Exatamente como no caso das crianças, criar leis (sejam elas políticas, religiosas, gastronômicas, etc...) é um curativo que se está colocando no caso, pois não temos ideia melhor do que mais fazer. Criamos cada vez mais regras, queremos cada vez ter mais controle e tudo parece escapar por entre os dedos quando abrimos jornais ou ligamos a televisão. Incessantemente vamos atrás da solução perfeita de como podemos evitar que certos problemas se repitam. E justamente esse é o problema: queremos nos arrumar tanto, que mal estamos prestando atenção para a vida.
Regras e leis nunca funcionaram e nem irão funcionar enquanto não tratarmos as causas do que vemos como problemas. Um exemplo é o caso da escravidão que comentei sobre uma das palestras do TED. Enquanto existir a cultura do enriquecimento como solução, existirão pessoas dispostas a ganhar o máximo possível com o mínimo de esforço. Se 95% dos crimes atuais são cometidos por serem resultado direto ou indireto da pobreza, 95% dos crimes iriam sumir se as pessoas tivessem realmente oportunidades iguais. E enquanto alguns iriam ficar apontando os outros 5%, imagino que podemos concordar que 5% é melhor do que 100%, no que diz respeito à violência, assalto e roubos, certo?
Alguns acham que precisamos dar uma lição nos malfeitores, que eles precisam aprender do jeito mais difícil. Mas não deve ter jeito mais duro de se aprender uma lição do que livre e sem repreensões, pois estas ao menos mostram que outros se importam. Outra coisa que pais experientes sabem: ao se proibir alguma coisa, ela misteriosamente se torna mais atrativa. Sim, simples assim. Então criar regras para alguma coisa mostra dois pontos que muitos devem achar difícil de encarar no espelho: nossos antepassados nos ensinaram bem a sermos cruéis e sarcásticos. Ou de que outra forma podemos explicar que tornamos algo proibido sabendo que irá tornar ainda mais atrativo, e pra ajudar, criamos uma série de punições que sabemos que não irão educar ninguém, na verdade?
Imagino que o melhor exemplo é de perguntarem para as pessoas ao seu redor e para si mesmos o porque não devemos matar outras pessoas. Sem conhecê-los, arrisco dizer que a maioria das resposta será institucional (política, religião) ou sentimental, e que raramente terão uma resposta lógica. Antes de lerem o resto, peço para que escrevam num papel sua resposta, e vejam onde se encaixam. Pronto? Então, se a resposta de vocês se encaixa nos moldes de: "porque é errado", "porque é a lei", "porque está escrito", "porque deus disse", "porque senão vou preso" - sinto informar mas a resposta foi criada por uma instituição, e as chances são de que na falta dela, se esqueça o porque é errado matar, e se comece a praticar o ato. Não digo que todos vão fazer isto, mas existem aqueles que associam o ato errado à punição (por nosso sistema de educação não saber ensinar), e quando os carcereiros não estão, adivinhem o que acontece. Mas se a resposta for do tipo "porque se deve respeitar a vida", "porque a vida é um direito de todos" e coisas do tipo, sinto informar que a resposta é de cunho sentimental, e uma vez que os sentimentos sejam feridos (e eles vão ser), a regra é quebrada pois nada mais importa. Existe, claro, uma resposta que fica em cima do muro entre instituições/sentimentos e a lógica. Quando alguém diz que não se deve matar por que tudo iria virar um caos, existe a possibilidade desta pessoa estar usando a lógica, e deve-se perguntar o famoso "Por que?". Se ela for para o lado de que não seríamos mais civilizados ou que nao teríamos mais organização, cuidado. Estas respostas são tão institucionais e sentimentais quanto os primeiros exemplos. Mas se depois de todo o inquérito, ela chegar a conclusão de que não se mata as pessoas porque elas sabem se vingar e as probabilidades são de que elas farão isso, iniciando um ciclo vicioso parecido com o que estamos vivendo agora, pode-se concluir de que temos uma resposta lógica.
Ficar de frente com os alicerces de nossa sociedade não é fácil, pois normalmente encaramos o pior de nós mesmos, vemos o quão baixo a humanidade pode ir para que alguns tenham seus prazeres, indiferentes a todo o resto. Como analisado, este tipo de comportamento funcionava no passado, pois a população era menor e não fazia tanta diferença assim as regras de um ou outro. Mas hoje em dia não fazem mais, e em vez de colocarmos mais regras que no final só irão gerar mais conflito, além de prender mais algumas gerações, devemos mudar e começar a soltar os grilhões que seguram nossos pés. Simplesmente passar eles adiante não é uma solução, pois as chances de voltarem contra nós mesmos são grandes.
