sexta-feira, 30 de abril de 2010

Hábitos extremistas

Já falei em um post passado sobre os problemas de se considerar sempre certo, mas hoje vou estender o assunto um pouco, para mostrar aplicações mais práticas no nosso dia-a-dia. Vou focar inteiramente, inclusive, em um problema que vejo muito em nossa sociedade, em praticamente todos os assuntos que conversamos ou áreas que estudamos. É uma consequência terrível de querer sempre estar certo, pois ela fecha a cabeça da pessoa para outros pontos de vista e pode, muitas vezes, cegá-la completamente para o que acontece no mundo. O indivíduo passa a esperar algo do mundo de tal forma, que quando não recebe, chega a recorrer para atitudes extremas ao tentar corrigi-lo, segundo sua restrita visão. O fanatismo não encontra barreirar, e basta a pessoa fechar sua mente para que ele se instale.
Ultimamente, quando ouvimos a falar sobre algum fanático, a primeira imagem
que nos veem à cabeça faz referência à religião. Mas o conceito é mais amplo do que isto, e pode envolver praticamente qualquer assunto. Mas para se ter uma ideia de quanto ele está inserido em nossa sociedade, tente debater sobre algum assunto conhecido como tabu, ou algum que estamos tão acostumados que nem percebemos que o fazemos.
O maior exemplo que me vêm à cabeça é o do patriotismo. Para quem não sabe, esta história começou a poucos milênios atrás, quando começamos a produzir alimentos de sobra, que podiam ser guardados para épocas de escassez. Isto criou um desnível social entre nós, que teve como consequência, a criação de governos e, sucessivamente, os países. Max Weber definiu bem o Estado quando disse é a entidade que detém o monopólio legítimo do uso da força. Ou seja, enquanto fanáticos batem no peito jurando amor à pátria, o fazem muitas vezes sem saber que estão sendo vítimas de uma prisão que os impede de andar livremente pelo mundo. E como em qualquer presídio, pode-se observar as divisões de territórios entre grupos distintos, às vezes incentivados pelos carcereiros como uma forma de manter o controle.
Outro exemplo onde pode-se ver claramente o fanatismo é no que diz respeito à democracia. Enquanto uma versão romantizada nos é vendida, a realidade mostra algo completamente diferente. Para começar, a democracia é uma eterna guerra, onde o povo é dividido entre partidos e colocado para competir, não para trabalhar junto. É onde um lado sempre tenta vencer o outro, a vitória de um é a derrota de todo o resto. É onde um ponto de vista tenta ser superior, mesmo isso não sendo verdade para todos. O voto, por se tratar de uma decisão popular, não trás reais soluções, pois nada mais é do que a escolha do candidato mais popular, não do mais capaz. É a escolha de alguém que vai tomar decisões, não chegar à elas de forma científica e sistemática. E decisões que raramente são imparciais e baseadas nos recursos naturais que realmente temos, ao invés do valor econômico atribuído à elas, e em quem irá contribuir mais para a campanha, ou os votos que irá receber.
Mas acho que o exemplo mais claro pode ser visto no que diz respeito ao dinheiro. Estamos tão fanáticos por ele que chegamos a agir como viciados. Apesar de termos os recursos naturais necessários para uma melhoria de vida da população inteira, optamos por não  fazê-lo por lucro. Nossa visão é tão pequena que não consideramos os benefícios de se livrarmos deste artifício que só tem criado segregações desde sua criação. Não conseguimos nem pensar em uma sociedade sem ele em nosso meio, tamanho é nosso fanatismo por ele.
Assim como já fiz com o dinheiro antes (1 e 2), futuramente farei posts específicos sobre o patriotismo e sobre a democracia para aprofundar mais sobre estes assuntos. Não quero me alongar muito mais nesse post, ainda mais se for pra entrar em esportes, partidos políticos, religião e estilos de vida, pois esses também merecem seus posts separados em outra ocasião.
Para encerrar, uma citação de Thomas Paine que alguns já devem conhecer, que acho fantástica:
A minha pátria é o mundo, e a minha religião a prática do bem”.
:-)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

The book is on the table

Em vários dos post que tenho colocado aqui, assim como em outras partes do blog (Links Informativos, Vídeos Recomendados, Blog Archives, etc..) tenho misturado um pouco de inglês com o português, o que talvez tenha deixado alguns com a cara virada. Mas existem motivos por trás disso, que muitas vezes as pessoas não veem por estarem confortáveis demais até mesmo com a própria linguagem, deixando de lado o resto. Claro, o ideal seria que todos falássemos uma mesma língua, mas acho que isto vai demorar um pouco para acontecer. E mesmo quando acontecer, se não cuidarmos, vamos estar fadados à criar outra aberta à interpretações, o que significa que mesmo falando o mesmo idioma, ainda não iremos nos entender. Mais ou menos como acontece com muitas religiões ocidentais hoje em dia, onde todas leem do mesmo livro e chegam a conclusões, as vezes, completamente contrárias. E ai os livros começam a ser editados para refletir aqueles novos entendimentos, e novas segregações são criadas. Um exemplo pode ser encontrado bem fácil.
Quando nascemos e aprendemos a falar, aprendemos uma ou mais linguagens para conseguirmos nos comunicar com nossos pais, principalmente. Dependendo de como somos criados, aproveitamos esses primeiros anos de vida, quando nosso cérebro funciona como uma esponja seca, para absorver a maior quantia de informações possíveis sobre o mundo. Se somos inseridos em um ambiente onde várias linguagens nos são apresentadas, vamos tentar compreender e
aprender cada uma delas, inclusive se elas não são expressadas de forma oral. Isto faz parte de nossos instintos de sobrevivência e adaptação, que são nossas únicas ferramentas quando somos menores, para que consigamos nos manter vivos em praticamente quaisquer ambientes do planeta que formos largados. E um desses instintos é o de se comunicar.
Por nossa espécie ter se separado tanto ao longo dos milênios, criamos costumes, mentalidades e linguagem diferentes. Assim, para entender outras pessoas do outro lado do planeta, é necessário que se abram as cabeças e aprendam novas linguagens se não se sabe ainda. E aí que eu vejo muita gente ficando para trás, pois a aversão de alguns à aprender um jeito novo de se comunicar simplesmente os deixa sem saber de muitas novidades que estão acontecendo por ai, algumas inclusive que podem ser as respostas para seus problemas. Às vezes o que mais precisamos é justamente de uma perspectiva diferente.
Tente encarar da seguinte forma: se o universo é um quebra-cabeças, onde cada molécula e átomo é uma peça, e cada pessoa é um olho observando essa obra, nunca teremos uma visão completa (ou perto disso) se não começarmos a nos comunicar e saber o que o outro está vendo. Cada cultura é um ângulo diferente de se olhar para a mesma coisa, trazendo consigo pontos de vista que talvez não tenhamos considerado antes. Aprender uma nova linguagem é o primeiro passo para se entender outra cultura, pois ao se fazer isto começamos a entender mais claramente o que pensam e principalmente, como pensam, desde o senso de humor até os xingamentos.
Por isso, alguns links por aqui estão em outras línguas. Algumas pesquisas e estudos não foram feitos, ou não foram traduzidos ainda, para o português. Sempre que possível, eu vou tentar colocar eles na língua brasileira, mas se não estiverem, deem uma procurada na Internet pelo assunto. As chances de acharem irão aumentar se souberem mais de uma língua.
Algumas páginas onde se pode aprender línguas de graça na Internet são: Livemocha, Deutsche Welle (pra alemão) e o Free Language.
:-)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Educação ou adestramento?

