quinta-feira, 1 de abril de 2010

Wicked, We Will Rock You!

Os dois últimos musicais que eu fui ver foram We Will Rock You e Wicked. O primeiro é baseado nas musicas do Queen, e o segundo é baseado no livro Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West, que conta a história do Mágico de Oz sob uma perspectiva diferente. Recomendo ambos pra quem tiver a chance de ver, são excelentes apresentações muito bem feitas, que hipnotizam a platéia do começo ao fim. Não é a toa que, segundo falam, milhões de pessoas tem ido prestigiar o excelente trabalho desses artistas.
As decorações dos palcos, efeitos especiais, maquiagens, trajes e performance dos artistas, nada disso chamou tanto minha atenção quanto a história dessas peças. Ambas possuiam conteúdos que desafiavam conceitos tradicionais, extrapolando a imagem confortável que temos sobre nossa própria sociedade. Desde que comecei a me libertar da matrix, tenho notado cada vez mais esse tema aparecendo em filmes e desenhos. Aquilo que muitos veem como um chamado à rebeldia, eu acabo vendo como uma procura da própria identidade, um despreendimento do padrão imposto por somente aquilo que nossos olhos veem, uma descoberta sobre quem realmente somos. São tantas as metáforas que podem ser usadas quanto filmes, livros, músicas e peças teatrais feitos sobre esse mesmo tema. Alguns são sutis e esperam que o espectador consiga ver o que está acontecendo, enquanto outras, como essas peças, são completamente descaradas.
Quando fui ver o We Will Rock You, eu estava esperando que contassem a história do Queen, ou algo referente e específico à banda, ou ao menos ao Freddie. Claro, acho que todo trabalho que lembre o nome da banda já é um tributo ao vocalista, mas acho que o que mais tirou meu folêgo enquanto estava vendo o musical foi que tentaram preservar o espírito da banda, não apenas o nome ou as músicas. E devo dizer que conseguiram passar perfeitamente esse sentimento. 
Resumidamente, a história se passa no futuro, quando instrumentos musicais não existem mais, pois tudo é gerado em computador. Houve uma ascensão de bandas-que-não-são-bandas, que tem suas músicas criadas em computadores, vozes passando por filtros eletrônicos e coreografias aprovadas previamente por marketeiros. Tudo com o objetivo de conseguir mais e mais audiência, sem se preocuparem com a qualidade e, principalmente, espontainedade. Claro que um grupo de jovens rebeldes emerge e vão em busca do instrumento sagrado e proibido. Acho que não preciso nem mencionar qual é, certo? O que achei mais perfeito foi o encaixe das músicas do Queen atuando em ambos os lados do conflito: o coorporativo e o rebelde. Um real trabalho de mestre de quem criou o espetáculo.
No caso do Wicked, acho que a história é mais polêmica. A peça refaz a história de Oz, mostrando lados negativos de personagens conhecidos e adorados, e por mostrar um lado positivo dos personagens que não simpatizamos tanto. Por exemplo, mostra como o Mágico de Oz era bem humano, e seus objetivos eram de trazer a felicidade para aqueles parecido com ele, mesmo que custasse tirar dos animais a fala e o raciocínio. E enquanto isso, mostrou que a briga toda da "malvada" bruxa do oeste era justamente para tentar salvar as indefesas criaturas, que estavam sendo exiladas apenas por quererem pensar por si mesmas e conversar com os outros.
Isto me fez pensar: quantas vezes não deixamos de fazer o certo por não termos as pessoas certas ao nosso redor? Quantas vezes deixamos de lado o que sabemos que precisamos fazer, mas por estarmos muito confortáveis com o que temos, não o fazemos? E antes que atirem alguma pedra perguntando se sou masoquista ou algo do tipo por "não gostar" do confortável, eu peço que prestem atenção. Meu rancor não é com o conforto, mas com um que seja sustentável. O que estamos fazendo atualmente é deitar na areia movediça e não notar o quanto estamos afundando, até ser tarde demais. Estamos tão acostumados com produtos sendo anunciados por ai com sorrisos maliciosos, preços cada vez mais baixos e promoções cada vez mais estapafúrdias, que não estamos vendo a cultura de consumo infinito em um planeta finito. Só espero que quando formos abrir os olhos, eles não estejam cheios de lama já.
As possibilidades existem, e apesar de alguns acharem que somos estúpidos demais para mudar, eu ainda acho que temos inteligência suficiente. E isso não é apenas uma questão de opinião, é comprovado que quando temos acesso às informações, somos capazes de se organizar para realizar os mais incríveis feitos. Até recentemente estes feitos eram basicamente atrelados à lucros, mas podemos mudar este objetivo completamente se começarmos a nos preocuparmos mais com o mundo onde moramos.
:-)

Um comentário:

  1. Tb acho q o James Lovelock foi meio exagerado com seu comentário, e concordo contigo em relação a conseguirmos mudar...mas a questão agora esta mais sendo em relação ao tempo....sera q já não eh tarde de mais?! Em geral, acho q as pessoas estão cada vez mais cientes dos problemas atuais, mas concordo com o James de que algo realmente significativo só sera feito quando catástrofes acontecerem nos países com poder para fazer diferenças...pq catástrofes em lugares sem condições e distantes só receberão ajuda financeira e doações, mas não farão grandes mudanças acontecerem..... e outra, com a crise, muitas pessoas e empresas estão deixando o ambiente de lado, pra correr atras do 'prejuízo'

    ResponderExcluir