A informação se tornou a maior arma de nossa espécie até agora, e assim que soubermos usá-la a nosso favor, teremos a chance de nos livrar de pesos do passado, além de criar um mundo inteiramente novo. E não seria ótimo usarmos essa fantástica ferramenta inclusive para nos livrarmos das correntes da preguiça?
:-)
Alguns acham que precisamos dar uma lição nos malfeitores, que eles precisam aprender do jeito mais difícil. Mas não deve ter jeito mais duro de se aprender uma lição do que livre e sem repreensões, pois estas ao menos mostram que outros se importam. Outra coisa que pais experientes sabem: ao se proibir alguma coisa, ela misteriosamente se torna mais atrativa. Sim, simples assim. Então criar regras para alguma coisa mostra dois pontos que muitos devem achar difícil de encarar no espelho: nossos antepassados nos ensinaram bem a sermos cruéis e sarcásticos. Ou de que outra forma podemos explicar que tornamos algo proibido sabendo que irá tornar ainda mais atrativo, e pra ajudar, criamos uma série de punições que sabemos que não irão educar ninguém, na verdade?
Imagino que o melhor exemplo é de perguntarem para as pessoas ao seu redor e para si mesmos o porque não devemos matar outras pessoas. Sem conhecê-los, arrisco dizer que a maioria das resposta será institucional (política, religião) ou sentimental, e que raramente terão uma resposta lógica. Antes de lerem o resto, peço para que escrevam num papel sua resposta, e vejam onde se encaixam. Pronto? Então, se a resposta de vocês se encaixa nos moldes de: "porque é errado", "porque é a lei", "porque está escrito", "porque deus disse", "porque senão vou preso" - sinto informar mas a resposta foi criada por uma instituição, e as chances são de que na falta dela, se esqueça o porque é errado matar, e se comece a praticar o ato. Não digo que todos vão fazer isto, mas existem aqueles que associam o ato errado à punição (por nosso sistema de educação não saber ensinar), e quando os carcereiros não estão, adivinhem o que acontece. Mas se a resposta for do tipo "porque se deve respeitar a vida", "porque a vida é um direito de todos" e coisas do tipo, sinto informar que a resposta é de cunho sentimental, e uma vez que os sentimentos sejam feridos (e eles vão ser), a regra é quebrada pois nada mais importa. Existe, claro, uma resposta que fica em cima do muro entre instituições/sentimentos e a lógica. Quando alguém diz que não se deve matar por que tudo iria virar um caos, existe a possibilidade desta pessoa estar usando a lógica, e deve-se perguntar o famoso "Por que?". Se ela for para o lado de que não seríamos mais civilizados ou que nao teríamos mais organização, cuidado. Estas respostas são tão institucionais e sentimentais quanto os primeiros exemplos. Mas se depois de todo o inquérito, ela chegar a conclusão de que não se mata as pessoas porque elas sabem se vingar e as probabilidades são de que elas farão isso, iniciando um ciclo vicioso parecido com o que estamos vivendo agora, pode-se concluir de que temos uma resposta lógica.
Ficar de frente com os alicerces de nossa sociedade não é fácil, pois normalmente encaramos o pior de nós mesmos, vemos o quão baixo a humanidade pode ir para que alguns tenham seus prazeres, indiferentes a todo o resto. Como analisado, este tipo de comportamento funcionava no passado, pois a população era menor e não fazia tanta diferença assim as regras de um ou outro. Mas hoje em dia não fazem mais, e em vez de colocarmos mais regras que no final só irão gerar mais conflito, além de prender mais algumas gerações, devemos mudar e começar a soltar os grilhões que seguram nossos pés. Simplesmente passar eles adiante não é uma solução, pois as chances de voltarem contra nós mesmos são grandes.
A informação se tornou a maior arma de nossa espécie até agora, e assim que soubermos usá-la a nosso favor, teremos a chance de nos livrar de pesos do passado, além de criar um mundo inteiramente novo. E não seria ótimo usarmos essa fantástica ferramenta inclusive para nos livrarmos das correntes da preguiça?
:-)

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