Um grande mal-entendido que podemos ver em nossa sociedade atualmente é sobre educação. Enquanto o conceito nos diz que é o processo de ensinar e aprender de uma forma generalizada, estamos cada vez mais restringindo o foco, apesar de não percebermos muitas vezes. O maior exemplo é a constante criação de cursos cada vez mais especializados em um único tópico, fazendo com que seus estudantes se tornem extremamente hábeis em cada vez menos tarefas, iludindo-os com a impressão de que este deveria ser seu único objetivo de vida. Mas se estamos conectados com tudo o que tem ao nosso redor, passar a vida inteira analisando um único tópico é mais ou menos como usar um antolho, que nos impede de ver as relações que fazem tudo funcionar na realidade.
Para ter uma idéia melhor, é só vermos o quanto estamos conectados no mundo: tire o ar, e morremos em minutos; remova as plantas e também não demoramos muito para perecer; ao se eliminar os insetos, as plantas irão parar de procriar e lá vamos nós novamente. Aliás, Edward O. Wilson mostra bem esse ponto quando diz que “Se toda a humanidade desaparecesse, o mundo voltaria ao rico estado de equilíbrio que
existia há 10 mil anos. Se os insetos desaparecessem, o ambiente iria do colapso ao caos”. Portanto, o foco em apenas um ou outro tema não são a solução de problemas, pois nos fixamos em uma ou outra metodologia, deixando de explorar outras perspectivas que se conectam com o assunto, e assim, falhando em entender o que realmente está acontecendo. Mais ou menos como tratamos os problemas de violência hoje em dia, em que caçamos e prendemos as pessoas por roubarem, mas não vemos que nãodamos à elas condições básicas de comida, habitação e higiêne, enquanto sustentamos um sistema que apenas permite sobreviver aqueles que tem lucro. Nos tornamos doutores em cobrar, e por termos perdido todo o contato com o dar, acabamos em um ciclo auto-destrutivo, onde apenas sugamos do planeta sem notar que estamos apenas cavando nossa própria cova.
E este não é o único problema. Se estivéssemos aprendendo a realmente pensar ainda, talvez o quadro fosse menos trágico, mas nossas escolas se tornaram criadoras de técnicos, não de pensadores ou cidadãos livres. Durante nossa vida escolar somos adestrados constantemente para passar nesta ou naquela matéria, para realizar esta ou aquela tarefa, e para se encaixar neste ou naquele emprego. Por estarmos cada vez mais focados em um ou outro aspecto da sociedade, não desenvolvemos um pensamento crítico, principalmente sobre como vivemos. Somos treinados para aceitar a estrutura social do jeito que está, enquanto tentamos se enquadrar nela, quando deveriamos estar fazendo justamente o contrário: devíamos adaptar nossa sociedade constantemente, transformá-la em um organismo vivo, capaz de crescer e se desenvolver. O que vivemos hoje em dia pode ser comparado com a síndrome de Peter Pan, que lembra muito bem outro problema que certas pessoas tem.
Talvez seja hora de largar a mamadeira e a chupeta, e começarmos a andar com as próprias pernas. Certamente levaremos alguns tombos no caminho, mas é assim que se aprende a caminhar, correr, pular, dançar e até andar de bicicleta. As possibilidades são inúmeras, depende apenas de nós darmos o primeiro passo.
:-)

terça-feira, 27 de abril de 2010

O Criador do Futuro

Imagino que deve ter algumas pessoas que estão lendo este blog e se perguntando qual o objetivo de tanta mudança sendo proposta. Eu tento deixar claro que estamos vivendo em uma sociedade que, por tentar competir constantemente, acabou se aprisionando em sua própria pista e está fadada a dar voltas eternamente, se não mudarmos. Mas de todos os aspectos que tratei até agora, nenhum falou sobre como podemos se livrar da prisão que mais consome nosso tempo, e que é a que mais temos medo de perder. Ela separa famílias e faz muitas pessoas perderem noites de sono e arriscarem a saúde, e tudo porque não nos unimos para se livrar dela. Já fiz um post sobre o assunto, mas nele eu não deixei claro do porque são um atraso e desperdício de vida, nem de alternativas para eles. Estou falando de empregos.
Em seus primórdios, o homem tentava suprir suas necessidades contando apenas consigo mesmo. Sem ter muito conhecimento, sobrevivia de um jeito simples, mas rudimentar. E antes mesmo de termos descoberto o fogo e a roda, já usávamos clavas e lanças para conseguir alimentos e nos defender. O que muitos não notam, é que este foi o começo da tecnologia. Muito diferente dos apetrechos modernos que temos hoje, aquelas ferramentas já nos libertavam de certas tarefas que eram mais difíceis, ou até impossíveis, de fazermos com as próprias mãos. Desde aquela época, sempre tentamos criar instrumentos para nos auxiliar nos trabalhos que precisávamos fazer, mas raras foram as vezes que usamos estes artifícios para nos libertar de uma forma completa.
Por ainda não termos informações e conhecimento suficientes, ainda víamos o trabalho como uma tarefa obrigatória em nossas vidas, e nossa relação com ele foi ficando cada vez mais estressante, ainda mais depois da criação da agricultura. Naquele momento trocamos a multiplicidade do que fazíamos por trabalhos cada vez mais repetitivos. Stephen King escreveu bem ao dizer que  inferno é repetição. Mas ao invés de tentarmos livrar todos deste mal, começamos a nos separar em classes, e passamos a ver  escravos como tecnologia. Por estarmos em uma sociedade baseada em dinheiro, aqueles que lucravam ainda incentivavam mais esta mentalidade, plantando as sementes para o sistema de escravidão pago e voluntário conhecido como emprego.
 Quando a escravidão foi abolida, pouco suporte foi dado para aqueles agora livres. A ordem da sociedade era de que a pessoa precisava de dinheiro para poder comer, pois as terras pertenciam todas à alguma pessoa, e não poderiam plantar seu próprio sustento. Naquele momento, comida, água e abrigo passaram a ser mercadorias, e não direitos, prendendo as pessoas no mundo financeiro, onde elas precisam produzir algo que gere lucros, mesmo que supérfluo e sem sentido, apenas para sustentar terceiros que ainda vivem do trabalho de outros. Apesar de ser um completo absurdo, isto não é o pior.
A história foi tão bem bolada e contada, que nossa aversão por mudanças se encarregou de nos prender neste  sistema de uma forma tão incrível que quando se menciona acabar com empregos, o primeiro sentimento é de revolta. Claro, como ainda vivemos em um mundo onde eles são a única forma de sobrevivência, não é de se admirar que a população se revolte contra máquinas tomando seus lugares. Mas seria mesmo a única forma de sobrevivência? Enquanto vivermos em uma sociedade baseada em dinheiro, onde cada pessoa precisa competir constantemente com seus irmãos, amigos e colegas para que tenha alguma chance de sobrevivência, realmente não existirá outra forma de se viver. Mas e se mudássemos nossa perspectiva, e passássemos à cooperar uns com os outros, ao invés de competir?
Neste caso, iríamos ver novamente a tecnologia com bons olhos, pois a usaríamos para realizar as tarefas básicas e repetitivas que nos prendem. Poderíamos, gradualmente, ir implementando ela em certas áreas onde já temos tecnologia suficiente para isso. E logo, aquele mês de férias que podemos tirar por ano poderia passar para 2 ou 3 meses, ou as 8 horas que trabalhamos diariamente poderiam ser reduzidas para 4 ou 5. E assim se seguiria até que estivéssemos completamente livres de trabalhos mecânicos e braçais, deixando à cargo das pessoas o que fariam com seu tempo livre.
Para aqueles que tem a visão romantizada do cinema, achando que as máquinas iriam se revoltar contra as pessoas e sair matando todo mundo, podem se despreocupar. Máquinas só fazem o que nós, humanos, mandamos elas fazerem. Então, enquanto continuarmos construindo e desenvolvendo armas de destruição, certamente vamos continuar temendo elas. Mas no momento que começarmos a criar mais robôs que produzem alimentos, cuidam de nossa saúde e nos libertam de tarefas infernais, vamos começar a ver eles com outros olhos.
Mas para isto precisamos mudar nossa mentalidade, e parar de se preocupar apenas com nós mesmos. Precisamos nos libertar primeiro em nossas cabeças, de costumes e superstições antigas, que não tem mais função em nossa sociedade. No momento que nos livrarmos do egoísmo estaremos nos livrando também das correntes que prendem nossa vida, e que muitos não conseguem enxergar por estarem muito preocupados com o próprio umbigo. Quando enxergamos que a cenoura em nossa frente só esta lá para nos manter puxando a carroça, vamos acordar para se livrar deste peso.
:-)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Quanto de você é você mesmo?

