segunda-feira, 31 de maio de 2010

Vida Simples e Espiritualidade

Se vocês lembram, semanas atrás escrevi sobre o programa que o pastor Peter Owen Jones fez para a BBC, que tentava levar uma vida mais parecida com São Francisco de Assis. Até o momento daquele post, eu havia visto dois dos três episódios, sendo que o último seria apresentado na noite do post. Eu tinha minhas desconfianças do que iria acontecer, e estava bem ansioso para ver o resto, ainda mais quando fiz uma pesquisa sobre o Peter e descobri que ele já havia feito um outro programa para a BBC. Este outro documentário vai inspirar meus posts por um tempo, imagino, principalmente porque é sobre um assunto que eu estava evitando de abordar por aqui. É um assunto polêmico, que eu sempre tive vontade de escrever sobre, mas que não havia achado o ponto de vista que mais me satisfizesse, até ver o How to Live a Simple Life. O tópico, como já devem ter imaginado, é religião. Mas primeiro, é melhor concluir sobre o show que vi a semanas atrás.
No último episódio de seu mais recente programa, Peter volta para sua cidade e tenta integrar o que aprendeu na estrada com sua vida nas paróquias (ele cuida de três). A primeira coisa que nota é que, por causa do trabalho que ele tinha para se manter antes, o tempo dedicado para as pessoas era mais restrito. Mas vivendo uma vida mais simples, ele conseguiu se libertar mais, e uma das coisas que decide é justamente ceder mais de seu tempo para a congregação. Ele começa a ir primeiro na casa dos seus paroquianos mais velhos para conversar e se relacionar mais com eles. Ainda ajuda outros a podarem arvóres e contruírem muros, e tirando um ou dois acidentes, estava tudo indo relativamente bem. Até chegar a conta para renovar o seguro do carro.
Ele decide então que é hora de voltar para o sistema monetário, sem cogitar a troca do automóvel por um cavalo ou bicicleta. Imagino que a época fria do Natal influenciou a decisão, ainda mais com a neve começando a cair. Mas ele não se dá por vencido, e mesmo usando dinheiro, tenta achar um meio termo para satisfazer os dois mundos. Assim, ele vai atrás de uma mulher que vive em uma vã, e usa nosso modelo de trocas para conseguir coisas básicas, como comida, diesel e roupas. Ela vende suas pinturas para conseguir o que precisa, e vive uma vida simples, assim como outra paroquiana que o pastor apresenta: uma ex-monge budista. Ela dá conselhos de como conciliar os dois mundos, ajudando o pastor a achar seu caminho e equilíbrio.
O que mais me impressionou neste programa não foi tanto o fato do pastor tentar viver sem dinheiro, porque com deu pra ver no vídeo da foto daquele post, existe mais gente fazendo isso a mais tempo e com mais sucesso até. O que chamou minha atenção para o programa foi a confraternização que o pastor teve com outras religiões em seu percurso. E depois ainda descobri que esta não é a primeira vez que o pastor Peter Owen Jones faz esta integração: ele já havia feito um documentário para a BBC chamado Around the World in 80 Faiths (Volta ao mundo em 80 religiões). Eu comecei a olhar essa série (são 8 episódios) semana passada, e estou descobrindo um lado de religião que ignorava antes.
Espiritualidade é um ponto muito importante na vida de muitos, e uma das falhas que vejo no Movimento Zeitgeist e Projeto Vênus, é a abstenção de comentários e informações neste sentido, dependendo do forúm que se entra. Imagino que seja porque mal estamos conseguindo cuidar de nossos corpos e temos que mantê-los vivos para continuar nesse plano existencial, e essa é a prioridade deles. Considero uma ótima ideia construir um mundo que nos dê condições de irmos atrás de qualquer que seja nosso objetivo, seja ele físico ou espiritual, mas vejo que ainda falta um suporte para mostrar que religiões têm um papel importante em uma sociedade tecnológica. São elas que fazem nossa conexão com muito do que não vemos e entendemos, e precisam, portanto, ser levadas em conta.No próximo post vou explorar mais o assunto.
:-)

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