segunda-feira, 31 de maio de 2010

Vida Simples e Espiritualidade

Se vocês lembram, semanas atrás escrevi sobre o programa que o pastor Peter Owen Jones fez para a BBC, que tentava levar uma vida mais parecida com São Francisco de Assis. Até o momento daquele post, eu havia visto dois dos três episódios, sendo que o último seria apresentado na noite do post. Eu tinha minhas desconfianças do que iria acontecer, e estava bem ansioso para ver o resto, ainda mais quando fiz uma pesquisa sobre o Peter e descobri que ele já havia feito um outro programa para a BBC. Este outro documentário vai inspirar meus posts por um tempo, imagino, principalmente porque é sobre um assunto que eu estava evitando de abordar por aqui. É um assunto polêmico, que eu sempre tive vontade de escrever sobre, mas que não havia achado o ponto de vista que mais me satisfizesse, até ver o How to Live a Simple Life. O tópico, como já devem ter imaginado, é religião. Mas primeiro, é melhor concluir sobre o show que vi a semanas atrás.
No último episódio de seu mais recente programa, Peter volta para sua cidade e tenta integrar o que aprendeu na estrada com sua vida nas paróquias (ele cuida de três). A primeira coisa que nota é que, por causa do trabalho que ele tinha para se manter antes, o tempo dedicado para as pessoas era mais restrito. Mas vivendo uma vida mais simples, ele conseguiu se libertar mais, e uma das coisas que decide é justamente ceder mais de seu tempo para a congregação. Ele começa a ir primeiro na casa dos seus paroquianos mais velhos para conversar e se relacionar mais com eles. Ainda ajuda outros a podarem arvóres e contruírem muros, e tirando um ou dois acidentes, estava tudo indo relativamente bem. Até chegar a conta para renovar o seguro do carro.
Ele decide então que é hora de voltar para o sistema monetário, sem cogitar a troca do automóvel por um cavalo ou bicicleta. Imagino que a época fria do Natal influenciou a decisão, ainda mais com a neve começando a cair. Mas ele não se dá por vencido, e mesmo usando dinheiro, tenta achar um meio termo para satisfazer os dois mundos. Assim, ele vai atrás de uma mulher que vive em uma vã, e usa nosso modelo de trocas para conseguir coisas básicas, como comida, diesel e roupas. Ela vende suas pinturas para conseguir o que precisa, e vive uma vida simples, assim como outra paroquiana que o pastor apresenta: uma ex-monge budista. Ela dá conselhos de como conciliar os dois mundos, ajudando o pastor a achar seu caminho e equilíbrio.
O que mais me impressionou neste programa não foi tanto o fato do pastor tentar viver sem dinheiro, porque com deu pra ver no vídeo da foto daquele post, existe mais gente fazendo isso a mais tempo e com mais sucesso até. O que chamou minha atenção para o programa foi a confraternização que o pastor teve com outras religiões em seu percurso. E depois ainda descobri que esta não é a primeira vez que o pastor Peter Owen Jones faz esta integração: ele já havia feito um documentário para a BBC chamado Around the World in 80 Faiths (Volta ao mundo em 80 religiões). Eu comecei a olhar essa série (são 8 episódios) semana passada, e estou descobrindo um lado de religião que ignorava antes.
Espiritualidade é um ponto muito importante na vida de muitos, e uma das falhas que vejo no Movimento Zeitgeist e Projeto Vênus, é a abstenção de comentários e informações neste sentido, dependendo do forúm que se entra. Imagino que seja porque mal estamos conseguindo cuidar de nossos corpos e temos que mantê-los vivos para continuar nesse plano existencial, e essa é a prioridade deles. Considero uma ótima ideia construir um mundo que nos dê condições de irmos atrás de qualquer que seja nosso objetivo, seja ele físico ou espiritual, mas vejo que ainda falta um suporte para mostrar que religiões têm um papel importante em uma sociedade tecnológica. São elas que fazem nossa conexão com muito do que não vemos e entendemos, e precisam, portanto, ser levadas em conta.No próximo post vou explorar mais o assunto.
:-)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Acordando 5

Observando a história, existe a possibilidade de cenários como os da Grécia e Tailândia se espalharem pelo mundo no caso da explosão da bolha monetária criada desde o desatrelamento do dinheiro com o ouro. Informação é a única ferramenta que fará a diferença em qualquer situação, seja para prevenir cenários catastróficos ou para sobreviver no meio de um. Tudo depende de quanto cada um sabe do que realmente está acontecendo e de quanto está disposto a mudar voluntariamente, visto que certas mudanças são inevitáveis e fora de nosso controle.
Apesar de usar um tom mais drástico do que eu gostaria, concordo com Mike Ruppert quando usa o conceito de barcos salva-vidas nas sociedades. A ideia é simples: imagine-se em um navio (ele usa o Titanic de exemplo), descobrindo que o inafundável está indo água abaixo, que não existem botes suficientes para todos e que a maioria já foi pego. O caos tomaria conta de sua vida se você não fosse um McGyver, capaz de criar seu próprio salva-vidas com recursos mínimos e comuns. Um suficientemente grande para ajudar ainda outras pessoas, aquelas que compartilharam de sua visão e ajudaram na construção do bote, ao invés de perderem tempo debatendo e criticando sobre as inexistentes chances da grandiosa maravilha marítima ir à tona. Estes, infelizmente, acabam afundando junto com o colosso. E se não cuidarmos, acabam nos levando junto para o fundo do oceano, pois perdemos precioso tempo de construção, ficando incapazes de realizar nossa própria salvação.
Deixando as metáforas de lado, vemos várias pessoas engajadas em se salvar e ajudar outras a anos. O exemplo mais conhecido é o voluntariado, onde a doação do tempo de cada um faz uma diferença maior do que um cheque em branco. Sentimentos compartilhados trazem muito mais conforto, alívio, esperança e alegria para aqueles que precisam, mostrando que existem os que se importam em níveis que nem todos entendem e conhecem. Quando aliados com informações, voluntários são capazes não apenas de amenizar enfermidades e necessidades, mas também de transformar mundos completamente.
Já falei por aqui sobre começar a plantar em casa, sobre estudar e aprender, e como isto tudo ajuda a sobreviver. Mas para vivermos, também é preciso compartilhar. As vidas de todos estão interligadas, e enquanto negarmos isto, iremos continuar experimentando conflitos em nosso dia-a-dia. Por existirem pessoas em nossa comunidade com fome e sem acesso à recursos, temos roubos e assaltos; assim como temos guerra por existirem aqueles que não tem poder de compra em um lugar mais distante. É a velha história de que o bater de asas de uma borboleta em Pequim pode causar um furacão em Nova Iorque: quanto mais detalhes prestamos atenção e aprendermos, mais relações entre os eventos vamos encontrar. Está na hora de ampliarmos nosso mundo para além do lucro e achar alternativas mais viáveis.
O ser humano se gaba de ser aquele que mais se adapta no mundo, que consegue criar ferramentas capazes de garantir sua sobrevivência no espaço ou no fundo do mar. Está na hora de usarmos nossa criatividade para ajudar aqueles que mais necessitam, enquanto ainda temos tecnologia e capacidade para isto. Precisamos abrir os olhos para nossas relações com outras pessoas, por mais diferente que sejam, ou mais distantes que estejam. Um bom começo para isto é a própria comunidade onde se reside. Possivelmente existem muitas pessoas que não conhecemos ou entendemos, mas que podem ter as soluções para problemas que vivenciamos. Criar um relacionamento saudável com elas pode representar a diferença entre remar sozinho no meio do oceano e ter alguém que torne a tarefa menos árdua, quando o impossível acontecer.
:-)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Acordando 4