Pra quem está olhando os vídeos do pessoal do Zeitgeist e do Projeto Vênus, já devem ter visto essa pergunta em um ou outro vídeo, ou em algum fórum. Pros que não conhecem, vou plagiar Peter Joseph e, principalmente, Jacque Fresco em algumas frases e exemplos, pra tentar passar esse conceito que é fundamental para entender melhor quem somos, pois somente assim podemos deixar certas manias de lado e seguir em frente com mais confiança. O que eu vou tentar explicar neste post é como o ambiente molda nosso comportamento, em muitos casos mais do que pensamos.
Muitos povos se separam de outros por se fixarem nas diferenças, e não em pontos em comum, mas raramente pensam realmente no que estão fazendo por um simples motivo: costume. Por sermos criados de tal forma, com foco na competição, nos condicionamos a ver o diferente como algo a ser evitado, pois não fazem parte do que consideramos seguro para. Claro, este não é um comportamento novo, e no passado era necessário, pois nossos antepassados não conheciam a extensão do planeta nem quem o habitava. E por terem se encontrado algumas vezes com seres parecidos com eles, mas que os atacavam para roubar comida ou até mesmo fogo e ferramentas, ficaram desconfiados daqueles que não pertenciam à seus clãs. Mas isso foi a milhares de anos atrás, e apesar de nosso conhecimento sobre o planeta ter aumentado com o tempo, nossas relações sociais continuaram as mesmas.
Algumas pessoas hoje discriminam outros por vários motivos, mas sempre observam apenas seu lado, sem analisar como o outro grupo foi criado, e por isso as definições de certo e errado sempre irão conflitar. O que é certo para um grupo não é necessariamente correto para outro, mas em vez de procurar o ponto em comum estão enclausurados no padrão da diferença. E existe um jeito simples de se notar isto, que Jacque Fresco vive repetindo em suas palestras e eu acho fenomenal: se você pegar um bebê recém nascido na China e levar ele para o Brasil, ele vai crescer com todos os costumes e manias de um brasileiro, inclusive o sotaque. Se você pegar o filho de uma pessoa do nordeste e levar para ser criado no sul, ele vai crescer do com os mesmo hábitos do pessoal do sul. Assim, se você pega qualquer bebê e o coloca para ser criado em um ambiente de racismo, discriminação e competição, adivinhem o que ele vai fazer? E o mesmo pode ser visto com assassinos e outros comportamentos mais extremistas da sociedade: tudo depende da formação e do ambiente que a pessoa tem. Por exemplo, filhos mais velhos tem comportamento parecido entre si porque tiveram irmãos menores; ou então uma residência com muitas proibições pode criar uma pessoa extremista e revoltada.
Pode. Não quer dizer necessariamente que vá se tornar, pois aí entra a complexidade dos nossos genes. São eles que definem todas nossas características, mas diferente do que muitos pensam, eles não são os únicos responsáveis por nossa vida. Eles se comportam basicamente como um sistema de alarmes: se as condições aparecem, eles são disparados. Assim, uma pessoa geneticamente propensa a ter diabetes, problemas cardíacos ou outras doenças só vai desenvolvê-las se sua alimentação, exercícios físicos e mentais forem feitos de uma maneira a acionar esses genes. Se uma situação estressante aparecer, uma pessoa com propensão para o nervosismo pode ficar louca, enquanto outra mais calma não muda tanto o comportamento. Mas se a situação continuar por um longo período de tempo, essa pessoa calma pode começar a mudar seu humor e ações frente à constante repetição, que certamente começara a influenciar sua vida de alguma maneira.
Mas ainda temos mais uma ferramenta que muda e afeta nosso comportamento, e que cada vez mais usamos ela conscientemente. É o famoso livre-arbítrio: nossa cabeça. Quando sabemos sobre a influência que uma situação tem sobre nós, e como nosso corpo automaticamente reagiria à ela, temos um maior controle de nossas ações, nos dando a opção de mudar nossa reação. É difícil no começo porque, em certos casos, não estamos acostumados a pegar as rédeas, e o trabalho chega a parecer impossível. E quando o fazemos, se formos realmente tentar aprender a "dirigir" nosso comportamento, podemos nos perder nesse fantástico e hipnótico ciclo de influências: o ambiente molda nosso comportamento, que à princípio reage automaticamente por causa dos genes, mas que pode ser mudado por nossa cabeça que é um fruto do próprio ambiente. Entenderam? Se não, deixem eu dar um exemplo: um racista é assim por causa do ambiente em que foi criado, podendo ser mais raivoso ou pacífico, dependendo de seus genes. No momento que ele toma consciência de seus atos e tenta mudar, as respostas que ele vai achar para suas perguntas virão primeiro do ambiente da qual ele tenta fugir, pois foi a única coisa que conheceu até então. Para dar um exemplo mais claro ainda, podemos pegar os nazistas da segunda guerra, onde alguns que entenderam o que estava acontecendo no meio da guerra até tentaram mudar e fugir. Mas por estarem no exército e aquela ser a única forma de sobrevivência que conheceram, além da crise que estava acontecendo, se obrigaram a continuar seguindo ordens sob pena de perecerem nas mãos dos próprios conhecidos.
Obviamente isto não justifica nada do que fizeram, mas mostra que, enquanto não tentarmos mudar nosso ambiente de competição para união, podemos continuar criando leis, criando taxas, colocando policiais nas ruas, e até o exército: crimes vão continuar a acontecer, sejam eles simples furtos ou o extermínio de populações inteiras, seja por guerra, fome, sede ou doenças. Todos problemas que podem ser facilmente resolvidos a partir do momento que conhecermos a nós mesmos e agirmos com mais consciência. Como o Jacque disse: colocamos o homem num pedestal, como se ele fosse a criatura mais inteligente do planeta, enquanto nada está mais longe da verdade. Mas pode ser, depende apenas de cada um de nós.
:-)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Algumas dicas 2

Já que estou devendo a algum tempo, vou aproveitar esse post para falar sobre as idéias que surgiram no encontro com o pessoal do Zeitgeist, e aproveitar para incrementar mais as que tinha passado antes.
Para começar, um ponto que eu tenho falado em praticamente todos os posts e vou continuar repetindo por muito tempo ainda: espalhar a informação. Muitas pessoas não fazem idéia de como o mundo realmente funciona, pois pensam que ele sempre foi assim e que tudo que conhecem é algo natural, e não criado por nossos antepassados através de decisões e ações, às vezes questionáveis. Pode não parecer, mas acho que muitos vão se espantar quando começarem a pesquisar e acharem algumas respostas para questões do tipo: como o dinheiro é criado? E são questões como essa, sobre a base da nossa sociedade, que precisam ser feitas para que tenhamos alguma chance de resolver algum problema que estamos enfrentando, em alguns casos simplesmente por mantermos o mesmo padrão de milênios atrás por, justamente, falta de informação. Claro, para compreendermos melhor o que estamos fazendo, é bom entender como pensamos, e ver os padrões do nosso comportamento em sociedade. Pois sem saber mais sobre nós mesmos, dificilmente iremos resolver o que nossas ações causam, e possivelmente podemos piorar a situação em que se encontramos.
Outra dica que eu tento passar também é a de desligar mais a televisão. Não estou dizendo isto porque acho que o meio em si é abominável, pois existem muitos programas bons, mas precisamos aprender a separar o joio do trigo. Certos programas, no entanto, são feitos exatamente para se manter o statu quo, criando uma letargia mental nos espectadores. São muito difundidos por usarem temas que apelam para emoções ao invés do intelecto, como sexo, agressão, medo, raiva, alegria e tristeza. E justamente por apelarem pelo nosso lado animal e por passarmos tanto tempo em frente à esta caixinha mágica, continuamos nos comportando como tais, sendo inclusive adestrados por ela para continuar consumindo cada vez mais. A solução nesse caso, é incrivelmente simples e ajuda a economizar uma boa quantia com eletricidade: apenas desligue o aparelho. Ai pode começar a usar o tempo extra - e garanto que irá notar o enorme tempo que tem nas mãos - para aproveitar o dia, ler um livro no parque, conversar com os amigos, passar mais tempo com a família, fazer pesquisas, inventar novos meios de gerar energia, e muitas outras coisas mais produtivas e prazerosas. Estamos a tanto tempo sem desgrudar da tela, que em certos casos esquecemos os prazeres que os pequenos detalhes da vida nos trazem.
E já que a ideia é liberar mais tempo, pra quem gosta de informática e quer se aprofundar um pouco mais no assunto, podem aprender mais sobre como usar os softwares livres, e ajudar aqueles que tem mais dificuldades com isto. Desta forma, além de estarem poupando dinheiro e se poupando de possíveis incomodações com a justiça atual, ainda podem contribuir para a comunidade. Eu, particularmente, uso o Ubuntu em casa, e escrevo os posts no OpenOffice. São alternativas mais versáteis do que as comerciais, além de não terem custos. Concordo que o aprendizado precisa ser um pouco mais aprofundado do que com os concorrentes, mas acho que isso chega a ser um incentivo, dependendo da pessoa.
Como citado anteriormente, o voluntariado é um ótimo exemplo de se usar o tempo livre, e uma das atividades mais recompensantes. É um movimento que está crescendo cada vez mais, demonstrando que o brasileiro não fica necessariamente esperando pelo governo, e consegue achar soluções criativas e que não exijam investimentos pesados. Criar projetos fáceis que melhorem a vida das pessoas e colocar na Internet para outros aproveitarem também é uma ajuda para a comunidade. E por isto é importante se divulgar a informação, mesmo que seja na conversa diária, pois muita gente nem imagina a existência de soluções alternativas e caseiras. Assim como energia elétrica, podem estar pagando por produtos e serviços que talvez nem precisem por não saberem que existem outros meios, ou por estarem acostumadas com o consumismo.
Bom, e uma última dica para este post é a de conhecer mais o trabalho das comunidades do Zeitgeist (Movimento Zeitgeist Brasil  e The Zeitgeist Movement Brazil). Pra quem também acha que nossa sociedade precisa de uma re-estruturação, e que perdemos tempo demais se preocupando com as consequências, raramente abordando as causas, essas comunidades podem ajudar. A abordagem delas é prática e integram pessoas do mundo todo que estão interessadas em mudar alguma coisa. Ali pode-se ver o que já está sendo feito para que isto aconteça, além de respoderem dúvidas e darem dicas do que fazer. Algumas delas eu vou explorar mais em outro post futuro.
:-)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Nossa cabeça 3

