quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pilares da Sociedade 3

Se temos dentro de nós as sementes para a criação e para a destruição, não é exagero em dizer que o sistema monetário é o adubo ideal para o segundo tipo. Ao ser criado, um dos efeitos colaterais que não notamos foi a troca do conceito de igualdade pelo de justiça, que é muito mais restrito. Isto mostrou ser vantagem apenas naquele ponto, mas nos demais foi completamente esquecido, chegando a se tornar um tabu. Com o aumento de nosso conhecimento, estamos passamos a ver que nosso foco principal está errado novamente. Estamos novamente deixamos de ser o centro do universo.
Os objetivos que nos levaram a criar cidades e andarmos em grupos foram substituídos pelo lucro. Até mesmo a procriação é vista como uma forma de se conseguir dinheiro, dependendo do lugar e aspecto analisados. O artifício ilude até os melhores entre nós: os eleitos, encarregados com a responsabilidade de salvar nossas vidas, de guiar nossos destinos. Deixamos as decisões importantes nas mãos deles e achamos que somos os que controlam a cenoura em sua frente, quando na realidade agimos da mesma maneira, nos enfeitiçamos do mesmo jeito.
Enquanto existir o sistema monetário em nossa sociedade, nunca poderemos dizer com segurança que a solução de alguma decisão foi realmente encontrada. Inclusive, este aspecto nem é mais cogitado em nosso meio, pois preferimos que as respostas sejam criadas prontas em fábricas. O preço deste produto, no entanto, vamos pagar pela vida toda, pois cada um produzido cria um ciclo vicioso que se multiplica, nos prendendo em hábitos cada vez mais nocivos, apenas para manter o sistema funcionando.
Passamos a ver este artifício como a resposta suprema, que proveria recursos infinitos para a sobrevivência de nossa espécie, quando na verdade não satisfaz questões básicas além de causar a destruição de nossos meios de vida. Enquanto nos ilude com o contrário, para tornar nosso mundo mais barato e livre de responsabilidades, foi preciso cortar a eficiência dos recursos, pois junto com a sustentabilidade e abundância, são inimigas do lucro. Sem esses três requisitos, a sociedade não tem como se desenvolver.
Podemos ver que agimos como viciados quando o assunto é dinheiro, e raramente conseguimos imaginar nossa independência dele. Estamos parados, esperando uma resposta, como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Continuamos consumindo os recursos do mundo enquanto, sem produzir nada que seja realmente relevante, seguimos imagens romantizadas que glorificam mais tempos passados. Por ainda chamarem mais nossa atenção por apelarem para nossos instintos do que o intelecto, corremos o risco de retroceder e voltar completamente a viver como nossos ancestrais.
Além disto o sistema monetário acentua o conceito de propriedade, que teve sua utilidade no passado, mas que atualmente nos faz criar escassez artificial, apenas para maximizarmos o lucro. Este tipo de comportamento contradiz certos valores morais, mostrando o quanto a manutenção desta estrutura custa ao longo do tempo. A corrupção é um exemplo, pois qualquer lei criada com a finalidade de punir esta prática estará apenas lidando com a consequência, e não com a causa. Ou seja, por mais regulamentações e fiscalizações que se inventem, enquanto tivermos um sistema monetário, teremos um meio que amplifica o lado corrupto do ser humano.
Esta é uma estrutura que pode ser mais facilmente removida de nossa sociedade, pois já estamos nos acostumando a economizar e usar cada vez menos o dinheiro. Basta apenas reduzirmos o consumo e procurar alternativas para as rotinas que tomam mais tempo. Começarmos a fazer tarefas que realmente ajudem a comunidade, ao invés de apenas um ou outro, também ajudam na mudança de nossa estrutura. E saber diferenciar nosso passado de nosso futuro.
:-)

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