Com a econômia mundial em um estado cada vez menos confiável, poderemos enfrentar decisões bem difíceis antes do que esperamos. O Reino Unido é um bom exemplo disso, onde a existência de quase 30 milhões de desempregados aumenta com o novo governo precisando fazer massivos cortes para tentar adiar a crise um pouco mais. Infelizmente, países onde se pensa estar imunes à este cenário podem ser pegos de surpresa quando certos serviços públicos pararem por reduções de custo. Serviços que podem incluir aposentadorias e auxílio desemprego, e que raramente são levados em consideração. A minha insistência em bater na tecla de procurar alternativas sustentáveis e se desprender do sistema monetário, criando uma independência de governos é justamente por isto. Assim como esta acontecendo na Grécia, pode acontecer em qualquer outro país do mundo. Mas existem alternativas.
Por termos uma dependência em governos, quando chegar o momento de que o nosso não for mais capaz de cuidar da nação, o público vai enfrentar um dilema histórico. Será uma pergunta que passará pela cabeça de cada um, e terá uma resposta diferente para cada caso. A pergunta será "o que farei agora?", e a resposta dependerá do rumo que cada um irá preferir seguir e da informação que tiver disponível. Alguns, como mostrado pela grande mídia no caso da Grécia, irão se revoltar e querer tirar respostas (ou dinheiro) do governo na marra. Eu, particularmente, não vejo esta como uma boa idéia, pois para começar ela não irá resolver nada, na realidade. Mesmo que o governo tivesse dinheiro, continuar com seu uso só iria adiar o inevitável. Inclusive, muitas vidas serão perdidas neste tipo de confronto, pois como visto na Tailândia, se tem uma coisa que os governos deixarão de pagar por último é o exército. E enquanto as pessoas que fizerem parte dele tiverem a velha desculpa de que "apenas seguiram ordens", podemos ver vários massacres acontecendo.
Outra alternativa que alguns vão encontrar é de tentarem continuar com a vida da mesma maneira que era antes, trabalhando em serviços cada vez mais precários para tentar sobreviver. Apesar de ver isto como uma alternativa melhor do que confrontar o governo, prefiro deixar como último recurso, pois como observando a história, isto acaba virando dependência. Ficamos sem opções de sobrevivência no começo e sem conhecimento sobre elas no futuro. Para comprovar isto, basta apenas se perguntarem: se o pior acontecesse, saberiam de onde tirar água potável, como filtrar ela, e como criar o próprio sustento? Enquanto alguns mais velhos irão sorrir, imagino que alguns mais novos irão se perguntar o que significa potável.
Esses tipos de soluções, apesar de usadas até agora, não criam mudanças concretas em nossas vidas, pois elas simplesmente mantém o statu quo. Grande parte da população mundial vive hoje em dia como se todos nossos recursos fossem infinitos, inclusive o próprio planeta. Talvez estejam certos, mas certos números podem mostrar justamente o contrário, pegando muita gente desprevenida e desinformada em um futuro talvez não tão longíquo. Se isto acontecer, realmente o caos vai tomar conta, pois quando não temos informações agimos como animais acuados, apelando para os instintos mais básicos de sobrevivência.
Portanto, precisamos nos informar e educar para acharmos outras saídas para as possíveis crises que estão se formando. Assim estaremos mais preparados para eventualidades e não seremos alvos tão fáceis de problemas que não temos mais como prevenir. Afinal, tentamos por milhares de anos criar leis e regulamentos para adestrar o ser humano, apenas para chegar ao ponto de esgotamento de certos recursos do planeta. Talvez seja necessário tudo isto para largarmos os brinquedos e começarmos a agir realmente como os seres racionais que proclamamos ser. Quem sabe assim poderemos evitar o pior e diminuir o pânico e perda de vidas que irá surgir se casos como a Grécia e a Tailândia se espalharem pelo mundo.
Amanhã eu concluo falando sobre uma alternativa que já está sendo implementada em alguns lugares, e pode oferecer reais mudanças.
:-)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Acordando 3

Bom, para aqueles que não notaram ainda, nos já entramos no quarto ponto de transição de nossa espécie. Uma que poderá nos levar à um patamar mais alto ou nos atirar de volta ao tempo das cavernas, dependendo de quanto nos adaptemos a ele. Antes de falar as opções que temos para seguir em frente, é bom vermos onde exatamente estamos. Um tempo atrás eu escrevi superficialmente sobre isto, e dei o exemplo de uma palestra de Peter Joseph. Desta vez vou mostrar um outro lado, mais apocalíptico, baseado em previsões feitas por Mike Ruppert. É uma visão catastrófica e depressiva, mesmo apresentando uma solução sustentável, portanto tenham isto em mente se forem procurar por palestras dele. Considero interessante apresentar este tipo de informação porque é basicamente o que se vê na grande mídia. O que mais me chama atenção são as ligações feitas com estes dados, pois são conectadas de uma maneira que fazem pensar mais sobre nosso estilo de vida, e do que pode ser feito para evitar o apocalipse pintado por ele.
Para começar, pode-se ver o estado da economia mundial cada vez se deteriorando mais e mais. A grande maioria da população ainda não sentiu nenhum impacto por termos feito algo que se acostumamos cada vez mais com o passar dos anos: esconder a verdade. Vários países estão quebrados financeiramente, mas ainda se mantém porque a população não vê para onde está indo, até ser tarde demais. Um exemplo é o império atual: os Estados Unidos. Seus gastos já chegaram ao ponto que não existe mais como serem pagos, e a hora que países que tem reservas em dólares começarem a vender ou trocar estas reservas, o dinheiro americano não irá valer nada mais. Quem acompanhou a hiperinflação em Zimbabué sabe do que estou falando, pois a inflação que o Brasil teve nos anos 80 e início dos 90 não chega nem aos pés do que está previsto para acontecer. E quando isto acontecer, milhões na conta não serão suficientes para comprar um pedaço de pão.
A Europa com o euro está seguindo o mesmo caminho, e é apenas uma questão de tempo para que benefícios e aposentadorias do governo comecem a sumir, fazendo com que milhões tomem as ruas como na Grécia. Espanha, Portugal e Reino Unido são apontados como os próximos locais onde se poderá ver esse mesmo tipo de comportamento, mas não vejo ele se restringindo apenas nestes locais. E para aqueles que não lembram como essa crise começou, podem dar uma olhada no mercado imobiliário da China e Brasil, pois estão seguindo exatamente o mesmo caminho de Estado Unidos e Europa antes da crise de 2008. Regulamentações e novas leis estão sendo criadas para tentar evitar isto, mas só o tempo irá mostrar se elas realmente servirão para resolver o problema ou somente adiá-lo por mais uns anos.
Além dos problemas financeiros, ainda existe o ponto do final do petróleo no mundo. Como eu já mostrei anteriormente, baseamos toda nossa vida moderna neste único recurso, e se certas fontes estão certas, ele não tem mais tantos anos assim. Talvez muitos não tenham parado para pensar que existe a possibilidade de, durante a próxima década, terem que se ajustar completamente à um novo estilo de vida, procurando alternativas. Claro, talvez exista a possibilidade disto tudo ser apenas passageiro.
Considerando que nada dessas premonições de guerras e escassez aconteçam, começando uma série de mudanças agora poderá nos dar tempo de nos acostumarmos com elas quando (e se) for realmente necessário. Como diz um velho ditado sobre armas: é melhor ter a opção e não precisar do que precisar e não ter. Assim sendo, de qualquer forma precisamos repensar no nosso meio de vida, pois acreditando ou não, uma nova transição está aí, e se não estivermos preparados, os resultados podem ser bem drásticos. Se não nos soltarmos da dependência do dinheiro e dos governos, poderemos ver o que esta acontecendo na Grécia se espalhando para outros lugares, antes mesmo do que pensamos.
As consequências e implicações disto, eu continuo amanhã.
:-)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Acordando 2


Neste post vou explorar as mudanças que tivemos na agricultura e na revolução industrial, continuando com as informações passadas pelo vídeo Awakening. Desta maneira poderemos ter uma visão melhor do que iremos enfrentar quando passarmos para o quinto estágio da evolução humana: a tecnológica.
Quando nosso conhecimento sobre o mundo chegou ao ponto que compreendemos como plantas crescem, chegamos ao ponto crítico da agricultura. Pela primeira vez tivemos a oportunidade de produzir mais do que se consumia, mas isto significava que teríamos que escolher também entre sermos nômades ou sedentários. Deixar de ser caçador coletor e passar a ser agricultor foi uma decisão que nem todos viram como boa, pois até hoje temos tribos e clãs andando pelo mundo da mesma forma que nosso ancestrais faziam. Seu apego pelos antigos costumes e hábitos se mantém até os dias atuais, mostrando que ambas as formas de sobrevivência tem seus pontos fortes e fracos.
Um dos malefícios da agricultura foi a desigualdade social. Pela primeira vez em milhões de anos tivemos o excesso como parte de nossas vidas, mas talvez por termos passado tanto tempo dependendo de nosso próprio corpo, talvez por ainda termos um apego por bens materiais, começamos a nos ver como seres diferentes, mesmo dentro da própria família. Começamos a nos dividir de acordo com os serviços que deveriam ser realizados, a dar mais importância para alguns e menor para outras. Mas isto não durou muito tempo, pois assim como precisávamos resolver este problema, também precisávamos achar meios de nos comunicar com as cidades que surgiam ao redor, e que aumentavam suas populações constantemente. A solução que encontramos na época foi criarmos um sistema monetário.
No começo eram apenas trocas de materiais, e muitos não veem que mesmo sem utilizar o dinheiro propriamente dito, o conceito dele já existia. Dinheiro nada mais é do que um material de troca, e independente de usarmos bois, trigo, conchas, ouro ou papel, o princípio continua sendo o mesmo. Mas este artifício funcionou no começo, pois apesar de nos separar, ele deu a possibilidade de nos conhecermos melhor, e assim, nos desenvolvermos ainda mais. Ele era necessário naquela época porque ainda dependíamos de nossa própria força para produzirmos. Ainda não tínhamos os meios que nos livrassem daquele trabalho braçal com que estávamos acostumados por milênios.
Esses meios chegaram junto na revolução industrial. Nela descobrimos que podíamos criar máquinas que maximizava nosso trabalho de tal forma que não seria necessário mais passarmos tanto tempo preocupados com nosso sustento. Se antes já tínhamos excessos, agora passamos a ter uma enxurrada de bens e comodidades que antes nem sonhávamos. Produtos passaram a ser exportados e importados mais facilmente, diminuindo as barreiras que criamos durante o período anterior, nos aproximando cada vez mais. Mas também trouxe um problema do passado.
O sistema monetário, antes utilizado para tentar igualar as pessoas, agora tornava o excesso da produção inacessível para aqueles que mais precisavam. Descobrimos ser mais barato jogar comida fora do que mandar para povos passando fome em outro continente, ou até no fim da rua. A falta de recursos não é mais o problema: estamos em guerra por causa de dinheiro apenas. Passamos a ter tanto que criamos meios artificiais de produzir escassez, apenas para nos manter tendo lucros cada vez maiores. Mesmo que isto signifique o genocídio de populações inteiras.
Muitas pessoas não veem este ponto por estarem acostumadas com o estilo de vida apresentado a elas desde crianças, e sabemos que mudanças são difíceis de acontecer. Difíceis, mas não impossíveis. Como Iron Maiden cantou em Wasted Years: “Então entenda, não perca seu tempo procurando por aqueles anos desperdiçados. Enfrente, tome uma posição, e compreenda que estas vivendo nos anos dourados.” Usando a música de exemplo, estaremos sempre vivendo os melhores anos de nossas vidas. Basta apenas deixarmos o que passou para trás e nos adaptarmos para as novidades. Afinal, adaptação foi o que manteve nossa espécie viva até hoje.
No post de amanhã, irei falar sobre a nova transição que está começando.
:-)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Acordando