Quem tem acompanhado os posts (1 e 2) deve ter adivinhado ontem ainda que esse seria sobre mais um dos vícios que nossa mente tem quando inserida em sociedade, e que ele seria sobre posição social, o famoso status.
Diferente do que muitos pensam, ter diferenças sociais na sociedade não é algo tão velho quanto o próprio homem, sendo algo criado recentemente quando se compara toda a existência humana no planeta. Ao notarmos que essas diferenciações apareceram junto ou logo após a descoberta da agricultura, podemos entender mais o porque muitas pessoas dizem que este foi o pior erro que cometemos e da qual não se recuperamos até hoje. Além dos motivos de saúde, a prática aparentemente criou o comércio, que por sua vez gerou as classes sociais, dividindo as pessoas pelos bens materiais que possuiam. Ao se analisar estudos feitos sobre a relação entre o posicionamento social e a saúde, ou a inteligênciapodemos chegar a conclusão de que essa segregação começou por causa de um fator bem conhecido nos dias atuais, mas que nossos antepassados nômades talvez não estivessem tão familiarizados: a autoestima.
A criação da agricultura (com todas suas consequências) pode ser visto como um reflexo ao medo, pois trocamos todas as opções de alimentos do mundo pela segurança de um prato de comida. E enquanto animais irracionais - aqueles que não sabem (ou não se importam) que vão morrer - são aprisionados por grades, os racionais o são pelo medo. Para ter um escravo humano, precisamos apenas descobrir o que ele mais teme que o teremos praticamente na palma da mão, pois o único jeito dele se libertar é sobrepujando o próprio medo, que por incrível que pareça, é mais difícil do que escapar de prisões físicas. Posso até ser preso fisicamente por dar esta dica, mas para escapar dessa prisão psicológica a melhor ferramenta é a informação, pois ela mostra que nosso medo pode ser infundado. E se tiver fundamento, ainda podemos usá-la para contornar a situação, achando alternativas que diminuam o impacto do problema e nos auxiliando em seu tratamento.
A decisão de nossos antepassados de se render ao medo deu início à uma corrente que vivemos até hoje, pois baixa autoestima nada mais é do que o medo de rejeição, seja da sociedade, de um grupo, de uma pessoa ou, em última análise, de nós mesmos. E por eles, mesmo sem perceber, terem dado este passo, fomos aos longo do tempo perdendo cada vez mais a confiança em nós mesmos,  ficando mais dependentes de outros, nos submetendo à suas decisões por mais egoístas que sejam. Mas podemos notar como é fácil de se reverter este quadro, quando fazemos açoes que diminuem as diferenças sociais ou ajudando os menos favorecidos, vemos os resultados aparecendo na sociedade.
Mas embora algumas pessoas já tenham decidido tomar um rumo diferente do que nossos ancestrais, ainda temos bastante a fazer, pois os problemas criados nos últimos dez milênios não irão desaparecer do dia para noite simplesmente porque queremos. Precisamos arregaçar as mangas e trabalhar para desfazer o que todos estes anos de medo e baixa autoestima causaram, começando com o compartilhamento de informações e a criação de uma mentalidade crítica. Somente sabendo pensar por nós mesmos e dar valor ao que realmente interessa é que vamos dar um passo mais consciente em direção à construção de um futuro mais sustentável.
:-)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Tô certo ou tô errado?

Pra quem olhou as palestras do Peter Joseph e do Jacque Fresco, possivelmente não vou falar nenhuma novidade. Mas para quem não teve a oportunidade ou o tempo de dar uma olhada, vou tentar passar um pouco da ideia para que estejam a par. Para começar, já tentaram definir o que é certo e o que é errado? Se chegasse um alienígena por aqui, e vocês fossem escolhidos para mostrar o planeta, explicar as culturas do mundo e responder as perguntas, como definiriam o que pode ou não ser feito para este ser que não tem conhecimento nenhum (além da língua, claro) sobre nossa espécie?
Alguns fariam referência aos valores religiosos, enquanto outros iriam para o lado das leis dos homens, e possivelmente todos iriam fazer fazer referências à nossa conduta, citando a moral e fazendo referências ao bem e ao mal. Mas se todos estes valores/leis/comportamentos mudam com o tempo e local, como podemos definir para este alienígena o que consideramos certo e errado de uma maneira planetária? Se ele decidir voltar em outro tempo e local, provavelmente se sentiria completamente perdido com o que passamos para ele nesse momento. Assim como se conseguíssemos criar viagens temporais, ficaríamos loucos tentando "consertar" certos comportamentos do passado, ou ser castigados severamente no futuro. Mas nem precisamos ir tão longe assim: muitas coisas que são normais em um lugar do mundo, são aberrações passíveis de punições em outro. Por ter essa variação, concordo com o pessoal do Zeitgeist e Projeto
Venus quando eles dizem que nossas noções de certo e errado são definidas pelo que a sociedade aceita ou não em determinado local e tempo. Mas o que isso realmente quer dizer para nós e como influência nossas vidas?
Para mim, basicamente quer dizer que nossos conceitos estão sempre evoluindo, e que os motivos de guerras e brigas hoje em dia muito provavelmente irão parecer completas besteiras em outro período . Para mim, quer dizer que com um pouco de pesquisa e experimentos podemos mudar completamente nossa cabeça e vermos o mundo com outros olhos, evitando destruições desnecessárias. Para mim, quer dizer principalmente, que estar errado é é mais versátil do que certo, porque é onde descobrimos que podemos crescer mais, e não ficar estagnados no mesmo lugar. Mas observem que não estou incentivando a saírem por aí fazendo coisas erradas de propósito, pois isto não é estar errado, é insistir no erro mesmo. O que estou incentivando é nada mais nada menos do que perder a vergonha e termos a humildade de assumirmos que por um motivo ou outro, tenhamos talvez, tomado um caminho duvidoso e chego na conclusão errada. Esse é um ponto que eu vejo fazer muita falta no mundo hoje em dia, onde as pessoas praticamente se acostumaram a estarem certas.
Se considerássemos mais os conceitos de certo e errado como relativos ao tempo e local, observaríamos também que muitos dos comportamentos que consideramos errados são, do ponto de vista do perpetuante, certos. Novamente, não estou incentivando ninguém a sair por ai assaltando ou fazendo coisa pior, apenas estou tentando mostrar que muitas vezes somos rápidos demais para julgar, pois apenas observamos nosso ponto de vista. E por apenas vermos nosso próprio lado, ficamos sem as ferramentas para analisar o porque certas coisas acontecem, e assim continuamos a sofrer os mesmos males. É mais ou menos como ir contra uma parede e bater com a cara nela na esperança de passar para o outro lado: enquanto não virarmos nossa cabeça e procurarmos a porta, vamos continuar perdendo os dentes em tentativas frustradas.
Isto sem falar de gostos, opiniões e crenças. Por querermos aplicar os conceitos de certo e errado nestes tipos de assunto, acabamos nos segregando por coisas simples que, por serem de cunho pessoal, são completamente irrelevantes para o desenvolver da sociedade como um todo, criando hipóteses absurdas que raramente são possíveis de serem criadas. E o que é ainda pior: não fariam a menor diferença se fossem. Mais ou menos como discutir que música é a mais gostosa, que time é o melhor, ou a existência do Saci-Pererê: esses assuntos dizem respeito apenas à indivíduos, não à espécie, e não fazem (ou deveriam fazer, em um mundo ideal) uma real diferença em como nos relacionamos, pois só realçam a individualidade de cada um. Mas infelizmente, enquanto prestarmos mais atenção em nossas diferenças do que no que temos em comum, vamos continuar dando mais importância ao certo e errado do que para o conhecimento.
Claro, se soubéssemos o porquê somos tão viciados nesses dois conceitos, talvez entendêssemos melhor a nós mesmos e pudêssemos mudar mais tranquilamente. Mas esse vai ser um assunto para o próximo post, esse já está de bom tamanho. Certo?
:-)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Nossa cabeça 2

