Recebi uma dica, desde semana passada, para ver um programa que fantástico. Por se tratar de televisão, eu estava meio relutante, sem dar muita importância, ainda mais quando fiquei sabendo quem apresentava o programa. Como não é muito a minha prática ser um ferreiro com espeto de pau, abri minha cabeça e minha agenda e assisti o vídeo no site da BBC. Imaginem se Murphy não estava de olho. Fiquei impressionado do começo ao fim, de tal maneira que me forcei marcar a data e hora da continuação para não perdê-la. Meu único remorso é que quando fui escrever esse post acabei descobrindo que o vídeo no site da BBC está disponível apenas para o Reino Unido, e não achei ele no YouTube. Uma pena realmente, pois o trabalho foi muito bem feito e estou curioso para ver a conclusão, se é que tem alguma. Bom, mas deixem eu dar mais detalhes sobre o programa.
O nome é How to Live a Simple Life (Como viver uma vida simples), e é apresentado pelo pastor anglicano Peter Owen Jones. Por ser um membro da igreja o foco do programa, minhas espectativas não eram das melhores, e estava me preparando para ver um confronto entre diversos tipos de fé, já que ele iria se encontrar com membros de outras religiões. Ledo engano. Se algo deste tipo aconteceu, foi muito bem cortado na edição, mas depois de ver os dois episódios disponíveis e ficar mais familiarizado com o estilo do Peter, tenho minhas dúvidas que algo assim tenha ocorrido. Ele parece ter uma cabeça muito aberta e um jeito bem calmo, deixando claro que existem maneiras de expressar a própria espiritualidade sem ser agressivo, sem dar a impressão de impor ela sobre outros, ou sem parecer um fanático. Um verdadeiro exemplo.
Antes que eu me empolgue e não fale de novo, o programa é sobre como e quanto tempo o pastor conseguiria viver sem dinheiro. No primeiro episódio ele fica na comunidade, adaptando a casa e a vida dele para reduzir ao máximo a influência do sistema monetário. O que eu acho engraçado é que ao tentar isso, ele basicamente volta para as trocas de mercadorias, que nada mais é do que o início dos pilas no mundo. Claro, em um mundo que conhece apenas este tipo de economia não poderia esperar outra coisa, mas tive minhas esperanças. O pastor até se virou bem, conseguindo inclusive gasolina para algumas de suas viagens. Em algumas fiquei meio sético por achar que as pessoas estavam ajudando ele apenas por ser membro da igreja local ou por terem uma câmera apontada para elas. Mas se este foi o caso, o segundo episódio colocou as pessoas à prova.
Neste ele assume uma vida mais parecida com a de São Francisco de Assis, e parte em uma peregrinação. A vida fora da própria comunidade é mais difícil, principalmente por ele não ter nada para trocar e não aceitar dinheiro como ajuda. Sobre isso ainda saiu um ponto bem interessante que talvez muitas pessoas nem notem que fazem o mesmo. Quando o pastor parava na frente de supermercados, estações de trem ou de lanchonetes, e pedia uma ajuda para as pessoas, algumas queriam dar dinheiro, o que ele logo explicava q não podia nem encostar por causa do que ele estava querendo fazer, e perguntava se a pessoa não podia fazer a caridade de entrar no estabelecimento e comprar o que ele precisava. E ai que acontecia o que nos chamou a atenção: algumas dessas pessoas que iam dar o dinheiro desistiam de dar qualquer coisa, levando ao ponto levantado de que estamos acostumados a comprar nossa tranquilidade, pois pagamos para nos livrar do que vemos como problemas, ao invés de tentarmos entender o que acontece e resolver de uma forma mais duradoura.
A peregrinação que ele fez foi muito interessante, pois ele se encontrou com pessoas de outras religiões que apresentaram vários pontos interessantes. Por exemplo quando se encontrou com muçulmanos, eles falaram que são obrigados a dar abrigo e comida para viajantes por três dias, pois é o que manda os ensinamentos deles. Outro exemplo foi um encontro com uma sociedade alternativa, onde cada participante deve dar três dias da semana para trabalhos focados na comunidade. E claro, quando se encontrou com o final da jornada, Satish Kumar. Além de citar Gandhi, ele cita Woody Guthrie quando diz: "Qualquer tolo consegue fazer algo complicado. É preciso um gênio para fazer simples." É uma conversa curta, mas com muito significado, que encerra a peregrinação do pastor.