Ando aproveitando os fins de semana para dar uma atualizada no que sei e  aprendi sobre vida sustentável e os motivos de deixarmos o dinheiro para trás, e me deparei com uma nova perspectiva sobre o assunto. No site do Projeto Vênus tem duas séries de filmes que explicam bem esses pontos de vista, mas como eles estão em inglês pode ficar complicado para o público brasileiro entender os vídeos. O primeiro deles chama-se Awakening (Acordando), e trata do que está acontecendo no mundo ultimamente, da história que nos trouxe até aqui e o que pode ser feito daqui para frente. Para aqueles que viram e sabem inglês, vão ver que em muitos casos vou usar as exatas palavras apresentadas no vídeo. Considero ótimos exemplos e seria um desperdício não passar adiante.

O documentário apresenta a história da humanidade baseada em quatro pontos críticos de mudanças culturais. Cada um destes pontos foi um período de transição, onde nossa espécie teve oportunidade de crescer e se desenvolver mais do que o período anterior. Começamos como nômades, capazes apenas de sustentar a nós mesmos, nosso companheiro e poucos filhos. Foi preciso mudarmos para ir para o segundo estágio, onde descobrimos como utilizar algumas ferramentas para sobrevivermos em grupos um pouco maiores. O terceiro estágio começou quando descobrimos a agricultura, e fomos capazes de alimentar cidades. O quarto estágio chegou com a revolução industrial, onde começamos a sustentar nações. Entre cada um destes estágios, existiu uma transformação, muitas vezes cheias de conflitos por não querermos abandonar os antigos costumes e hábitos. E agora que estamos chegando em nosso quinto estágio, podemos aprender com o passado e fazer esta quarta transição ser a mais fácil de todas até agora, ou podemos ignorar tudo o que sabemos e aprendemos como nossos ancestrais e nos deixar à mercê do destino.
O que mais difere a transformação que iremos passar agora das antigas, é que temos mais consciência de onde estamos, de onde viemos, e podemos, pela primeira vez, escolher para onde vamos. Mas para selecionarmos o que queremos com mais sabedoria, é preciso ter o máximo de informação possível. E um destes dados que as pessoas não notam, mas que certamente sabem, é no que se refere à produção de bens, e é aonde o nosso sistema monetário tem se apresentado cada vez mais falho. Vejo que não deixei claro em posts passado que eu sempre vi alternativas para ele, mas que ele teve sua função até entrarmos na era industrial. Uma das coisas que o vídeo me mostrou que eu não apontei até agora é que, apesar de considerar que poderíamos ter feito outro caminho menos conflitante para chegarmos até aqui, não foi isto que nossos ancestrais consideraram. Eles escolheram usar o dinheiro por vários motivos e, sejam eles quais fossem, esses motivos foram sumindo do meio de nossa sociedade, invalidando cada vez mais o motivo de se ter o artifício em nossas vidas. Mas deixem eu explicar melhor.
No início, nossos antepassados cresceram num mundo sem um décimo das ferramentas e informações que temos hoje, um mundo de escassez, onde era necessário se apegar a qualquer material disponível para conseguir sobreviver um pouco mais. Contando apenas com a força de seus braços e pernas, o trabalho manual era a única fonte de vida que conheciam, pois se não se mexessem, não teriam alimentos para se sustentarem. Passamos milhões de anos dependendo unicamente de nosso corpo, ainda agindo como animais irracionais para conseguir se manter em um mundo que conhecíamos pouco. Mal tínhamos condições de nos cuidar, portanto os grupos daquela época eram constituídos de pouquíssimos membros, e cada um precisava cuidar de si, sob pena de perecer.
Quando descobrimos o fogo, a pedra lascada e a roda, descobrimos também as vantagens da tecnologia, pois nossa produção aumentou consideravelmente, assim como nosso conforto. Começamos a ter alimentos mais saborosos, não precisávamos fazer tanto esforço nas caças e não nos cansávamos tanto ao transportar nossos pertences. Tivemos a oportunidade de aumentar nosso grupo e passar a ter tribos e clãs, assim como melhoramos nossa comunicação, e passamos inclusive a utilizar peles para nos proteger do frio. Nosso conceito de propriedade foi intensificado nesse período, já que a alternativa de não ter nossos próprios utensílios era mais árdua e complicada. Ainda existia uma escassez real de recursos, pois ainda não tínhamos informação suficiente sobre o planeta, nem sobre seus habitantes e recursos. Mas isto estava para mudar com a chegada do terceiro estágio: a agricultura.
Continuo o texto amanhã, pois ele já está de bom tamanho. Se tiverem tempo para olhar o vídeo, imagino que irão se adiantar bastante no que vou falar. Ele completo da menos de 40 minutos e vale muito a pena. Infelizmente não achei uma versão legendada ou em português.
:-)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Vida Simples



Recebi uma dica, desde semana passada, para ver um  programa que fantástico. Por se tratar de televisão, eu estava meio relutante, sem dar muita importância, ainda mais quando fiquei sabendo quem apresentava o programa. Como não é muito a minha prática ser um ferreiro com espeto de pau, abri minha cabeça e minha agenda e assisti o vídeo no site da BBC. Imaginem se Murphy não estava de olho. Fiquei impressionado do começo ao fim, de tal maneira que me forcei marcar a data e hora da continuação para não perdê-la. Meu único remorso é que quando fui escrever esse post acabei descobrindo que o vídeo no site da BBC está disponível apenas para o Reino Unido, e não achei ele no YouTube. Uma pena realmente, pois o trabalho foi muito bem feito e estou curioso para ver a conclusão, se é que tem alguma. Bom, mas deixem eu dar mais detalhes sobre o programa.
O nome é How to Live a Simple Life (Como viver uma vida simples), e é apresentado pelo pastor anglicano Peter Owen Jones. Por ser um membro da igreja o foco do programa, minhas espectativas não eram das melhores, e estava me preparando para ver um confronto entre diversos tipos de fé, já que ele iria se encontrar com membros de outras religiões. Ledo engano. Se algo deste tipo aconteceu, foi muito bem cortado na edição, mas depois de ver os dois episódios disponíveis e ficar mais familiarizado com o estilo do Peter, tenho minhas dúvidas que algo assim tenha ocorrido. Ele parece ter uma cabeça muito aberta e um jeito bem calmo, deixando claro que existem maneiras de expressar a própria espiritualidade sem ser agressivo, sem dar a impressão de impor ela sobre outros, ou sem parecer um fanático. Um verdadeiro exemplo.
Antes que eu me empolgue e não fale de novo, o programa é sobre como e quanto tempo o pastor conseguiria viver sem dinheiro. No primeiro episódio ele fica na comunidade, adaptando a casa e a vida dele para reduzir ao máximo a influência do sistema monetário. O que eu acho engraçado é que ao tentar isso, ele basicamente volta para as trocas de mercadorias, que nada mais é do que o início dos pilas no mundo. Claro, em um mundo que conhece apenas este tipo de economia não poderia esperar outra coisa, mas tive minhas esperanças. O pastor até se virou bem, conseguindo inclusive gasolina para algumas de suas viagens. Em algumas fiquei meio sético por achar que as pessoas estavam ajudando ele apenas por ser membro da igreja local ou por terem uma câmera apontada para elas. Mas se este foi o caso, o segundo episódio colocou as pessoas à prova.
Neste ele assume uma vida mais parecida com a de São Francisco de Assis, e parte em uma peregrinação. A vida fora da própria comunidade é mais difícil, principalmente por ele não ter nada para trocar e não aceitar dinheiro como ajuda. Sobre isso ainda saiu um ponto bem interessante que talvez muitas pessoas nem notem que fazem o mesmo. Quando o pastor parava na frente de supermercados, estações de trem ou de lanchonetes, e pedia uma ajuda para as pessoas, algumas queriam dar dinheiro, o que ele logo explicava q não podia nem encostar por causa do que ele estava querendo fazer, e perguntava se a pessoa não podia fazer a caridade de entrar no estabelecimento e comprar o que ele precisava. E ai que acontecia o que nos chamou a atenção: algumas dessas pessoas que iam dar o dinheiro desistiam de dar qualquer coisa, levando ao ponto levantado de que estamos acostumados a comprar nossa tranquilidade, pois pagamos para nos livrar do que vemos como problemas, ao invés de tentarmos entender o que acontece e resolver de uma forma mais duradoura.
A peregrinação que ele fez foi muito interessante, pois ele se encontrou com pessoas de outras religiões que apresentaram vários pontos interessantes. Por exemplo quando se encontrou com muçulmanos, eles falaram que são obrigados a dar abrigo e comida para viajantes por três dias, pois é o que manda os ensinamentos deles. Outro exemplo foi um encontro com uma sociedade alternativa, onde cada participante deve dar três dias da semana para trabalhos focados na comunidade. E claro, quando se encontrou com o final da jornada, Satish Kumar. Além de citar Gandhi, ele cita Woody Guthrie quando diz: "Qualquer tolo consegue fazer algo complicado. É preciso um gênio para fazer simples." É uma conversa curta, mas com muito significado, que encerra a peregrinação do pastor.
O próximo episódio do programa vai ao ar hoje e eu imagino que deve ser a conclusão, pois a propaganda mostra que algumas contas chegaram na casa do pastor e deu a entender que ele possivelmente vai ter que voltar a ir atrás de dinheiro. Estou realmente curioso para ver se é isto mesmo, porque ele mostrou que entre nós, cidadãos comuns, existe como nos relacionarmos sem depender deste sistema. Isto representa o que muitos através de nossa história têm falado: existem alternativas para esta estrutura de aprisionamento que nossa sociedade tem. Ela foi um abrigo no passado, teve sua utilidade, mas está na hora de seguirmos em frente. Assim como mudamos de nômades para sedentários, está na hora de fazermos o mesmo e encontrar uma nova estrutura social que nos abrigue por mais um tempo. Mas desta vez podemos fazer isto com mais consciência, para não irmos em direção à um precipício. Agora temos informação para isto, falta só resgatar a sabedoria.
:-)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

É um pássaro ou é um avião?