Nesse post, vou dar continuidade ao assunto dos vícios cerebrais que nem percebemos, ainda mais depois de ter visto um vídeo que me chamou muito a atenção sobre esse aspecto de nossas vidas. O tópico, além disso, ainda explica certos comportamentos com as quais eu me identifiquei muito, e talvez possa ajudar alguns pais em lidar com seus filhos, pois como vamos ver, algumas das atitudes usadas para disciplinar o rebento são diretamente relacionadas com outra droga que nossa cabeça anseia incansavelmente. É um tópico polêmico, pois a falha ao se controlar esse desejo de nosso cérebro pode ter consequências bem desagradáveis. Dei uma palhinha sobre o assunto quando falei sobre Carpe Diem, e esse post tem a esperança de aprofundar um pouco mais no tema. Como já devem ter notado, o assunto desse post é a autonomia.
Talvez tenha gente se perguntando: o que tem de polêmico em se falar sobre autonomia? Não é exatamente isto que todos querem, procuram e que deveriam ir atrás? Para mim ao menos, a resposta não é um simples sim e não. Ela depende de cada caso, e principalmente de um fator crucial para a tomada de decisões: a informação. Esse, inclusive, é o motivo que me faz virar as costas para o sistema que temos como estrutura da sociedade atualmente. É o motivo que me faz ficar de boca aberta toda vez que fico sabendo de certos programas aclamados na televisão, e não de um jeito positivo. É o motivo que me fez procurar pelo que realmente podemos fazer para alcançar uma real autonomia, pois parece que esquecemos desse fator em nossos dias, e estamos apenas atrás de lucro, sem notar que ele é apenas a cenoura que nos incentiva a puxar a carroça, sem nos libertar realmente do peso que estamos puxando. Mas será que ao alcançarmos uma verdadeira autonomia não estaremos nos afundando em um caos sem tamanho, já que teoricamente, todos teriam liberdade total para fazerem o que quiserem?
Assim como os pais que dão escolhas pré-estabelecidas para os filhos em ordem de mantê-los na linha, criamos um sistema que também nos mantêm sempre no mesmo rumo, apesar das "opções de escolha" a cada 4 anos. Graças a este sistema, ainda temos a impressão que sem uma entidade olhando sobre nós, iríamos perder o rumo, e iríamos correndo pular no primeiro precipício que aparecesse. Certamente, sem informações, é o que possivelmente faríamos, pois sem ela andamos às cegas, como temos feito até agora, destruindo nossa própria casa e chamando de progresso. Mas, felizmente, temos o instinto de nos comunicar, de espalharmos o que sabemos, de tentarmos entender e de sermos entendidos. Graças a esta vontade, aprendemos e mudamos, nos adaptamos e descobrimos que a verdadeira autonomia não significa apenas fazer o que dá na telha, mas fazê-lo de uma forma responsável. E o fazemos desta maneira pelo mesmo motivo que não enfiamos a mão no fogo: sabemos que ele queima. Alguns aprendem apenas ouvindo os pais dizendo que é perigoso e restringem a tentação de fazê-lo, enquanto outros, mesmo sendo avisados, têm a curiosidade de descobrirem por si mesmos. A autonomia, assim como a liberdade, para mim ao menos, é exatamente isto: poder descobrir com os próprios erros. Os avisos estão escritos na história, e depende de cada um estudar se quiser, sob pena de repetir a situação eternamente.
E é exatamente aí que eu considero a autonomia um assunto polêmico: enquanto alguns governos tentam criar um estado que "cuida" da segurança dos seus cidadãos ao extremo, a população nem sempre vê isto como algo positivo. E muitos povos mesmo estão divididos: enquanto alguns acham que existem regras demais, outros ainda aparecem com novas. É mais ou menos como a criação de um filho, onde existem ainda muitos debates sobre até onde deve-se segurar e limitar a criança e a partir de quando deve-se deixar que crie suas próprias asas. Apesar de negarmos firmemente a cada quatro anos, esses problemas deveriam ser administrados pelos interessados, e somente por eles, sem afetar toda a população. Informações podem ser encontradas em abundância, tanto na Internet quanto em outras fontes, para auxiliar as pessoas em suas decisões. No caso dos pais, cada metodologia de educação apresenta seus defeitos e qualidades, e depende de cada um escolher a forma como vai criar o seu pimpolho. Já no que se refere ao Estado, a abordagem deveria ser a mesma, pois somente assim a população pode aprender por si mesma e realmente progredir e crescer com consciência. O governo, enquanto ainda necessário, deveria se preocupar apenas com os problemas referentes à toda população: comida, moradia e educação. E ainda assim, as decisões não deveriam ser tomadas, mas deveriam se chegar nelas através de pesquisa e experimentação. "Tomar" uma decisão por uma nação inteira é uma (i)responsabilidade muito grande para se largar nas mãos de uma pessoa, ainda mais quando ela não tem (ou tem pouco) conhecimento técnico, e é fruto de um sistema corrupto e egoísta. As chances de dar algo errado podem ser vistas diariamente em jornais e televisão.
Com uma população capaz de tomar suas próprias decisões, sabendo fazer pesquisas e ir atrás de experimentações, uma nação poderia realmente se chamar de soberana, pois possivelmente seus cidadãos supririam quaisquer necessidades que tivessem, encontrando alternativas locais para as próprias e reais necessidades. E estando cientes de que suas mentes tem uma obsessão por autonomia, poderiam entender melhor os rebeldes da sociedade, observando um pouco mais o que falam, levando em consideração seus pontos de vista quando baseados em pesquisas e experimentações.
:-)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Escravidão, você sabe o que é isto?

Já comentei em algum post passado que um dos problemas de ser especialista é que eles se concentram tanto em um ponto, que não conseguem olhar ao redor para achar a solução, mesmo quando os próprios repetem inúmeras vezes qual é a verdadeira raiz do problema. O vídeo do Kevin Bales no TED é o exemplo perfeito disso. Como sempre, peço que olhem o vídeo antes de continuarem lendo, para não serem (ainda mais) influenciados pelas minhas críticas sobre ele. Se quiserem, podem olhar depois de novo, acho que seria mais interessante ver o que acham e depois comparar com o que vou falar. Esse é um dos caminhos para o pensamento crítico. :-)
Um dos maiores especialistas sobre escravidão no mundo, e ainda assim parece que não entende o conceito da palavra contra a qual tanto luta. No conceito clássico, era conhecido como a propriedade sobre outro ser humano mantida através da força. Entretanto, com o passar do tempo, descobriu-se que pode-se prender as pessoas de outra forma, sem usar a violência. Assim a definição foi atualizada, mas mesmo sem notar muito, ainda vemos como escravidão apenas aqueles sendo açoitados para trabalharem por um prato de comida. Talvez por não querermos encarar os fatos, mas se notarmos, somos escravos de muitas coisas em nosso dia-a-dia. Nesse post, vou ficar no exemplo do emprego, que imagino já dar bastante pano pra manga.
Assim que assinamos um contrato em alguma empresa, estamos nos tornando propriedade daquela companhia. Se você acha que não, talvez seja a hora de pensar novamente e rever seus conceitos. Antes que venham dizendo que “ah, mas isso não pode porque o exemplo é feio”, peço para que pensem de novo. Seja qual for o caso, no momento que a “vida profissional” dita as regras da “vida social”, é porque você deixou de ser livre e passou a pertencer àquela empresa em particular.
Claro, ainda existe o argumento de que “foi você que assinou o contrato, por livre e espontânea vontade”. Nesse caso vou citar o Kevin, que explicou bem o ponto na palestra: “Ao redor de todo o mundo, foi-me dito quase sempre a mesma história. As pessoas falam: “Eu estava em casa, alguém chegou na vila, pararam na parte de trás do caminhão e disseram, 'Eu tenho trabalho, quem precisa de trabalho?' E eles fizeram exatamente o que você ou eu faríamos na mesma situação. Eles falaram 'O cara pareceu meio suspeito. Eu estava desconfiado. Mas meus filhos estavam com fome. Nós precisávamos de remédios. Eu sabia que tinha que fazer o que desse para ganhar algum dinheiro para sustentar as pessoas que eu me importo””. Se ainda não notaram, se perguntem: existe alguma forma de viver na sociedade hoje em dia sem emprego? Se isolar e ir para o meio do mato, por mais paradisíaco que seja, não resolve o problema. É só um adiamento e uma chance para ele aparecer de surpresa e mais preparado.
A alguns séculos já que estamos nos colocando nessa arapuca. Muitas pessoas que antes eram livres, foram
aprisionadas ou então iludidas por promessas que pareciam maravilhosas no começo, mas que logo mostraram a dura realidade. Assim, com o crescimento da população, o valor da vida foi caindo, e como o Kevin falou na palestra, hoje em dia está muito barato ter alguém trabalhando para você. Se a pessoa reclama do salário, o empregador não precisa pensar muito, pois na porta estão inúmeros outros, tão qualificados ou até mais, se oferecendo para trabalhar por menos do que você. E isso não é um problema de um ou outro país, mas da cultura que o mundo inteiro resolveu seguir à milênios, porque naquela época parecia a melhor coisa a ser feita. Mas as coisas mudam e o que era ideal, deixou de ser.
Ainda devem existir aqueles que acham que ter seu próprio negócio é a salvação da lavoura, pois são os donos do próprio nariz. Que ótimo que vocês não pagam taxas, nem precisam se manter contantemente no lucro para sobreviver. Mas piadas a parte, este é o ponto que eu acho que o Kevin perdeu a noção do que ele faz, e de como ele vê a escravidão. Inúmeras vezes durante a palestra ele cita cifras, dizendo o quanto vale o ser humano, quanto é preciso para libertar as pessoas e, inclusive, ele fez o cálculo de quanto seria necessário para libertarmos todas as pessoas da escravidão clássica com que ele está acostumado. O mais curioso é que ele chega a dizer que esse dinheiro não vai ser usado para comprar o escravo diretamente. Ele é usado em projetos para reintegrar essas pessoas na sociedade, justamente porque se comprasse direto "seria como se pagássemos o ladrão por nossa televisão que foi roubada". E é ai que meu queixo cai.
Como alguém me diz que o problema é justamente cortar o lucro do ladrão, e ao mesmo tempo não faz nada para isso? Tirar os escravos, forçar a mudar de ramo, ou aprisionar o cara não vai adiantar nada se o sistema ainda é o mesmo. Enquanto existir um motivo para ter lucro, vai existir a vontade de se conseguir ele rápido e fácil. Enquanto ainda existir a idéia de que se pode lucrar com a desgraça alheia, ainda vão se achar os meios para isso. E se mais de três mil anos de leis ensinaram algo, ou espero que tenham ensinado, é que elas não impedem o crime. Elas simplesmente agem como uma forma de vingança, fazendo com que o perpetuador simplesmente tome mais cuidado, não que mude sua mente. É empurrar a sujeira par debaixo do tapete, pois não estamos reeducando ninguém. A não ser que se considerem as prisões como universidades do crime, mas acho que se chegamos nesse ponto, está mais do que na hora de reavaliarmos a estrutura da sociedade. Não sei vocês, mas eu não gosto de ficar com medo da sombra quando caminho por ai.
E para aqueles que estão com o dedo tremendo para apontar para alguém, espero que tomem a consciência de apontarem para si mesmos primeiro. Enquanto as pessoas não abrirem os olhos para o que realmente acontece, e continuarem sem informações e iludidas, vamos continuar seguindo o mesmo padrão. Então, antes de dizer que classe X ou grupo Y tem a culpa disso, comece a espalhar notícias e pesquisas, e incentive a leitura de livros. Assim, possivelmente vamos nos libertar de vez das prisões que nos cercam diariamente, não apenas trocar uma por outra.
:-)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Fórum da Liberdade