O próximo episódio do programa vai ao ar hoje e eu imagino que deve ser a conclusão, pois a propaganda mostra que algumas contas chegaram na casa do pastor e deu a entender que ele possivelmente vai ter que voltar a ir atrás de dinheiro. Estou realmente curioso para ver se é isto mesmo, porque ele mostrou que entre nós, cidadãos comuns, existe como nos relacionarmos sem depender deste sistema. Isto representa o que muitos através de nossa história têm falado: existem alternativas para esta estrutura de aprisionamento que nossa sociedade tem. Ela foi um abrigo no passado, teve sua utilidade, mas está na hora de seguirmos em frente. Assim como mudamos de nômades para sedentários, está na hora de fazermos o mesmo e encontrar uma nova estrutura social que nos abrigue por mais um tempo. Mas desta vez podemos fazer isto com mais consciência, para não irmos em direção à um precipício. Agora temos informação para isto, falta só resgatar a sabedoria.
:-)
Antes que eu me empolgue e não fale de novo, o programa é sobre como e quanto tempo o pastor conseguiria viver sem dinheiro. No primeiro episódio ele fica na comunidade, adaptando a casa e a vida dele para reduzir ao máximo a influência do sistema monetário. O que eu acho engraçado é que ao tentar isso, ele basicamente volta para as trocas de mercadorias, que nada mais é do que o início dos pilas no mundo. Claro, em um mundo que conhece apenas este tipo de economia não poderia esperar outra coisa, mas tive minhas esperanças. O pastor até se virou bem, conseguindo inclusive gasolina para algumas de suas viagens. Em algumas fiquei meio sético por achar que as pessoas estavam ajudando ele apenas por ser membro da igreja local ou por terem uma câmera apontada para elas. Mas se este foi o caso, o segundo episódio colocou as pessoas à prova.
Neste ele assume uma vida mais parecida com a de São Francisco de Assis, e parte em uma peregrinação. A vida fora da própria comunidade é mais difícil, principalmente por ele não ter nada para trocar e não aceitar dinheiro como ajuda. Sobre isso ainda saiu um ponto bem interessante que talvez muitas pessoas nem notem que fazem o mesmo. Quando o pastor parava na frente de supermercados, estações de trem ou de lanchonetes, e pedia uma ajuda para as pessoas, algumas queriam dar dinheiro, o que ele logo explicava q não podia nem encostar por causa do que ele estava querendo fazer, e perguntava se a pessoa não podia fazer a caridade de entrar no estabelecimento e comprar o que ele precisava. E ai que acontecia o que nos chamou a atenção: algumas dessas pessoas que iam dar o dinheiro desistiam de dar qualquer coisa, levando ao ponto levantado de que estamos acostumados a comprar nossa tranquilidade, pois pagamos para nos livrar do que vemos como problemas, ao invés de tentarmos entender o que acontece e resolver de uma forma mais duradoura.
A peregrinação que ele fez foi muito interessante, pois ele se encontrou com pessoas de outras religiões que apresentaram vários pontos interessantes. Por exemplo quando se encontrou com muçulmanos, eles falaram que são obrigados a dar abrigo e comida para viajantes por três dias, pois é o que manda os ensinamentos deles. Outro exemplo foi um encontro com uma sociedade alternativa, onde cada participante deve dar três dias da semana para trabalhos focados na comunidade. E claro, quando se encontrou com o final da jornada, Satish Kumar. Além de citar Gandhi, ele cita Woody Guthrie quando diz: "Qualquer tolo consegue fazer algo complicado. É preciso um gênio para fazer simples." É uma conversa curta, mas com muito significado, que encerra a peregrinação do pastor.
O próximo episódio do programa vai ao ar hoje e eu imagino que deve ser a conclusão, pois a propaganda mostra que algumas contas chegaram na casa do pastor e deu a entender que ele possivelmente vai ter que voltar a ir atrás de dinheiro. Estou realmente curioso para ver se é isto mesmo, porque ele mostrou que entre nós, cidadãos comuns, existe como nos relacionarmos sem depender deste sistema. Isto representa o que muitos através de nossa história têm falado: existem alternativas para esta estrutura de aprisionamento que nossa sociedade tem. Ela foi um abrigo no passado, teve sua utilidade, mas está na hora de seguirmos em frente. Assim como mudamos de nômades para sedentários, está na hora de fazermos o mesmo e encontrar uma nova estrutura social que nos abrigue por mais um tempo. Mas desta vez podemos fazer isto com mais consciência, para não irmos em direção à um precipício. Agora temos informação para isto, falta só resgatar a sabedoria.
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