De tudo o que aconteceu em minha infância e que ficaram, as histórias de super-heróis contadas quando ia dormir certamente estão no topo daquelas que me acompanham até hoje. As influências que elas ainda tem em minha vida são fundamentais para o trabalho que estou desenvolvendo, e agora que entendo melhor a moral passada por elas, sou capaz de ir mais longe do que jamais sonhei. A cada dia noto que não sou o único: somos inúmeros compartilhando o mesmo caminho, indo para a mesma direção, querendo o mesmo objetivo. Isto não significa que iremos colidir em algum ponto no futuro, muito pelo contrário, pois andamos lado a lado e sabemos que não estamos competindo. Cooperar e aprender são exatamente o que dão super poderes às pessoas comuns.
Quando crianças, temos fascínio por estes seres que nos encantam com feitos além de nossa imaginação. São seres que nos impressionam a cada passo, que conseguem alcançar o mais distante objetivo, são gigantes para nossos olhos. É nessa época que temos nossa primeira noção do que são super-heróis e, por que não, deuses. Quando somos bebes ainda, incapazes de compreender o significado das palavras, os adultos, e em especial nossos pais, se encaixam perfeitamente nesta descrição. Eles são nossos modelos, aqueles que não são feridos facilmente, os mais corajosos e destemidos que conhecemos. Cada truque e movimento mais coordenado que realizam são passes de mágica para nós, que não compreendemos como realizaram tal façanha. Mas nós aprendemos e crescemos, passamos a ver as pessoas como os seres humanos que são, e não nos impressionamos mais tão facilmente. Ou será que ainda somos facilmente iludidos?
Quando começamos a ter as primeiras noções sobre a estrutura de nossa sociedade, e vemos a pirâmide em todo seu descomunal tamanho, achamos que aqueles que estão no topo são, como nossos pais, heróis. São os que conseguiram feitos incríveis e impossíveis para meros mortais, e por isso passamos a admirá-los. E quando é alguém de nosso meio então, vamos à loucura, pois é como se estivéssemos assistindo o nascimento de mais um deus, aquele que irá resolver nossos problemas como nossos pais faziam. Mas não somos mais crianças, e rapidamente descobrimos que as promessas feitas são mais difíceis de serem cumpridas do que parecia. E não podemos nem mesmo culpar aqueles que as fizeram, pois são tão frutos do sistema quanto qualquer outro. E ao percebermos isso, alguns se desanimam quanto ao futuro, enquanto outros ainda acham que podem mudar alguma coisa se conseguirem subir o máximo possível. A imagem de heróis acabam se esfacelando, e muitas vezes se vão para sempre.
Mas o que poucos percebem é que certas mudanças não tem como acontecer de cima para baixo, simplesmente porque a fundação criada à milhares de anos não aguentaria uma reforma para colocar outra estrutura. É preciso criar uma base nova, capaz de suportar um sistema mais amplo, que seja preparada para futuras atualizações e que seja mais maleável. E para realizar tal feito, precisamos fazer algo que esquemos a milhares de anos atrás. Precisamos entender que a imagem do herói sempre vai existir, ela está no lugar menos esperado de todos: em nós mesmos.
Quando notarmos que todos temos potencial para sermos mais do que a sociedade atual nos deixa ser, seremos capazes de criar um mundo completamente diferente do que temos hoje. Um onde a cooperação libertará as pessoas de grilhões como empregos e aposentadorias; onde trabalharemos para realmente nos desenvolvermos; onde teremos aumento na qualidade de vida de todos; onde não precisaremos viver com medo de assaltos, roubos e sequestros. Mas isto depende de cada pessoa notar seu próprio potencial, de desenvolver a paciência e a tolerância, e principalmente, saber como aprender. Super-heróis são fantásticos porque eles aparecem com soluções mirabolantes constantemente. Eles nos encantam por pensarem de jeitos diferentes e nos mostrarem que tudo é possível quando usamos nossa cabeça.
Inclusive de que podemos ter um planeta de reais super-heróis.
:-)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Salvador da Pátria


Ainda com o espírito dos filmes que vi no fim de semana, vou tentar tratar neste post sobre a questão que nos leva às urnas e estrutura nossa sociedade em uma forma de pirâmide. Espero conseguir desmistificar a ideia romantizada que temos de que precisamos de um representante, pois o que temos na verdade é um governante. E claro, espero conseguir mostrar que existe alternativa, e que depende muito mais de cada pessoa do que de apenas uma.
Imagino que poucos notam o quão humanos são aqueles que elegem quando lançam seus votos. Talvez a propaganda seja diferente, mas desde que me conheço por gente, não vi nenhum candidato que não fosse uma pessoa com qualidades e defeitos como todas as outras. Alguns com mais recursos para esconder algumas imperfeições, certamente, mas ainda assim os tinham. E por não vermos a humanidade destas pessoas, as colocamos em pedestais, damos privilégios e presentes, enquanto continuamos na mesma vida de servitude. Tudo na esperança de que seja nossa vez de estar no pedestal antes de passarmos desta para uma melhor.
Nos é vendida a ideia de que precisamos de alguém que represente nossa comunidade, nosso estado e até nossa nação, quando nem notamos que estas são apenas tarjas do passado, desatualizadas e simplistas. No momento que nos considerarmos todos iguais, com as mesmas necessidades básicas, não precisaremos mais nos separar em currais psicológico. Mas enquanto ainda mantivermos a ilusão de que somos diferentes, nos vemos forçados a continuar escolhendo alguém que julgamos ter mais capacidade de comunicação e administração, quando a realidade mostra que raramente isto funciona como o esperado.
Por forçarmos o ponto de vista de um grupo específico sobre toda uma nação, periodicamente cometemos o mesmo erro de nossos antepassados, restringindo os objetivos de nossa vida. Fomos perdendo nossas escolhas a cada eleição, e estamos chegando ao ponto de que nossas vidas e relacionamentos serão regidos apenas pelo lado financeiro. E o que muitos não querem ver, ou admitir, é de que o sistema monetário não é controlado pela população ou pelo governo, como a propaganda mostra, mas por empresas privadas. Se acham que não, talvez dois exercícios mentais podem ajudar essa visualização. Para o primeiro, imaginem seu representante no congresso, senado ou presidência. Agora imaginem que ele tem de um lado uma família que contribui com três votos para sua campanha, e do outro um empresário que contribui com cinco milhões todo ano para seu partido. Se estivesse em votação uma lei que apenas um dos lados seria beneficiado, qual vocês acham que seria o beneficiado? Antes de eu fazer comentários sobre isto, deixem eu passar o outro exercício. Esse se passa na bolsa de valores e é bem mais simples. Quem vocês acham que influencia mais o mercado: mil pessoas investindo mil pilas cada uma ou uma pessoa investindo cem milhões? Em ambos os casos, a visão romantizada da democracia, onde a maioria influencia o destino da nação, não funcionam como o esperado, na realidade. E esses são apenas dois exemplos, mas podem usar em qualquer outro caso onde o sistema monetário está envolvido que poderão ver resultados parecidos.
A alternativa que eu vejo como mais capaz de nos tirar deste dilema é incrivelmente simples, apesar de trabalhosa e difícil de ser atingida. Ela é simples em seu conceito, trabalhosa pelo que temos que fazer e difícil porque é preciso mudar nossa base, nosso fundamento e nossa mentalidade. A solução também não poderia sair mais barata: precisamos aprender a se desvincular do sistema monetário. Temos que nos livrar desta corrente que prende nossos pés para sermos livres, para podermos descobrir as maravilhas do planeta e de nós mesmos. Para conseguirmos realizar este feito, precisamos usar a maior ferramenta já criada, a informação. E neste ponto que tudo se complica, pois a tarefa mais árdua que alguém pode ter não é de consertar a economia, acabar com a violência ou melhorar a vida de um país. A maior barreira que cerca nossas vidas, que muitos veem como limitações mas que não passam de obstáculos mais altos, é justamente mudarmos nossa própria cabeça.
Se conseguissemos um feito deste tamanho, não precisaríamos mais de nenhum governante, mestre ou rei: seríamos realmente livres e donos de nosso próprio destino.
:-)

terça-feira, 18 de maio de 2010

A união faz...