Quando fiquei sabendo do Fórum da Liberdade deste ano, tentei ficar ligado nas notícias para ter um maior entendimento sobre o que estava acontecendo por lá. Mas a cada notícia que apareceu, fiquei cada vez mais decepcionado com as idéias sugeridas. A cada uma delas, meu queixo caiu mais um pouco, pois não vi nada de novo.
Inclusive, o que mais me impressionou foi a quantia de leis e regulamentos que foram sugeridas. Isso num lugar que é pra debater sobre a LIBERDADE! Segundo o conceito, posso chegar a conclusão que o louco não sou eu. Ao menos desta vez.
Na página do fórum está explicado que pegaram seis temas polêmicos para debater e tentar mostrar todos os ângulos possíveis de como podemos melhorar a sociedade. Os temas são:
  1. capitalismo;
  2. socialismo;
  3. intervencionismo;
  4. inflação;
  5. investimento estrangeiro;
  6. política e ideias
Bom, quando eu vi esses temas, já fiquei de cara fechada e achando coelho no mato. Como esperam resolver os problemas sociais, se fundamentam praticamente todos os temas no maior causador de segregação da história humana? Quatro dos seis temas são puramente baseados em dinheiro, e duvido enormemente que em algum deles (ou dos outros dois) existiu a proposta de uma sociedade sem este artifício. Já fiz dois posts (1 e 2) sobre o assunto, mas para quem não leu, um breve resumo: uma sociedade baseada em lucro é uma sociedade que se alimenta de problemas, logo, quanto mais problemas, mais lucro. Lucro é inimigo de abundância, sustentabilidade e eficiência, podem notar nos produtos que vocês tem em casa e no trabalho. O dinheiro é nada mais nada menos do que um incentivo para as pessoas se aproveitarem umas das outras, e enquanto estiver na sociedade, podemos passar mais 3000 anos criando leis e regulamentos, não vamos nos livrar de problemas básicos que temos hoje sem prender totalmente as pessoas.
Podem ver por alguns comentários feitos pelos palestrantes que chegam a exaltar a propriedade acima de qualquer outra coisa. Mas claro que não se poderia esperar outra coisa de quem é presidente de uma instituição que “tem como finalidade incentivar e preparar novas lideranças com base nos conceitos de economia de mercado e livre iniciativa.“. Imagino que a iniciativa deve ser livre desde que dê lucros, mas posso estar enganado. Afinal, fazem mais de 20 anos que estão trazendo as pessoas mais especialistas para “encontrar alternativas objetivas e viáveis para equacionar os problemas brasileiros”.
Como sugestão, podem acabar com o banco central e com os juros. Se querem um motivo, é só fazer um pequeno exercício mental: se o banco central é a única instituição que pode “criar” dinheiro, e quando o faz, é sempre na forma de empréstimos com juros, de onde vai sair o dinheiro para pagar esses juros? Para não complicar, pode desconsiderar mercados externos, porque se colocarmos eles no meio, são mais bancos centrais fazendo a mesma coisa. Se tiver algum economista lendo este blog e tiver uma resposta, por favor, me mande um e-mail ou deixe um comentário, pois é uma dúvida que realmente me intriga. O mais incrível é que isto é comentado no fórum, mas não sei por que cargas d'água não tocam no assunto. Ou melhor, até tenho uma ideia. ;-)
Continuando com os papos do fórum, tem uns vídeos que aparecem na página principal que ainda não tive tempo de ver todos, mas os poucos que eu vi, me impressionei. E não de uma maneira positiva. Tem um, por exemplo, que o cara começa dizendo que a premissa do capitalismo é não gastar mais do que se ganha. Oras, se ninguém gastar mais do que ganha, o capitalismo quebra, pois não tem dinheiro suficiente circulando para fazer a economia crescer. E essa é a ideia principal do capitalismo, não? Fazer a economia crescer infinitamente, apesar de vivermos num mundo finito.
Mas acho que o que mais me deixou desapontado com o fórum, foi a rapidez de muitos apontarem dedos para todos os lados. Precisamos urgentemente parar com essa mania, pois estamos todos só seguindo o mesmo padrão de milhares de anos. Enquanto as empresas tentam as formas mais mirabolantes de aumentar seus lucros, o povo continua sendo adestrado para consumir cada vez mais enquanto se mexe cada vez menos, e o governo ainda pula de um lado para o outro, dependendo de quem paga mais. Os problemas já são conhecidos a milênios, assim como as soluções de impor cada vez mais leis e regulamentos. Quem sabe não está na hora de começarmos a olhar para outras alternativas e largarmos em algum canto certos artifícios que só nos separam? Talvez está seja a real união que estamos precisando para acabar com os maiores problemas do mundo. Uma em que todos possam realmente participar, não só uma pequena parcela.
:-)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Nossa cabeça

"Tudo que está no mundo quando você nasce é normal e ordinário e é simplesmente o jeito natural de como o mundo funciona. Tudo que foi inventado entre seus quinze e trinta e cinco anos é novo e excitante e revolucionário e você provavelmente pode fazer uma carreira nisso. Tudo que é inventado depois que você tem trinta e cinco é contra a ordem natural das coisas" (Douglas Adams). Pelo jeito não sou só eu que vejo muitas pessoas presas ao que conheceram quando crianças e querendo voltar para aquele tempo quando adultas. Apesar de mudança ser uma constante do universo, o ser humano ainda parece que luta um pouco contra essa maravilha da natureza. Ao mudarmos, renovamos nossas energias, além de aumentarmos nosso conhecimento e expandirmos nossa mente.
Certos estudos feitos sobre nossa cabeça mostram que nosso medo de mudar vem da nossa estrutura mental, e que o cérebro é completamente viciado. Um desses vícios é a certeza. Ela acalma nossa mente como se fosse um químico qualquer, injetado para relaxar o turbilhão de pensamentos que inundam constantemente esse órgão misterioso. Por exemplo, quando vamos pegar um copo: nosso cérebro está calculando no inconsciente a força que precisamos fazer para pegá-lo, a distância que nosso braço precisa percorrer, a textura e a temperatura do objeto, entre milhares de outras coisas. Se alguma dessas
variáveis não bate com o que era o esperado, levamos um susto e, possivelmente, deixamos o copo cair. O cérebro age mais ou menos de uma forma preguiçosa, pois a cada aprendizado novo, ele se mexe. Assim, quando nós mudamos nossa mentalidade sobre algo, é como se estivéssemos fazendo uma sessão de academia com o cérebro e fazendo ele tirar a poeira de antigas conexões.
Outro modo de ver essa habilidade da nossa cabeça de calcular tudo isso é como se estivéssemos constantemente tentando prever o futuro. A cada passo que damos, calculamos inconscientemente como seria o futuro, e preparamos nosso corpo para o tipo de chão que esperamos pisar com as informações que temos (visão, passos passados, etc...). Se nossas previsões estão certas, continuamos a caminhada. Caso contrário, vamos ao chão, ou ao menos pisamos em falso e tropeçamos. Por estar sempre tentando defender o corpo, não deve existir nada melhor para o cérebro do que estar em território conhecido, onde nada de inesperado pode acontecer, e onde pode manter seu veículo à salvo. Mas se isolar, que é um método defensivo em casos de desespero, não garante um futuro de longo prazo, e pode se tornar um problema no futuro.
É mais ou menos o caso como temos agido durante os últimos milênios, em que nos isolamos em nossos mundinhos pessoais, e esquecemos que o planeta é redondo e que compartilhamos tudo com todos, em maior ou menor nível. Agora estamos finalmente acordando para esta realidade e estamos nos dando conta de que se continuarmos com essas ações egocêntricas, possivelmente não teremos tempo de conseguir colonizar outra esfera para garantir a sobrevivência de nossa espécie. Assim, estamos redescobrindo muito do que nossos ancestrais de antes da agricultura talvez já soubessem, antes de se renderem aos vícios do cérebro e irem atrás da certeza da segurança.
Com mais informações e conhecimento sobre o mundo, talvez possamos resgatar certas ideias que foram esquecidas com o tempo e adaptar elas para a atualidade. Possivelmente uma volta à simplicidade do passado com a mentalidade e perspectiva moderna podem resolver mais problemas do que a repetitiva criação de leis com que estamos acostumados. Pode ser o exercício que nosso cérebro anda precisando, no final das contas.
:-)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Onde estamos

