Esta nova série vai tratar de algumas estruturas da sociedade que raramente questionamos, mas que se tornaram fundamentais em nossas vidas ao longo do tempo. Nos associamos com elas desde jovens por fazerem parte de nossa cultura, e criamos justificativas para sua utilização, mesmo elas deixando de ser parte da solução e passando a ser um problema. Nesta primeira parte iremos observar o patriotismo, a primeira forma de termos paz com outros povos, com cada um vivendo em seu espaço.
Criado como uma forma de nos identificar com uma terra natal, teve sua utilidade no começo do desenvolvimento das civilizações, onde cada novo membro significava aumento de defesa ou produção. Mas logo o teste do tempo demonstrou que o crescimento infinito necessário para que este tipo de estrutura se mantivesse não existe em um mundo finito. Ela precisa ser revista, ou o remédio pode se tornar uma overdose e acabar destruindo o que uma vez protegia.
Atualmente, o patriotismo separa as pessoas por zonas econômicas. Cada país pode ser visto como uma fábrica, e sua população como seus empregados. Dependendo do objetivo desta empresa, eles serão tratados por funcionários ou por escravos, mas independente de qual seja a nomenclatura, ainda não estamos usando as ferramentas a disposição para nos libertarmos da dependência do trabalho.
O patriotismo promove a competição, nos impedindo de encontrarmos a solução juntos. Por medo de usarmos diversas tecnologias para criar abundância para todos, preferimos competir criando melhorias pessoais que apenas ilustram o que poderia realmente ser. E enquanto poucos são privilegiados com esta sorte, continuamos insistindo na ilusão de que todos um dia serão.
Pode-se ver o patriotismo como um grilhão de cunho social, que nos mantém quietos em nossa cela. Somos constantemente inspecionados, observados a todo momento, ameaçados em qualquer oportunidade por motivos que em certos casos, nem compreendemos; todas técnicas conhecidas desde tempos antigos. E por não mudarmos nosso comportamento para nos defendermos mais eficientemente, continuamos com os mesmos problemas de séculos atrás.
Sua utilidade em nossa sociedade atual acaba sendo nula, pois causa mais atritos do que benefícios, e nos impede de modificar outros pontos que também precisam de mudanças, tamanha sua influência em nossa cultura. É um pedaço de nosso passado de que não precisamos mais, pois nosso conhecimento sobre este aspecto cresceu. Antes considerávamos nossa terra natal alguma caverna ou vila, depois passamos a ter cidades e estados. Logo pulamos para países, e estamos começando a nos identificar cada vez mais pelos continentes em que nascemos. Poderíamos poupar muitos transtornos se chegássemos mais rápido à conclusão de que somos todos parte do mesmo universo, da mesma realidade.
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