Ao trocar umas ideias no fórum do Zeitgeist brasileiro, um dos participantes me recomendou um filme britânico para dar uma olhada, sobre as mudanças que a sociedade esta fazendo naturalmente, e que alguns políticos já começaram a perceber e se adaptar de acordo. São alternativas trazidas pelas novas tecnologias que muitos usam sem mesmo perceber o que isto representa. Eu, por exemplo, não tinha ideia da dimensão que as redes sociais estão tomando, talvez por serem dependentes ainda do sistema monetário para se manter, em alguns casos.
O nome do filme é Us Now (“Nós Agora” em uma tradução literal), e pode ser visto de graça no próprio site. É feito na forma de um documentário, que mostra como as pessoas estão usando as redes sociais para se aproximarem mais, achando alternativas para especialistas. Um dos enfoques apresentados é justamente em como governos devem se reestruturar para não serem tornados completamente obsoletos nesta nova era tecnológica que nos encontramos. E neste ponto que eu vejo o quanto as pessoas não notam a prisão em que se encontram, pois justamente ajudam a colocar as pedras ao seu redor. Mas deixem-me explicar melhor.
Um dos pontos apresentados é de que as pessoas em pequenas comunidades conseguem os recursos que precisam quando se organizam. Até recentemente isto era meio difícil pois não possuíamos uma tecnologia que permitisse uma comunicação em massa e dinâmica. Mas isto mudou nos últimos anos, com o surgimento de serviços sociais na Internet. Atualmente podemos se organizar de acordo com nossas preferências, sejam elas esportivas, religiosas, políticas, culinárias ou seja qual for nosso interesse. E não precisamos mais de intermediadores, pois as ferramentas estão todas por aí, bastando apenas procurarmos por elas.
Neste contexto, o governo ficaria em segundo plano apenas porque ainda usaríamos um sistema monetário. Seria tarefa dele a produção e distribuição deste recurso da qual se tornamos tão dependentes, mas que na verdade nem precisamos. O próprio filme aponta que uma grande parte destas redes sociais se baseiam apenas na boa vontade das pessoas, não usando dinheiro para resolver seus problemas. Alguns dos exemplos citados mostram pessoas que compartilham um canto em suas casas para estranhos que estão viajando, mães trocando dicas e ideias de como cuidar de suas crianças e até de um time de futebol administrado pelos próprios torcedores.
Pode-se notar quando se observa estas comunidades que em grande parte dos casos, o sistema monetário acaba sendo mais um problema do que solução. Os recursos para a resolução de certas questões existem, mas muitas vezes ficam indisponíveis, presos atrás da barreira monetária, que não possui outra função senão o controle do governo sobre a população. E quando eu digo governo, não estou me referindo apenas às figuras públicas que criam regulamentos, mas principalmente àqueles que investem em leis específicas que acabam adestrando a população.
Uma das coisas que eu mais gostei no documentário foi eles mostrarem o poder que comunidades tem quando se comunicam e vão atrás de soluções para seus problemas, sem esperar que alguém venha levá-las pela mão. Mostra o quanto as pessoas que participam se sentem mais valorizadas por estarem contribuindo para algo que realmente importa para elas. É uma volta da autoestima perdida com o adestramento de milênios. Mas é como dizem por aí: tem coisas que não tem preço, e quando vejo exemplos como os apresentados neste filme, noto que estamos cada vez mais perto de tirarmos esse mal de nossas vidas de uma vez por todas.
:-)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Robin Hood

Esse fim de semana fui no cinema olhar a nova versão da história do Robin Hood, e o que mais me chamou a atenção no filme foi, pra variar, as semelhanças entre a vida feudal de uns mil anos atrás e a de hoje. Por mais máscaras que nos acostumamos a usar em nosso dia a dia, ainda temos a mesma mentalidade servil do povo apresentado na tela. Ainda estamos esperando um salvador místico e poderoso que nos tire do inferno que vivemos e nos leve para o paraíso prometido e idealizado por gerações passadas.
A estrutura da vida social mostrada no filme chama atenção por ser praticamente igual a que temos hoje em dia, apenas com uma tecnologia um pouco mais avançada. Logo no início do filme pode-se ver, por exemplo, que muito dos soldados que vão para a guerra o fazem sem ter muita ideia do que encontrarão por lá. O que quero dizer é que alguns, mesmo sabendo que irão ver sangue e cenas horrendas, não estão preparados para ver isto como sendo um resultado de seus próprios atos. As promessas de glória ofuscam tanto, ainda mais quando é a única alternativa de sustento para alguns, que existem aqueles que não conseguem se recuperar das consequências do que são ordenados a fazer.
Este fenômeno não se observa apenas no exército, mas na sociedade como um todo. Desde os tempos feudais tentamos, como pavões, usar uma plumagem diferente para impressionar outros, mesmo ainda sendo basicamente frangos por debaixo de tanta produção.  Os motivos para agirmos desta maneira são tão variados quanto existem psicólogos por aí, pois dependem de qual ou quais pessoas queremos chamar mais a atenção.  Naquela época ao menos, tínhamos a desculpa de não saber que este é um vício do nosso cérebro, uma defesa natural contra o isolamento para perpetuar a espécie. Mas atualmente, com a informação correndo mais livremente por aí, podemos começar a prestar mais atenção em como nos comportamos, e restringir nossos instintos, deixando de agir como simples animais.
Um desses comportamentos podemos ver claramente na maneira como nossa sociedade ainda é estruturada. Uma estrutura defendida com unhas e dentes por falta de conhecimento de que só mantemos um líder por não termos confiança em nós mesmos. Existe o argumento da organização, mas esse problema desaparece quando as pessoas são realmente civilizadas, ao contrário do faz-de-conta que vivemos. No início concordo que precisávamos de tal estrutura, mas atualmente o que precisamos mesmo é de autoestima e sabedoria, que parecem ter desaparecido de nosso meio. E ter alguém constantemente nos lembrando o quão serviçais somos, não ajuda nem um pouco neste quesito. O filme ilustra bem essa parte, mostrando um lado do Robin Hood que é pouco conhecido, mais baseado em história do que em lendas.
Se não assistiram ainda recomendo darem uma olhada, ainda mais para se lembrarem da história. Não sei se  existiu mesmo um Robin, ou se é muito mais mito do que realidade, mas podemos notar que desde tempos antigos temos esperado como ovelhas pelo pastor que irá nos levar para a pastagem mais verde. Com informação, todos temos a oportunidade de nos tornarmos leões. É uma grande mudança, necessária se quisermos parar de ser guiados de um pasto para outro apenas para termos nossa lã cortada de tempos em tempos e servirmos de alimento para outros quando necessário para eles.
:-)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Pilares da Sociedade 5