Eu tenho três coisas a dizer hoje. Primeiro, enquanto vocês estavam dormindo essa noite, 30.000 crianças morreram de fome ou doenças relacionadas com má-nutrição. Segundo, a maioria de vocês está cagando e andando pra isso. E o que é pior é que estão mais indignados que eu falei cagando do que com o fato de terem morrido 30.000 crianças na noite passada.” (Pastor Tony Campolo) Acho que este pensamento descreve bem o tipo de sociedade que estamos vivendo hoje em dia, que se preocupa mais com decorações e palavras bonitas do que realmente ver a raiz dos problemas. Sim, concordo que não é uma visão bonita, mas às vezes é necessária. Sim, é trabalho pesado que precisa ser feito, mas enquanto ficarmos nos enrolando, ele não vai para lugar nenhum e aumenta com o tempo.
Já comentei em outro post que a linguagem é uma das nossas criações que deram um tiro pela culatra. E também tenho mostrado os problemas criados pela agricultura, e principalmente, pelo dinheiro. Com a crise econômica que estamos passando (dependendo de onde se vive), provavelmente vamos sair com mais uma invenção mirabolante que, na hora, vai parecer ser a salvação da lavoura, mas que com o passar do tempo, pode trazer problemas piores ainda. Por isso que a divulgação de informações é tão importante, pois somente assim teremos condições de ver onde estamos, traçar um esboço de onde queremos chegar e nos organizar para tentarmos ao menos seguir neste rumo.
Contrário ao que muita gente pensa, apesar de toda “segurança” com que nos acostumamos, governos seguem, na melhor das hipóteses, o rumo do vento. Sem considerar teorias conspiratórias, não existe, até onde vai meu conhecimento, um objetivo claro e direto em nenhum governo no planeta neste momento. O que muitos consideram um plano é apenas mais uma tradição insustentável tentando ser seguida. Crescimento econômico não vai durar muito mais, pois como já mencionei,  vivemos em um planeta finito. Ele tem recursos finitos e espaço finito. Ou seja, não existe como manter um crescimento físico infinito em uma realidade que tem esse tipo de limite. O petróleo, aparentemente, está chegando lá, segundo cada vez mais pessoas. Foi bom para quem aproveitou e está aproveitando, e inclusive será bom quando a crise chegar, pois ela está sendo esperada pelos menos desavisados. E se não cuidarmos com nossas ações, iremos simplesmente mudar do petróleo para o próximo material, sem mudar realmente o estilo consumista de vida. Isto significa que gerações futuras irão olhar para nós pior do que olhamos para neandertais e medievais, pois eles ao menos não tinham tanto acesso à informações.
Não imagino que algumas pessoas se importem, na realidade, com o que gerações ainda não nascidas irão pensar de nós. Mas acho que deveriam começar a se preocupar com o que a próxima geração irá se tornar, pois estamos seguindo o rumo de filmes apocalípticos, onde a geração mais nova está perdendo a consciência e interesse de cuidar da mais velha. Isso quando não a vê como carniça apenas, se aproveitando e roubando o resto da pouca dignidade existente. Certas mudanças demoram décadas para acontecer, mas sinais podem ser vistos desde cedo. Quem sabe se mudarmos nossa mentalidade Carpe Diem, podemos ter um futuro um pouco mais tranquilo e idealizado?
:-)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Carpe Diem Baby

Eu considero muito hilário quando alguém me diz que "vive para o dia" (o popular Carpe Diem). Ouvia mais essa expressão alguns anos atrás, e geralmente ela vinha acompanhada com a melodia da música do Metallica. Mas diferente da banda, os seguidores desta prática nem sempre tem a oportunidade de mudar seu ponto de vista. Não estou querendo dizer que seguir os impulsos não tem seus méritos, mas fazer isto sem consciência nenhuma não é apenas um demérito, é estupidez mesmo. É mais ou menos como querer pular de um bungee-jump sem saber medir a corda: fica dependendo unicamente da sorte para sair vivo.
Se a questão fosse de apenas o praticante se matar, podemos concordar que não teríamos maiores problemas no mundo, certo? Mas não é bem assim, e mortes não-intencionais são a causa de 6.23% das fatalidades do mundo, passando até mesmo as intencionais (2.84%). Ainda assim, podemos concordar que isso não deveria ser tão preocupante, já que mais de 80% (5 primeiras da lista) são causadas por problemas de saúde, o que deveria fazer com que nos preocupássemos mais com esse tópico do que com segurança. E, apesar de o primeiro pensamento ser de que segurança é a prevenção contra a violência diária, a definição nos mostra que ela vai muito além disso. Inclusive mostra que a maior causa de mortes no mundo é um reflexo de estarmos trocando saúde por segurança.
Ok, muitos devem ter olhado torto para o texto, então vou explicar um pouco melhor. Como já tinha mencionado antes, um dos problemas da agricultura é de que restringimos a gama de opções que tínhamos antes. Então pensem assim: passamos milhões de anos nos servindo de um cardápio extenso, com opções que hoje nem passam por nossa cabeça. Nos últimos milhares de anos, o que é uma pequena porção quando comparado com o todo, optamos pela segurança de uma refeição, e a partir dali, deixamos de lado alguns nutrientes. Mas isso não era suficiente, e logo começamos a utilizar pesticidas e fertilizantes que contém veneno, não somente para as pestes, mas para nós também. Isto aumentou nossa segurança em relação à colheita, mas não o suficiente, e assim vamos cortar mais alguns nutrientes para poder criar nossa restrita definição de saúde em laboratório. E isso tudo sem falar ainda na popularização dos "venenos consumíveis", que são empurrados constante e incansavelmente por serem mais lucrativos. Mas não é só na alimentação que trocamos a saúde pela segurança.
Podemos pegar o lugar onde passamos a maior parte de nosso tempo como exemplo: o trabalho. Por milhões de anos andamos livremente pelo planeta, até alguém preferir a segurança que um lugar específico proporcionava. Assim, alguns músculos que exercitávamos frequentemente foram parando de ser utilizados, enquanto começamos a usar alguns outros com mais frequência. Por estarmos restringindo cada vez mais nossos movimentos e repetindo constantemente apenas alguns, certos problemas começaram a aparecer que, misteriosamente, não existiam antes. Além do problema físico, a obrigação de se ter um trabalho, e a transformação deste em emprego acabaram causando problemas que ainda nem entendemos direito o impacto que tem nossas vidas.  
Se pararmos para notar realmente, durante o curso todo de nossas vidas trocamos saúde por segurança. Podemos ver mais claramente quando analizamos nossa relação com bens materiais. Enquanto no passado da humanidade, quando ainda não sabíamos a extensão do mundo nem que tipo de criaturas o habitava, era compreensível de termos um apego à toda e qualquer ferramenta que pudesse nos ajudar no desbravamento. Mas mesmo assim a questão de posse criou, desde seus primórdios, conflitos que poderiam ser facilmente resolvidos se os recursos fossem compartilhados. Nossos antepassados agiam como crianças mimadas por terem a desculpa de que não tinham conhecimento suficiente, mas tenho a impressão de que já passamos desse ponto. Além dos conflitos gerados, a pressão psicológica da preocupação com roubos é algo a se levar em consideração, assim como a pressão social para adquirir mais e "melhores" bens. Em alguns casos, pessoas chegam a viver para seus objetos de desejo ao invés de para as próprias.
Ao analisarmos as mudanças que tivemos no período neolítico, podemos ver que foi uma época de muitas mudanças, inclusive de se desconectar da natureza e nos concentrarmos mais em nós. Pode-se dizer que desde aquela época temos vivido em Carpe Diem, pois raras foram as vezes que, como sociedade, realmente paramos para analisar o que estamos fazendo e tentar mudar o rumo. Nunca tivemos tantas informações disponíveis ou uma tecnologia tão avançada. Sim, chegamos até este nível mesmo com todos os problemas do caminho e a falta de informação, e justamente por isso que eu me pergunto constantemente: se chegamos até aqui vivendo desse jeito, competindo uns com os outros, imagine o que poderia ser feito se mudássemos nossa mentalidade e nos uníssemos?
:-)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Analfabetos políticos

