quinta-feira, 13 de maio de 2010

Pilares da Sociedade 4


A natureza humana é, do meu ponto de vista, o pilar mais profundo de nossa sociedade. Antes mesmo de termos delimitado nosso terreno e chamado ele de pátria, de usarmos a lei do mais forte para nos defender, ou de criarmos artifícios de escravidão, já estávamos tentando entender como nos comportamos. Mais do que isto, estávamos tentando entender como seres fisicamente iguais a nós se comportavam. Queríamos prever suas ações, ter certeza de que não nos fariam mal. E o que antes era um método de defesa, agora passou a ser uma armadilha tão bem elaborada que muitos nem notam que caíram.
Um sistema que nos defendeu tanto no passado se voltou contra nós por não estarmos preparados para seu limite. Enquanto ainda achávamos que o mundo era infinito, certamente as chances eram de que notar nossas diferenças seriam muito mais úteis do que nossos pontos em comuns. Ao menos para sobrevivermos de forma rudimentar, como nossos ancestrais estavam acostumados. Mas não notamos que, ao descobrir o tamanho do planeta e constatar que já conhecíamos a maioria, se não todas, as tribos que nele habitavam, não mudamos nosso jeito de pensar. Em nossa maioria, continuamos assumindo que cada pessoa nasce com uma cultura pré-determinada, que não somos capazes de mudar, e que somos um simples fruto de nossos genes, com uma ponta de participação do ambiente. Mas as recentes estudos nos mostram que estes conceitos já não são mais o que achávamos.
Hoje em dia já aprendemos que as pessoas são resultado do meio que as criou, misturado com a propensão em seus genes e a lógica em sua cabeça. Hoje entendemos que se pegar alguém nascido no norte e criá-lo no sul, ele passará a ter todas as manias da cultura sulista, inclusive o sotaque. Hoje sabemos que se pegarmos alguém crescido no sul, e levar para outro país, a pessoa tem a capacidade de se adaptar para aquela realidade, mesmo que basicamente. Hoje sabemos que não existe uma natureza humana, o que existe são resultados diferentes de experiências vividas em épocas e locais diferentes.
Por exemplo, muitos podem condenar o comportamento de certas tribos de índios que eram canibais. Acham errado por que alguém foi morto para ser comido, mas raramente se perguntam o que uma tribo dessas deve pensar sobre nós, ainda mais depois de nos conhecer um pouco. Poluímos nosso próprio meio e ainda escravizamos nossos semelhantes, para citar apenas duas das atrocidades que praticamos diariamente, se alguém tiver dificuldade para lembrar. Mas se pegarmos um bebê dessa tribo e um da cidade e trocarmos eles, irão crescer como se fossem parte dos respectivos meios em que foram inseridos.
Esta incrível habilidade de adaptação é o que tem nos dado não só a liderança no quesito de sobrevivência, mas também nos deixou tão bem na foto que constantemente achamos que somos os melhores do planeta. Nos colocamos num pedestal tão alto, que a dor do tombo pode não ser algo de que vamos nos recuperar, principalmente por muitos acharem que nosso comportamento segue uma fórmula pronta. Mas esta formula, como estamos descobrindo, tem cada vez menos a ver com o que está dentro de nós e mais com nosso ambiente. Então talvez seja a hora de voltarmos a ver cada pessoa como um indivíduo que faz parte dessa nossa grande família, do que continuarmos nos prendendo em casa com medo da pessoa que esta do nosso lado.
Curiosamente, ela pode ser a mais próxima de nos salvarmos quando precisamos...


:-)

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