De todos os alicerces que nossos antepassados prenderam em nossos pés nos impedindo de avançarmos ainda mais rápido, o que eu considero o mais pesado é o das regras. Talvez por sermos uma das espécies mais jovens do planeta, ainda trazemos este costume de criar uma lei que consideramos imutável para cada comportamento que consideramos indevido. Se não viram a cena ainda, é mais ou menos como duas crianças em um parquinho tentam decidir como dividir um brinquedo, depois de usarem a força e serem repreendidos pelos pais.:-)
Exatamente como no caso das crianças, criar leis (sejam elas políticas, religiosas, gastronômicas, etc...) é um curativo que se está colocando no caso, pois não temos ideia melhor do que mais fazer. Criamos cada vez mais regras, queremos cada vez ter mais controle e tudo parece escapar por entre os dedos quando abrimos jornais ou ligamos a televisão. Incessantemente vamos atrás da solução perfeita de como podemos evitar que certos problemas se repitam. E justamente esse é o problema: queremos nos arrumar tanto, que mal estamos prestando atenção para a vida.
Regras e leis nunca funcionaram e nem irão funcionar enquanto não tratarmos as causas do que vemos como problemas. Um exemplo é o caso da escravidão que comentei sobre uma das palestras do TED. Enquanto existir a cultura do enriquecimento como solução, existirão pessoas dispostas a ganhar o máximo possível com o mínimo de esforço. Se 95% dos crimes atuais são cometidos por serem resultado direto ou indireto da pobreza, 95% dos crimes iriam sumir se as pessoas tivessem realmente oportunidades iguais. E enquanto alguns iriam ficar apontando os outros 5%, imagino que podemos concordar que 5% é melhor do que 100%, no que diz respeito à violência, assalto e roubos, certo?
Alguns acham que precisamos dar uma lição nos malfeitores, que eles precisam aprender do jeito mais difícil. Mas não deve ter jeito mais duro de se aprender uma lição do que livre e sem repreensões, pois estas ao menos mostram que outros se importam. Outra coisa que pais experientes sabem: ao se proibir alguma coisa, ela misteriosamente se torna mais atrativa. Sim, simples assim. Então criar regras para alguma coisa mostra dois pontos que muitos devem achar difícil de encarar no espelho: nossos antepassados nos ensinaram bem a sermos cruéis e sarcásticos. Ou de que outra forma podemos explicar que tornamos algo proibido sabendo que irá tornar ainda mais atrativo, e pra ajudar, criamos uma série de punições que sabemos que não irão educar ninguém, na verdade?
Imagino que o melhor exemplo é de perguntarem para as pessoas ao seu redor e para si mesmos o porque não devemos matar outras pessoas. Sem conhecê-los, arrisco dizer que a maioria das resposta será institucional (política, religião) ou sentimental, e que raramente terão uma resposta lógica. Antes de lerem o resto, peço para que escrevam num papel sua resposta, e vejam onde se encaixam. Pronto? Então, se a resposta de vocês se encaixa nos moldes de: "porque é errado", "porque é a lei", "porque está escrito", "porque deus disse", "porque senão vou preso" - sinto informar mas a resposta foi criada por uma instituição, e as chances são de que na falta dela, se esqueça o porque é errado matar, e se comece a praticar o ato. Não digo que todos vão fazer isto, mas existem aqueles que associam o ato errado à punição (por nosso sistema de educação não saber ensinar), e quando os carcereiros não estão, adivinhem o que acontece. Mas se a resposta for do tipo "porque se deve respeitar a vida", "porque a vida é um direito de todos" e coisas do tipo, sinto informar que a resposta é de cunho sentimental, e uma vez que os sentimentos sejam feridos (e eles vão ser), a regra é quebrada pois nada mais importa. Existe, claro, uma resposta que fica em cima do muro entre instituições/sentimentos e a lógica. Quando alguém diz que não se deve matar por que tudo iria virar um caos, existe a possibilidade desta pessoa estar usando a lógica, e deve-se perguntar o famoso "Por que?". Se ela for para o lado de que não seríamos mais civilizados ou que nao teríamos mais organização, cuidado. Estas respostas são tão institucionais e sentimentais quanto os primeiros exemplos. Mas se depois de todo o inquérito, ela chegar a conclusão de que não se mata as pessoas porque elas sabem se vingar e as probabilidades são de que elas farão isso, iniciando um ciclo vicioso parecido com o que estamos vivendo agora, pode-se concluir de que temos uma resposta lógica.
Ficar de frente com os alicerces de nossa sociedade não é fácil, pois normalmente encaramos o pior de nós mesmos, vemos o quão baixo a humanidade pode ir para que alguns tenham seus prazeres, indiferentes a todo o resto. Como analisado, este tipo de comportamento funcionava no passado, pois a população era menor e não fazia tanta diferença assim as regras de um ou outro. Mas hoje em dia não fazem mais, e em vez de colocarmos mais regras que no final só irão gerar mais conflito, além de prender mais algumas gerações, devemos mudar e começar a soltar os grilhões que seguram nossos pés. Simplesmente passar eles adiante não é uma solução, pois as chances de voltarem contra nós mesmos são grandes.
A informação se tornou a maior arma de nossa espécie até agora, e assim que soubermos usá-la a nosso favor, teremos a chance de nos livrar de pesos do passado, além de criar um mundo inteiramente novo. E não seria ótimo usarmos essa fantástica ferramenta inclusive para nos livrarmos das correntes da preguiça?
:-)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Pilares da Sociedade 4


A natureza humana é, do meu ponto de vista, o pilar mais profundo de nossa sociedade. Antes mesmo de termos delimitado nosso terreno e chamado ele de pátria, de usarmos a lei do mais forte para nos defender, ou de criarmos artifícios de escravidão, já estávamos tentando entender como nos comportamos. Mais do que isto, estávamos tentando entender como seres fisicamente iguais a nós se comportavam. Queríamos prever suas ações, ter certeza de que não nos fariam mal. E o que antes era um método de defesa, agora passou a ser uma armadilha tão bem elaborada que muitos nem notam que caíram.
Um sistema que nos defendeu tanto no passado se voltou contra nós por não estarmos preparados para seu limite. Enquanto ainda achávamos que o mundo era infinito, certamente as chances eram de que notar nossas diferenças seriam muito mais úteis do que nossos pontos em comuns. Ao menos para sobrevivermos de forma rudimentar, como nossos ancestrais estavam acostumados. Mas não notamos que, ao descobrir o tamanho do planeta e constatar que já conhecíamos a maioria, se não todas, as tribos que nele habitavam, não mudamos nosso jeito de pensar. Em nossa maioria, continuamos assumindo que cada pessoa nasce com uma cultura pré-determinada, que não somos capazes de mudar, e que somos um simples fruto de nossos genes, com uma ponta de participação do ambiente. Mas as recentes estudos nos mostram que estes conceitos já não são mais o que achávamos.
Hoje em dia já aprendemos que as pessoas são resultado do meio que as criou, misturado com a propensão em seus genes e a lógica em sua cabeça. Hoje entendemos que se pegar alguém nascido no norte e criá-lo no sul, ele passará a ter todas as manias da cultura sulista, inclusive o sotaque. Hoje sabemos que se pegarmos alguém crescido no sul, e levar para outro país, a pessoa tem a capacidade de se adaptar para aquela realidade, mesmo que basicamente. Hoje sabemos que não existe uma natureza humana, o que existe são resultados diferentes de experiências vividas em épocas e locais diferentes.
Por exemplo, muitos podem condenar o comportamento de certas tribos de índios que eram canibais. Acham errado por que alguém foi morto para ser comido, mas raramente se perguntam o que uma tribo dessas deve pensar sobre nós, ainda mais depois de nos conhecer um pouco. Poluímos nosso próprio meio e ainda escravizamos nossos semelhantes, para citar apenas duas das atrocidades que praticamos diariamente, se alguém tiver dificuldade para lembrar. Mas se pegarmos um bebê dessa tribo e um da cidade e trocarmos eles, irão crescer como se fossem parte dos respectivos meios em que foram inseridos.
Esta incrível habilidade de adaptação é o que tem nos dado não só a liderança no quesito de sobrevivência, mas também nos deixou tão bem na foto que constantemente achamos que somos os melhores do planeta. Nos colocamos num pedestal tão alto, que a dor do tombo pode não ser algo de que vamos nos recuperar, principalmente por muitos acharem que nosso comportamento segue uma fórmula pronta. Mas esta formula, como estamos descobrindo, tem cada vez menos a ver com o que está dentro de nós e mais com nosso ambiente. Então talvez seja a hora de voltarmos a ver cada pessoa como um indivíduo que faz parte dessa nossa grande família, do que continuarmos nos prendendo em casa com medo da pessoa que esta do nosso lado.
Curiosamente, ela pode ser a mais próxima de nos salvarmos quando precisamos...


:-)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pilares da Sociedade 3

Se temos dentro de nós as sementes para a criação e para a destruição, não é exagero em dizer que o sistema monetário é o adubo ideal para o segundo tipo. Ao ser criado, um dos efeitos colaterais que não notamos foi a troca do conceito de igualdade pelo de justiça, que é muito mais restrito. Isto mostrou ser vantagem apenas naquele ponto, mas nos demais foi completamente esquecido, chegando a se tornar um tabu. Com o aumento de nosso conhecimento, estamos passamos a ver que nosso foco principal está errado novamente. Estamos novamente deixamos de ser o centro do universo.
Os objetivos que nos levaram a criar cidades e andarmos em grupos foram substituídos pelo lucro. Até mesmo a procriação é vista como uma forma de se conseguir dinheiro, dependendo do lugar e aspecto analisados. O artifício ilude até os melhores entre nós: os eleitos, encarregados com a responsabilidade de salvar nossas vidas, de guiar nossos destinos. Deixamos as decisões importantes nas mãos deles e achamos que somos os que controlam a cenoura em sua frente, quando na realidade agimos da mesma maneira, nos enfeitiçamos do mesmo jeito.
Enquanto existir o sistema monetário em nossa sociedade, nunca poderemos dizer com segurança que a solução de alguma decisão foi realmente encontrada. Inclusive, este aspecto nem é mais cogitado em nosso meio, pois preferimos que as respostas sejam criadas prontas em fábricas. O preço deste produto, no entanto, vamos pagar pela vida toda, pois cada um produzido cria um ciclo vicioso que se multiplica, nos prendendo em hábitos cada vez mais nocivos, apenas para manter o sistema funcionando.
Passamos a ver este artifício como a resposta suprema, que proveria recursos infinitos para a sobrevivência de nossa espécie, quando na verdade não satisfaz questões básicas além de causar a destruição de nossos meios de vida. Enquanto nos ilude com o contrário, para tornar nosso mundo mais barato e livre de responsabilidades, foi preciso cortar a eficiência dos recursos, pois junto com a sustentabilidade e abundância, são inimigas do lucro. Sem esses três requisitos, a sociedade não tem como se desenvolver.
Podemos ver que agimos como viciados quando o assunto é dinheiro, e raramente conseguimos imaginar nossa independência dele. Estamos parados, esperando uma resposta, como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Continuamos consumindo os recursos do mundo enquanto, sem produzir nada que seja realmente relevante, seguimos imagens romantizadas que glorificam mais tempos passados. Por ainda chamarem mais nossa atenção por apelarem para nossos instintos do que o intelecto, corremos o risco de retroceder e voltar completamente a viver como nossos ancestrais.
Além disto o sistema monetário acentua o conceito de propriedade, que teve sua utilidade no passado, mas que atualmente nos faz criar escassez artificial, apenas para maximizarmos o lucro. Este tipo de comportamento contradiz certos valores morais, mostrando o quanto a manutenção desta estrutura custa ao longo do tempo. A corrupção é um exemplo, pois qualquer lei criada com a finalidade de punir esta prática estará apenas lidando com a consequência, e não com a causa. Ou seja, por mais regulamentações e fiscalizações que se inventem, enquanto tivermos um sistema monetário, teremos um meio que amplifica o lado corrupto do ser humano.
Esta é uma estrutura que pode ser mais facilmente removida de nossa sociedade, pois já estamos nos acostumando a economizar e usar cada vez menos o dinheiro. Basta apenas reduzirmos o consumo e procurar alternativas para as rotinas que tomam mais tempo. Começarmos a fazer tarefas que realmente ajudem a comunidade, ao invés de apenas um ou outro, também ajudam na mudança de nossa estrutura. E saber diferenciar nosso passado de nosso futuro.
:-)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Pilares da Sociedade 2