"Ele não ouve, não fala nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política." Assim começa a descrição da comunidade Repúdio à Ignorância Política no Orkut que, com seus mais de 59.000 membros, promovem o debate político. Um assunto que algumas pessoas odeiam, mesmo sem perceberem que participam e até incentivam o mesmo quando conversam com amigos. A definição é tão abrangente que pode tratar desde negócios internacionais entre governos até o bate-bola de rua dos moleques ou a corrida de F1 do domingão. Então, não é de se admirar a confusão e desânimo que a palavra trás, ainda mais quando os "profissionais" da área transformam o conceito em um defeito.
A etimologia nos leva a entender que significa "teoria da comunidade" (polis = cidade, comunidade), e que no começo era um assunto restrito à poucos. Apesar do conceito de cidadania ter aumentado constantemente, o de política se restringiu após uma breve expansão. Hoje em dia, de uma maneira geral, consideramos política apenas o que é relacionado com governos, esquecendo que tudo o que está incluso numa sociedade faz parte também, inclusive a fofoca entre vizinhas e piadas de boteco. Mas mesmo sabendo toda a abrangência que a palavra tem, muitos ainda se focam em pontos particulares, tratando dos problemas da sociedade como se fossem a bola de uma partida de futebol chata de pernetas, onde cada partido é um jogador e os times são os clássicos: esquerda e direita. Por isso, ao se entrar em comunidades políticas em redes sociais se vê muito debate sobre que partido é o melhor, porque o atual regente é uma porcaria e coisas do tipo. Mas será que este debate leva a algum lugar?
Para explicar melhor meu ponto de vista, vou fazer outra metáfora: Considerem que o processo de politização de uma pessoa é uma caminhada. Uma jornada feita a pé, onde nosso nascimento é o momento em que estamos sentados no sofá, começando a pensar no caminho a fazer. Debater sobre partidos é simplesmente o ato de se levantar do sofá: é quando tomamos consciência que precisamos fazer alguma coisa, é quando sentimos a vontade de nos mexer, mas ainda não demos o primeiro passo efetivamente. E provavelmente, muitas pessoas não dão o primeiro passo porque na frente delas está algo que as segura paradas, e que muitas vezes as colocam de volta sentadas no sofá: a televisão. Enquanto alguns voltam a posição inicial e consideram que política é uma bobagem e não deveriam perder o tempo com ela, outras ficam eternamente paradas de pé, sem se mexer, mas com a impressão de sempre estarem indo à algum lugar.
Mas, claro, existem aquelas pessoas que conseguem dar o primeiro e mais difícil passo. Aquelas que vêem que todos temos pontos em comum (alimentos de qualidade, em quantidade e ter saúde, por exemplo), e que não precisamos ficar competindo por eles. Essas conseguem ver que segregações, sejam de time, raça, classe, religião, partido ou pátria, não resolvem problemas. Elas vêem que, enquanto não abordarmos as causas reais dos problemas sociais, não interessa se partido X ou Y ganha a eleição, pois as mãos dos eleitos continuarão amarradas nas tradições que ainda mantemos. Também vêem que a libertação dessas laços dificilmente virá dos "escolhidos pelo povo", pois apesar de que pudessem se tornar reais exemplos a serem referenciados com orgulho, são os que mais tem a perder materialmente se o fizessem.  Aquelas pessoas que dão o primeiro passo no caminho da politização, e conseguem sair de casa encontram a liberdade para parar, pensar e analisar como estão vivendo, e mudar de vida se necessário
Dizem que este é o primeiro passo para um possível avanço.
:-)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Opiniões

Como dizem por aí, são como bundas: cada um tem a sua. Mas o que esquecem de dizer é que cada uma também tem seu cheiro, que podem variar desde uma suave brisa campestre, até o bafo constante de um esgoto. Alguns vão dizer que depende de quem e do que se fala, mas para mim, isso é apenas metade do processo, pois a outra metade depende de quem está do outro lado. Dependendo quem seja, pode-se tentar propagar as flores mais silvestres que a única coisa que chegará do outro lado são os restos decompostos e pútridos desse ato. É mais ou menos como querer fazer um bom grado e dar uma flor, e a pessoa do outro lado interpretar isso como uma indireta pra que se perfume mais.
Das muitas invenções que o homem teve, acho que nenhuma deve ter dado um tiro tão grande pela culatra quanto a linguagem. A milênios estamos tentando nos entender, e parece que a cada dia estamos cada vez mais distantes. Primeiro que, em sua estrutura, ela pode ser interpretada de inúmeros jeitos, e segundo que, dependendo do receptor (leitor, ouvinte, etc...), esses jeitos podem variar ainda mais, tanto que podem significar o contrário do que o autor estava planejando. Um exemplo mais do que clássico é a religião, qualquer uma que seja. Em todos os livros que conheço sobre religião, está lá escrito que a idéia principal de tudo aquilo é a paz e a aceitação do que é diferente. É tratar o vizinho como irmão. Mas se olharmos a história, acho que podemos afirmar com clareza que essa foi a única mensagem que não saiu desses livros. Muito pelo contrário.
E mesmo assim, sem conseguir se entender direito, estamos cada dia mais querendo impor opiniões uns sobre os outros. Muitos não pensam nisso realmente, mas a única coisa que os "eleitos" do povo fazem diariamente é dar sua opinião. Raros são os que tem algum conhecimento técnico, ou algum ajudante técnico até, que os auxilie em suas decisões. Mais raros ainda são os que realmente querem fazer um serviço duradouro, se preocupando se existem recursos disponíveis, não apenas dinheiro.
Sim, eu sei que o dinheiro é o pilar do nosso mundo, mas não, eu não vejo que o preço dos recursos estão atrelados à sua real falta. Um exemplo é a comida, que desperdiçamos metade enquanto 1/6 do mundo passa fome só por não ter dinheiro nem para comprar lixo. Outro exemplo é a água, que já está sumindo de alguns lugares, sendo que não se tem uma real escassez de recursos, o que se tem é falta de dinheiro para implementar as soluções. Só ver a popularização das garrafinhas de água por aí, e a diminuição de torneiras e bebedouros públicos. Não é falta de água que gera isso, é falta de conscientização agora, e de lucro daqui um tempo. Outro exemplo que muitos não notam é, voltando para o assunto da comida, sementes. Existem empresas que atualmente criam plantas sem semente. Enquanto muita gente adora pensar na sua laranja ou uva sem semente, elas raramente pensam em como criariam uma nova planta a partir do fruto que acabaram de comer. Realmente, esse problema não é do consumidor, até o momento que certos produtos aumentarem os preços pois sementes precisam ser constantemente compradas, já que não podem ser reutilizadas. E enquanto muitos riem desse fato, ele continua a acontecer, e logo, as plantas com sementes que podem ser replantadas serão minorias, e teremos mais um "problema" de escassez.
E assim, como muitos dos problemas que trazemos do passado, pouco muda, pois nos importamos muito mais com as opiniões dos outros do que com fatos e números. Inclusive, nos baseamos constantemente em "criadores de opinião" que são totalmente parciais do lucro pessoal. E não se enganem: lucro pessoal quer dizer lucro pra eles, não para o rebanho que os segue. Esse vai ter que aprender da forma mais dura, batendo com a cabeça na parede e caindo em armadilhas por não prestar atenção onde está indo. Infelizmente é o que acontece quando se anda no escuro por medo, ou pior, preguiça de ligar a lanterna que está na mão. Está na hora de começarmos a desligar mais televisões, revistas e jornais e abrir mais livros, portas e a mente. Só assim deixaremos um pouco de clareza entrar em nossas vidas novamente.
Claro, muito disso é só minha opinião. E por ser em grande parte isso, eu tento incentivar todos a procurarem por mais informações por aí. Só, por favor, não fiquem só no "fulano disse que..." ou "ciclano tem um tio que tem um primo que tem um conhecido caolho que tem um cachorro que...", pois isso não é informção, é apenas confusão. Aprendam a pesquisar e descobrir o mundo, garanto que vai ser bem mais recompensante e interessante do que qualquer jogo criado pelo homem até hoje.
:-)