irônias da vida. É difícil de se passar por algum lugar, ou ver alguma situação, sem associá-la com algo parecido, ou até mesmo completamente contrário, que mostram os contrastes do nosso mundo em toda sua majestade. Por exemplo, um exemplo que mais me diverte é quando uma pessoa cheia de sacolas de compras tenta falar sobre o quanto um mundo sem drogas é necessário. Não tanto pelo ato em si, mas principalmente quando começo a pensar sobre a definição do termo.
Em certos dicionários, podemos achar que drogas são quaisquer substâncias que causam modificações no corpo. O conceito é tão amplo que, sem notarmos, ele transforma tudo o que conhecemos em drogas. Desde o singelo beijo de nosso conjuge até a simples idéia de algo que queremos e não temos em nosso alcance no momento. Tudo basicamente, segundo a definição inicial, pode ser encaixado no termo de "droga". Mas então porque ainda separamos algumas substâncias como maléficas e outras como benéficas? E o que mais me interessa: que guias seguimos para impor certos valores como certos e únicos?
Vão me dizer que não é uma irônia querer dizer que uma "substância" precisa ser absorvida pelo corpo para mudar seu comportamento? Eu posso, de cabeça, citar algumas pessoas que alteram visivelmente seu comportamento somente com a menção de certas "substâncias". E não, por incrível que pareça, nenhuma delas é ilegal. Bem pelo contrário: são tão legais, que em alguns casos tem até isenção de certos impostos do governo. Alguma coisa sobre "estimular a economia", sabe? Realmente eu acho engraçado, pois antes era necessário ao menos se consumir o bem, mas agora só a idéia de possuí-lo ultimamente já desempenha esse papel. A visão do Golum no Senhor dos Anéis é a cena que me vem mais clara na cabeça.
Ter dinheiro em nossa sociedade só demonstra o quão imatura nossa espécie ainda é, afinal ainda estamos tentando vivenciar e perpetuar um conto infantil clássico: o da lâmpada mágica. Quando ouvimos a histórinha pela primeira vez, imaginamos que poderíamos remodelar o mundo segundo nossa vontade. Mas, assim como com o dinheiro, não nos preocupamos em descobrir como a mágica acontece, e nem paramos para nos perguntar se todos aqueles pedidos irão realmente aparecer do nada sem nenhum custo adicional. Só porque o gênio não falou, não quer dizer que não existam.
E custo escondido é algo que não falta em se tratando de dinheiro. Assim como com as drogas, os usuários normalmente precisam levar um susto grande para realmente pensarem no que estão fazendo. E nesse baque, alguns com o coração mais fraco já são perdidos. Depois do alarde, ainda existem aqueles que procuram recuperação, e os que se entregam de vez para o mundo do vício. E novamente, alguns passam do seu limite, não tendo chances de voltarem atrás. E por fixarem seus olhos naquele punhado que continuou no mesmo caminho e que sobreviveu, é que a maioria da nossa sociedade ainda utiliza esse artifício, e cria a necessidade dele a cada esquina. Não sei vocês, mas acho muito irônico a sociedade como um todo ter esse comportamento de fãs atrás do seu ídolo viciado, querendo imitá-lo, ser ele, sem ter idéia do que realmente passa em sua vida, do que o levou a ser quem é.
Sem esse conhecimento, de onde viemos e o que nos tornamos, vamos continuar entregues àquilo que o mundo quiser que nos tornemos, se sentindo sempre as vítimas, quando na verdade é justamente o contrário. Nos tornamos tão grandes, com a cabeça tão enfiada nas nuvens, que esquecemos de olhar onde estamos pisando, e por isto, estamos afundando. E claro, o mais irônico de tudo, estamos começando a sumir no meio da confusão que nós mesmos criamos, sendo vítimas de brinquedos que criamos para usarmos, mas que acabaram criando vida e nos usando.
E o mais incrível, que eu acho ser o mais engraçado nisso tudo, é que tem gente que ainda prefere ficar debatendo que tipo de "drogas" deveriam ser legalizadas ou proibídas. Se continuarmos com a mesma atitude de viciados com o dinheiro, que diferença faz? Seja bebida, pilulas ou  cigarros, ainda estaremos todos resos no mal que se abateu sobre nosso mundo: o consumo.
:-)

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