Quando nossos conhecimentos sobre nossos vizinhos aumentaram, começamos a unir pessoas cada vez mais diferentes em um local comum. Na primeira oportunidade que tivemos de resolver os problemas trazidos por esta prática, recorremos aos nossos instintos e mantivemos o padrão de competição, sempre desconfiados do mundo ao nosso redor. Assim oficializamos a lei do mais forte, onde o grupo mais populoso teria domínio sobre o território e sua maior arma.
O teste do tempo também não mostra bons resultados para a democracia, pois ela também necessita de um crescimento infinito em uma realidade finita. Para que cada lado tenha sua chance, é necessário cada vez mais membros, de maneira que sobrepuja o adversário consideravelmente. Apesar do ideal ser o controle populacional e a troca de ideias para se mudar a mentalidade, a cultura discriminatória promove uma maior facilidade na perpetuação de superstições e costumes, pois são baseados nas crenças, apelações para instintos e sentimentos.
A democracia ainda serve também como mais um elemento de segregação, criando um ambiente onde nosso lado competitivo, e não solidário, se destaque. Com o passar do tempo, o que tinha a intenção de ser um exercício de criação de novos temas e ideias para melhorias, tornou-se um campo de guerra, ondes golpes cada vez mais baixos saciam a sede de sangue dos espectadores. Ainda vivemos na época do Coliseu, apenas nos tornamos um pouco mais discretos. Mas como espectadores devotos, raramente notamos que podemos trocar o jogo que olhamos, pois para isto precisamos nos mexer e trocar o canal.
O primeiro passo para que o jogo pare de ser passado em cadeia nacional é se não tiver espectadores suficientes. Parece ser incrivelmente difícil de ser feito, pois não nos damos bem com mudanças, mas os benefícios podem ser vistos tanto no curto quanto no longo prazo. Um deles é de economizarmos, pois não estaremos mais pagando o preço do ingresso. Outro é que teremos mais tempo para nós mesmos e aqueles que realmente importam, ainda mais se pararmos de seguir jogos e competições.
Estes são excelentes como formas de esportes e entretenimento, mas dificilmente se relacionam com nossa estrutura social. Somos criados em famílias, onde aprendemos a compartilhar desde cedo. Nossos corpos vivem em harmonia por não competirem com outros órgãos. Crescemos mais quando vamos atrás de objetivos comuns, não perdendo tempo com diferenças, pois apenas são outros pontos de vistas.
:-)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pilares da Sociedade 1

Esta nova série vai tratar de algumas estruturas da sociedade que raramente questionamos, mas que se tornaram fundamentais em nossas vidas ao longo do tempo. Nos associamos com elas desde jovens por fazerem parte de nossa cultura, e criamos justificativas para sua utilização, mesmo elas deixando de ser parte da solução e passando a ser um problema. Nesta primeira parte iremos observar o patriotismo, a primeira forma de termos paz com outros povos, com cada um vivendo em seu espaço.
Criado como uma forma de nos identificar com uma terra natal, teve sua utilidade no começo do desenvolvimento das civilizações, onde cada novo membro significava aumento de defesa ou produção. Mas logo o teste do tempo demonstrou que o crescimento infinito necessário para que este tipo de estrutura se mantivesse não existe em um mundo finito. Ela precisa ser revista, ou o remédio pode se tornar uma overdose e acabar destruindo o que uma vez protegia.
Atualmente, o patriotismo separa as pessoas por zonas econômicas. Cada país pode ser visto como uma fábrica, e sua população como seus empregados. Dependendo do objetivo desta empresa, eles serão tratados por funcionários ou por escravos, mas independente de qual seja a nomenclatura, ainda não estamos usando as ferramentas a disposição para nos libertarmos da dependência do trabalho.
O patriotismo promove a competição, nos impedindo de encontrarmos a solução juntos. Por medo de usarmos diversas tecnologias para criar abundância para todos, preferimos competir criando melhorias pessoais que apenas ilustram o que poderia realmente ser. E enquanto poucos são privilegiados com esta sorte, continuamos insistindo na ilusão de que todos um dia serão.
Pode-se ver o patriotismo como um grilhão de cunho social, que nos mantém quietos em nossa cela. Somos constantemente inspecionados, observados a todo momento, ameaçados em qualquer oportunidade por motivos que em certos casos, nem compreendemos; todas técnicas conhecidas desde tempos antigos. E por não mudarmos nosso comportamento para nos defendermos mais eficientemente, continuamos com os mesmos problemas de séculos atrás.
Sua utilidade em nossa sociedade atual acaba sendo nula, pois causa mais atritos do que benefícios, e nos impede de modificar outros pontos que também precisam de mudanças, tamanha sua influência em nossa cultura. É um pedaço de nosso passado de que não precisamos mais, pois nosso conhecimento sobre este aspecto cresceu. Antes considerávamos nossa terra natal alguma caverna ou vila, depois passamos a ter cidades e estados. Logo pulamos para países, e estamos começando a nos identificar cada vez mais pelos continentes em que nascemos. Poderíamos poupar muitos transtornos se chegássemos mais rápido à conclusão de que somos todos parte do mesmo universo, da mesma realidade.
:-)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Você sabe se defender?

Esta seção de dicas vai ser inteiramente focada em um aspecto só, para aprofundar um pouco mais o tema que eu imagino que alguns devem estar se perguntando. Pode ser considerado como dicas de segurança, mas também pode ver visto como dicas de relaxamento e, porque não, meditação. É um tema que quando se fala de um mundo sem guerra ou violência poucos levam em conta, mas eu particularmente vejo como um dos principais e que chegam a me dar mais ânimo. É sobre esportes, mas mais especificadamente, artes marciais.
Originadas nos mais diversos métodos de defesa, estas técnicas de treinamento se tornaram populares pela necessidade de proteção pessoal. Constantemente lutando contra os testes do tempo, foram se aperfeiçoando no caminho de alcançar o mais cobiçado prêmio conhecido: a sobrevivência. Enquanto algumas incorporaram, ou até nasceram com, o uso de utensílios, outras deram mais ênfase no próprio corpo, tentando usar cada pedaço e movimento dele como armas. Estes consideram que nada é melhor do que estar preparado para a eventualidade de não se encontrar algum objeto que possam usar, seja para a defesa ou para o ataque. Exércitos tem feito uso de suas técnicas ao longo de nossa história, com o intuito de preparar física e mentalmente seus soldados. Além dos músculos, várias outras partes do corpo são utilizadas na prática destas artes.
Reflexos e nervos são alguns dos alvos, já que reações fazem parte de nossos instintos. O treinamento delas produzem resultados mais precisos e desejáveis quando somos pegos de surpresa, evitando situações desastrosas quando se trata apenas de uma brincadeira entre amigos. A cabeça e mentalidade são outros objetivos trabalhados nestas práticas, procurando um estado de relaxamento para que a mente consiga processar as informações de uma maneira mais lógica e objetiva, também evitando que nossas ações não representem problemas piores depois. Ossos (e outras partes) são reforçadas com o treinamento constante. Inclusive a respiração começa a ser controlada de forma mais consciente, trazendo maiores benefícios para a prática.
Independente de crença, é fato que nosso corpo é o veículo que nos leva para todos os lados nessa realidade. Aliás, mais do que apenas um meio de transporte, ele pode ser considerado uma casa. Seja qual for a metáfora, é para nosso próprio benefício que cuidamos dele, seja cuidando da alimentação ou praticando esportes. Artes marciais podem ser vistas como um complemento, para aqueles que tem a curiosidade de conhecer um pouco mais de seu próprio corpo. Além de ajudar a nos manter saudáveis, elas podem fazer maravilhas para nossa sanidade, enquanto nos maravilham com as possibilidades apresentadas.
:-)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Contribuir ou denegrir?

Desde cedo somos ensinados que, para termos direito a alguma coisa na sociedade, devemos contribuir para o seu desenvolvimento. Entretanto, são raras as vezes que paramos para notar se o que estamos fazendo faz realmente alguma coisa neste sentido. Muitas vezes, sem percebemos, estamos mais ajudando a denegrir nossa sociedade, ao invés de contribuir para ela, ainda mais quando não estamos inteiramente conscientes das consequências de nossos atos. Em alguns casos, consideramos a primeira e mais fácil (ou barata)opção sem notar que ela pode estar apenas nos oferecendo uma solução temporária, e que no longo prazo pode, inclusive, se voltar contra nós, ainda mais se nos acostumarmos com ela. É mais  ou menos como usar um balde para conter os problemas trazidos por uma goteira: ele funciona para o momento, mas logo estamos perdendo tempo correndo de um lado ao outro para esvaziá-lo pensando em como poderíamos criar uma engenhoca que fizesse nosso trabalho, quando tudo se resolveria se subíssemos no telhado e trocássemos a telha.

Embora este exemplo do balde e da goteira seja engraçado quando imaginamos a cena, a realidade é que estamos fazendo exatamente o mesmo em nossa sociedade diariamente, sem notar o quanto estamos acostumados com o "balde". E algumas dessas soluções são tão antigas, que esquecemos inclusive de olhar de onde vem a água que nos incomoda tanto, que nos faz correr de um lado para o outro sem resolver nada, gastando nossa energia e tempo com uma tarefa repetitiva e cansativa. O sistema monetário é um desses casos.
Criado nos primórdios de nossa civilização, ele apareceu para tentar igualar nossas diferenças. Era o ponto comum entre tribos e clãs completamente diferentes que queriam trocar mercadorias, mas por cada um dar valor diferente para o bem, criaram o dinheiro para resolver este problema. Por nossa espécie ter vindo de um passado de milhões de anos de desconfiança servindo como método de defesa, usamos este artifício para criar pontos comuns, que não víamos de forma clara. Mas ao invés de ser considerado uma solução temporária, até aprendermos mais sobre nosso mundo e nós mesmos, acabamos nos acostumando com ele, e agora agimos como viciados paranoicos quando apenas se sugere o fim dele na sociedade. Temos a impressão que o planeta irá acabar quando, na verdade, deveríamos estar festejando que chegamos à um nível onde podemos finalmente nos livrar de um curativo colocado à milhares de anos atrás. Com o fim do dinheiro, estaremos livres novamente para escolher se vamos continuar prestando atenção nas diferenças que temos, e permanecer como nossos antepassados das cavernas; ou se vamos olhar para os pontos comuns, trabalhando juntos para alcançarmos objetivos que todos compartilhamos, como saúde, comida e moradia, e alcançarmos níveis de desenvolvimento sonhados a muito tempo.
E por falar em trabalho, outra solução temporária com a qual se acostumamos são os empregos, criados como uma forma de sobrevivência, até construirmos a tal sociedade perfeita que todos poderiam usufruir. Mas no meio do caminho, graças ao dinheiro, tivemos uma mudança de mentalidade, preferindo o lucro rápido do que o desenvolvimento contínuo. Com isso, nos tornamos escravos de nossas próprias invenções. E o pior: temos medo de perder nossas únicas formas de sustento para as máquinas, que ironicamente são as únicas capazes de nos livrarem desse fardo e de nos levarem até a sociedade perfeita que sonhamos séculos atrás. Por não querermos abrir mão de nossos empregos, estamos nos tornando uma sociedade de prisioneiros.
Enquanto ainda mantivermos a mentalidade de preferir jogar no lixo metade da comida produzida no mundo simplesmente por dar menos gastos do que distribuir para aqueles que não tem nada, continuaremos tendo roubos, assaltos e revoltas acontecendo. Enquanto ainda tivermos lucro como principal objetivo, e não desenvolvimento, ainda teremos guerras e genocídios ao redor do mundo. Enquanto ainda dermos mais valor para a propriedade do que para as pessoas, ainda conheceremos o medo ao sair de casa e ao dormir à noite. Enquanto não soubermos a diferença entre denegrir e contribuir, vamos cada vez mais apertar os grilhões que nos prendem.
Para saber se está ajudando a sociedade é bem simples: se sua ação está beneficiando outras pessoas, independente de raça, credo, educação e, principalmente, poder aquisitivo, já é um passo no caminho certo. Caso sua ação faça alguma distinção entre as pessoas, seja poder de compra ou qualquer outra, já está se enquadrando no que mais prejudica nossa sociedade: a segregação. E precisamos cuidar com ela, pois é a maior fabricante de baldes do mundo.
:-)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Nossa cabeca 5

Para finalizar o tópico sobre o modelo SCARF, que muitos usam como base para a liderança, mas que foi baseado em estudos recentes do cérebro no meio social (encontre aqui as partes 1, 2, 3 e 4), vou falar sobre a igualdade. Para começar, vamos ver porque muita gente associa este conceito com o da justiça e qual a influência disso na nossa sociedade, depois vamos analisar o que é realmente ser igual e, finalmente, de onde vem nossa propensão para procurarmos este ponto comum. Com isto, teremos um maior entendimento do porque certos aspectos de nossa sociedade estão em conflito desde seu começo, e talvez resolver estes problemas, que alguns não consideram "justos". 
Como podemos observar em seu conceito, a justiça cobre apenas alguns aspectos da igualdade, restringindo seu foco. Isto pode ser visto na ênfase em pontos de vista como direito e dever, enquanto outros como oportunidade de vida e serviço básico de infraestrutura, apesar de comentados, não possuem tanto espaço. É como o efeito visto em certas religiões ocidentais e orientais, onde a ideia passada sobre justiça tenta ser similar à igualdade, mas pode acabar parecendo outra coisa. Muitas vezes não vemos que nosso conceito de justiça, seja ele constitucional, religioso ou pessoal, é apenas um aspecto de toda a gama de comparações existentes.
Por nossa cabeça ter esta afinidade por igualdade, qualquer que seja o ponto de vista sendo analisado, existe a possibilidade de entrarmos em conflito com a justiça. E isto representa um grande problema em nossa sociedade.
Uma das influências que nossos conceitos tem na sociedade começam já na linguagem. Um exemplo clássico é quando se ouve a frase: "Não é justo alguns terem tanto e outros tão pouco." Justiça, neste caso, tem pouco a ver com o fato, já que ela se refere a direitos e deveres. Se as pessoas que tem muito conseguiram seus bens dentro da lei, a frase deveria ser "É desigual alguns terem tanto e outros tão pouco". Pode parecer que não é uma grande diferença, mas a linguagem tem sua influência na cultura. Outro exemplo mais prático, e que reflete a influência da linguagem no comportamento, é quando aparecem protestos para modificações de leis pedindo mais direitos. Direitos nada mais são do que possibilidades do que se pode fazer, não são oportunidades e muito menos igualdades. Todos termos direito à moradia não significa necessariamente que todos terão sua casa, ainda mais quando o sistema impõe que para ter seu cantinho, a pessoa precisa de dinheiro. Ou seja, antes da pessoa ter a oportunidade de ter alguma coisa na sociedade ela precisa contribuir. Mas para contribuir, ela precisa da oportunidade de ter alguma coisa, como alimentação e educação, por exemplo.
Este paradoxo é baseado em nosso equívoco de que justiça é igualdade, e de a tratarmos assim, enquanto que na verdade ela é apenas um ramo. Portanto, nosso conceito de justo não diz respeito à gama enorme que imaginamos, pois é restrito ao aspecto constitucional. Nossa cabeça, no entanto, não se restringe à este ponto de vista, e aponta constantemente nossas diferenças com outras pessoas. E, enquanto o avanço da ciência vai mostrando que nosso próprio corpo é mais igualitário do que parece, a resposta para nosso comportamento e afinidade com a semelhança pode estar no papel que os milhões de anos de evolução tiveram em nossa espécie. Afinal, para saber como chegamos no estado atual, precisamos nos habituar a viajar pela história e analisar o que nossa espécie fez pela maior parte do tempo que passou no planeta. Para aqueles que não conseguem visualizar o que isto representa para nossa espécie, Jared Diamond ilustrou bem quando escreveu: "Suponha que um arqueólogo que visitou o espaço sideral estivesse tentando explicar a história humana para outros colegas do espaço. Ele poderia ilustrar os resultados de suas escavações através de um relógio de 24 horas, onde cada hora representa 100.000 anos de intervalo de tempo. Se a história da raça humana começou à meia-noite, então nós seríamos agora quase o final do nosso primeiro dia. Nós vivemos como caçador coletor por quase todo esse dia, da meia-noite ao amanhecer, do meio-dia ao pôr-do-sol. Finalmente, às 23h:54m nós adotamos a agricultura."
Enquanto passamos milhões de anos andando pelo planeta em pequenos grupo, e que não sabíamos sua extensão ou quem eram seus residentes, nos acostumamos a achar padrões com as quais nos identificássemos para conseguirmos sobreviver. Éramos mais desconfiados pois tudo era novidade, e fomos descobrindo à duras penas ao longo do tempo que até mesmo seres fisicamente iguais a nós podiam ser traiçoeiros, se as condições se apresentassem. Nossa definição de igualdade foi, ao longo do tempo, se restringindo a certos aspectos cada vez mais limitados, pois qualquer coisa diferente ameaçava a sobrevivência da espécie. Mas paralelamente com toda esta desconfiança, fomos descobrindo também do que somos feitos e qual nossa relação com o mundo. Mesmo sem consciência do que estávamos fazendo, criamos um elo com a natureza de tal forma que nos sentimos confiantes o suficiente para tentar ficar no controle, modificando-a de acordo com nossa vontade. Mas como estamos descobrindo, não é tão fácil quanto parece, e os resultados podem ser desastrosos se não prestarmos mais atenção e continuarmos agindo como crianças mimadas.
Tivemos uma estrutura social em harmonia com nosso ambiente pela maior parte de nossa existência, onde aprendemos muito sobre ele e sobre nós, apesar de não notarmos. Apenas recentemente desviamos o caminho e, ultimamente, temos notado de uma forma mais clara as consequências deste desvio. Voltar para a estrutura antiga não é tão difícil quanto muitos presumem, nem tão perigosa. E com o conhecimento que adquirimos nos últimos milênios, podemos aprender com nossos erros, adaptando nosso progresso e nossa nova mentalidade. Estamos descobrindo que somos realmente capazes de transformar este planeta no que sempre sonhamos: um paraíso.
Basta apenas termos este objetivo.
:-)